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Política

Janja vira arma secreta do PT para conquistar o voto feminino em 2026

By Régis Andrade
20 de agosto de 2026 7 Min Read
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Primeira dama ganha agenda própria e missão de ampliar apoio a Lula entre mulheres em estados decisivos

A socióloga Rosângela da Silva, a Janja, deixou de ser apenas uma figura de apoio no palanque e passou a ocupar uma posição estratégica dentro da campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O Partido dos Trabalhadores decidiu formalizar aquilo que já vinha sendo testado em eventos recentes: a primeira dama terá agenda nacional própria, voltada prioritariamente para o eleitorado feminino, e atuará como porta voz da candidatura em encontros setoriais, atos de rua e transmissões digitais.

A decisão foi consolidada nas últimas reuniões do núcleo político da campanha, que identificou no público feminino um dos principais espaços de crescimento para o projeto de reeleição. A missão atribuída a Janja é ampliar a conexão de Lula com mulheres de diferentes faixas etárias, classes sociais e regiões do país, especialmente aquelas que não acompanham diariamente a agenda política, mas que são sensíveis a pautas ligadas ao cotidiano.

O primeiro grande compromisso dessa nova fase será realizado em Belo Horizonte, capital escolhida para receber um encontro de mulheres no dia 29 de agosto. A expectativa da organização é reunir cinco mil participantes em um evento que misturará ato político, apresentações culturais e discursos de lideranças femininas ligadas ao partido. A escolha de Minas Gerais se explica pelo peso eleitoral do estado, que historicamente funciona como uma síntese do comportamento do eleitorado brasileiro.

A presença de Janja na campanha não será limitada a eventos ao lado do presidente. A primeira dama terá uma agenda separada, com viagens a cidades médias e capitais, encontros com trabalhadoras, estudantes, empreendedoras, agricultoras e mulheres da periferia. A campanha pretende utilizar a imagem de Janja para humanizar a candidatura e reforçar a ideia de proximidade entre o governo e as demandas femininas.

A movimentação acontece mesmo diante de um cenário de desgaste da imagem da primeira dama. Pesquisa do instituto PoderData mostrou que 52 por cento das pessoas que conhecem Janja desaprovam sua atuação. O número é superior ao índice de rejeição de Lula no mesmo levantamento, o que evidencia o caráter divisivo da figura da primeira dama. Ainda assim, a campanha avalia que a presença dela pode gerar mais ganhos do que perdas, sobretudo entre o público que a enxerga como uma liderança autêntica e independente.

Dentro do PT, a leitura é de que a rejeição de Janja está concentrada em setores da oposição que dificilmente votariam no presidente. Já entre as mulheres que mantêm simpatia pelo governo ou que estão indecisas, a primeira dama teria potencial de mobilização superior ao de outras lideranças partidárias. A campanha aposta na autenticidade de Janja como um diferencial competitivo em um ambiente político marcado por discursos padronizados e excessivamente institucionais.

A primeira dama participou de forma ativa do lançamento oficial da campanha em São Bernardo do Campo, no dia 16 de agosto. No evento, ela não se limitou ao papel de acompanhante e discursou para a militância, cumprimentou apoiadores e apareceu em posição de destaque ao lado de dirigentes nacionais do partido. A cena foi interpretada como um sinal claro de que Janja terá papel central na narrativa eleitoral do PT nos próximos meses.

A coordenação de campanha também avalia a produção de conteúdo exclusivo para as redes sociais, com a primeira dama à frente de vídeos, transmissões ao vivo e depoimentos sobre temas como combate à violência contra a mulher, ampliação de creches, igualdade salarial e segurança alimentar. A ideia é construir uma narrativa que associe a figura de Janja às entregas do governo federal em áreas de interesse direto das mulheres.

A estratégia inclui ainda a gravação de inserções para o horário eleitoral gratuito, com a primeira dama falando diretamente às eleitoras. O tom dos materiais deve priorizar a emoção e o cotidiano, evitando o linguajar excessivamente político e apostando em situações reais vividas por mulheres brasileiras. A campanha entende que a comunicação com o eleitorado feminino precisa ser menos ideológica e mais prática, com foco em resultados e na melhoria das condições de vida.

Janja também deverá participar de encontros com movimentos de mulheres ligados a sindicatos, associações de bairro, coletivos culturais e organizações não governamentais. A presença da primeira dama nesses espaços busca ampliar a capilaridade da campanha em territórios onde a presença do presidente é menos frequente. A meta é transformar esses encontros em pontos de multiplicação de conteúdo e de engajamento orgânico.

O evento de Belo Horizonte servirá como um laboratório para medir a capacidade de mobilização de Janja e a receptividade do discurso voltado ao público feminino. A organização trabalha com caravanas de mulheres vindas de diferentes regiões de Minas Gerais e de estados vizinhos, como Espírito Santo, Rio de Janeiro e Goiás. A expectativa é transformar o encontro em um marco da campanha e em um termômetro para os próximos passos da agenda da primeira dama.

