Candidato à Presidência do Brasil, Pablo Marçal quer transferir a capital do país para o Maranhão caso seja eleito
Candidato do PRTB promete concluir a mudança em menos tempo que Juscelino Kubitschek levou para erguer Brasília e dividir os poderes
Pablo Marçal apresentou na noite de segunda-feira, 17 de agosto, uma proposta que voltou a colocar a reorganização territorial do Brasil no centro do debate eleitoral. Durante entrevista concedida ao podcast RedCast, o candidato à Presidência da República pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro defendeu a transferência da capital federal para o Maranhão e afirmou que a medida poderia ser executada em um prazo inferior ao registrado na construção de Brasília.
O presidenciável declarou que o Maranhão concentra os indicadores econômicos mais frágeis do país e que a instalação da sede do governo federal no estado representaria uma resposta concreta às desigualdades regionais. Marçal mencionou que a mudança atrairia investimentos, geraria postos de trabalho e estimularia a expansão de atividades produtivas em municípios do interior nordestino. O candidato afirmou ainda que pretende superar o período de aproximadamente três anos e dez meses em que Brasília foi erguida durante a gestão de Juscelino Kubitschek.
A proposta apresentada pelo empresário prevê uma divisão de atribuições entre diferentes unidades da federação. Brasília deixaria de concentrar a totalidade dos órgãos federais e passaria a abrigar com exclusividade a estrutura do Poder Judiciário. O Poder Executivo e o Poder Legislativo seriam deslocados para a nova capital maranhense, cuja localização exata ainda dependeria de estudos técnicos e ambientais. O Rio de Janeiro receberia pastas ligadas à cultura e ao turismo. São Paulo ficaria responsável pelas áreas econômica e industrial. O Pará concentraria órgãos ambientais e de desenvolvimento sustentável. Minas Gerais abrigaria estruturas voltadas à agricultura e à mineração.
Durante a entrevista, Marçal respondeu a questionamentos sobre o financiamento do projeto e declarou que a transferência poderia ser viabilizada sem elevação da carga tributária. O candidato citou a venda de imóveis públicos localizados em Brasília, a concessão de áreas à iniciativa privada e a celebração de parcerias público privadas como alternativas para custear as obras. O empresário não apresentou estimativas oficiais de gastos nem cronograma detalhado de implantação.
A defesa da transferência da capital federal não é recente na trajetória do candidato. Desde o anúncio da pré candidatura à Presidência, Marçal tem utilizado entrevistas e eventos regionais para defender a interiorização do poder como instrumento de correção de desequilíbrios históricos. O empresário sustenta que a concentração política e econômica no eixo Sul Sudeste compromete o desenvolvimento das demais regiões e que a presença da capital no Nordeste reorganizaria os fluxos de investimento em todo o território nacional.
A proposta enfrenta barreiras jurídicas expressivas. A transferência da capital federal exige alteração constitucional, com tramitação em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Além disso, a implantação de uma nova sede administrativa demandaria desapropriações, obras de infraestrutura, construção de edifícios públicos, redes de saneamento, abastecimento de água, energia elétrica, telecomunicações e um plano de realocação para milhares de servidores. A complexidade logística e os custos envolvidos são apontados por especialistas como os principais obstáculos à viabilidade do projeto.
A situação eleitoral do presidenciável também permanece indefinida. Pablo Marçal está formalmente inelegível até 2032 por decisão da Justiça Eleitoral, que identificou abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral de 2024, quando disputou a Prefeitura de São Paulo. A defesa do candidato recorreu da decisão e apresentou pedido de registro de candidatura à Presidência da República para as eleições de 2026. O processo aguarda análise do Tribunal Superior Eleitoral.
Enquanto o pedido não é julgado, Marçal intensifica a agenda de entrevistas e a divulgação de propostas consideradas polêmicas. A transferência da capital federal para o Maranhão figura como uma das principais bandeiras da plataforma eleitoral do candidato, ao lado de promessas de reforma administrativa, revisão do sistema tributário e implantação de programas de transferência de renda.
A repercussão da proposta reacende discussões históricas sobre a localização da capital brasileira. O país já transferiu a sede do governo em duas ocasiões. A primeira ocorreu em 1763, quando a capital deixou Salvador e foi instalada no Rio de Janeiro. A segunda foi concluída em 1960, com a inauguração de Brasília, após décadas de debates que remontam ao período colonial. A possibilidade de uma nova mudança, agora para o Nordeste, divide opiniões entre urbanistas, economistas e cientistas políticos, que apontam potenciais benefícios de desenvolvimento regional e riscos relacionados a custos elevados e interrupções administrativas.
O Tribunal Superior Eleitoral deverá analisar nas próximas semanas o pedido de registro de candidatura de Pablo Marçal. A legislação eleitoral estabelece que candidatos com inelegibilidade declarada não podem concorrer enquanto perdurarem os efeitos da condenação, mas admite a apresentação de recursos às instâncias superiores. Caso o registro seja negado, o candidato poderá recorrer ao próprio TSE e, em última instância, ao Supremo Tribunal Federal.
A transferência da capital federal para o Maranhão deve continuar gerando repercussão e alimentando o debate público sobre a organização administrativa do país. A proposta apresentada por Pablo Marçal insere o tema no centro da disputa eleitoral e provoca discussões sobre desenvolvimento regional, distribuição de recursos e o papel do Estado na redução das desigualdades territoriais.
Fontes consultadas ao final da matéria:
Tribunal Superior Eleitoral
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Registros históricos da transferência da capital federal para Brasília
Arquivo público do Distrito Federal
Relatórios de desenvolvimento regional do Nordeste brasileiro
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