A campanha também pretende explorar a história de vida de Janja, sua trajetória acadêmica, sua atuação em causas sociais e sua relação com o presidente como elementos de aproximação com o eleitorado. A ideia é apresentar a primeira dama como uma mulher comum, que conhece de perto as dificuldades enfrentadas pelas brasileiras e que tem sensibilidade para traduzir essas demandas em políticas públicas.

A presença ampliada de Janja na campanha também terá impacto na agenda internacional. A primeira dama deverá acompanhar Lula em viagens ao exterior e participar de eventos paralelos com foco em direitos das mulheres, combate à fome e desenvolvimento sustentável. A campanha avalia que a exposição internacional pode reforçar a imagem de Janja como uma liderança global, o que agregaria valor à candidatura do presidente.

Auxiliares do presidente admitem que o estilo espontâneo de Janja já gerou situações de desconforto em momentos anteriores. No entanto, a orientação da campanha é preservar essa característica, considerada um dos principais ativos da primeira dama. A avaliação é de que o eleitorado feminino valoriza a naturalidade e rejeita figuras excessivamente ensaiadas ou distantes da realidade.

A coordenação de campanha trabalha com a meta de ampliar a vantagem de Lula entre as mulheres em estados como Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Para isso, a agenda de Janja será integrada à estratégia regional, com participação em eventos locais e encontros com lideranças femininas de cada estado. A campanha acredita que a presença da primeira dama pode ajudar a consolidar o voto feminino em regiões onde a disputa tende a ser mais acirrada.

A atuação de Janja também deverá incluir visitas a equipamentos públicos, como creches, hospitais, escolas e centros de referência da mulher. A ideia é mostrar a primeira dama em contato direto com os serviços prestados pelo governo federal, reforçando a associação entre a candidatura de Lula e a melhoria da qualidade de vida das mulheres. A campanha pretende gerar imagens e depoimentos que possam ser utilizados em peças publicitárias e nas redes sociais.

A decisão de dar a Janja uma agenda própria não foi tomada de forma isolada. O movimento foi discutido com o próprio presidente Lula, que autorizou a ampliação do papel da esposa na campanha. Aliados afirmam que Lula vê em Janja uma aliada leal e uma comunicadora eficiente, capaz de alcançar públicos que ele próprio tem dificuldade de atingir em determinados contextos.

A expectativa é de que, até o fim do ano, Janja tenha percorrido todas as regiões do país, com uma média de dois a três eventos semanais. A logística da agenda será coordenada pela equipe de campanha, que trabalhará em conjunto com a segurança da Presidência da República. A exposição ampliada da primeira dama exigirá um planejamento cuidadoso para conciliar a rotina oficial com os compromissos eleitorais.

A campanha também estuda a possibilidade de Janja participar de debates e entrevistas em veículos de comunicação de grande audiência, com foco no público feminino. A ideia é submeter a primeira dama a sabatinas e conversas com jornalistas mulheres, em formatos que permitam a ela falar diretamente com as eleitoras. A avaliação é de que a exposição controlada pode ajudar a reduzir a rejeição e a consolidar a imagem de Janja como uma liderança política por direito próprio.

O PT aposta na combinação entre a presença de Lula nos grandes atos nacionais e a atuação de Janja em eventos segmentados, com linguagem própria e abordagem direcionada. A estratégia busca criar uma narrativa de campanha que una a experiência do presidente à sensibilidade da primeira dama, em uma tentativa de ampliar a base eleitoral e reduzir resistências em setores estratégicos do eleitorado.

O encontro de Belo Horizonte, no fim de agosto, será o primeiro grande teste dessa nova configuração. A expectativa é de que o evento sirva para demonstrar a capacidade de mobilização da campanha entre as mulheres e para consolidar Janja como uma peça central na disputa pelo voto feminino. O resultado do encontro influenciará a intensidade da agenda da primeira dama nos meses seguintes e poderá redefinir o tom da comunicação voltada para as eleitoras.

A campanha de Lula entra, assim, em uma nova etapa, marcada pela presença mais ativa de Janja e pela tentativa de transformar a primeira dama em uma ponte entre o governo e as mulheres brasileiras. O sucesso da empreitada dependerá da capacidade de Janja de superar a rejeição registrada nas pesquisas e de se consolidar como uma voz confiável em meio à polarização política. A aposta é alta, e os próximos meses serão decisivos para saber se a estratégia renderá os votos que o PT espera.

Fontes consultadas: CNN Brasil, PoderData, diretório nacional do Partido dos Trabalhadores, coordenação nacional da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, assessoria de imprensa da Presidência da República.

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