Apple anuncia seu primeiro celular dobrável, que se chamará iPhone Duo e chegará às lojas em outubro
Apple entra de vez no mercado de dobráveis com iPhone Duo, modelo chega às lojas em outubro
Novo aparelho representa a maior mudança de design da linha iPhone em anos, combina duas telas, estrutura ultrafina, multitarefa e suporte à Apple Pencil em uma proposta que aproxima o celular de um tablet
A Apple apresentou oficialmente nesta quarta feira, 9 de setembro de 2026, o iPhone Duo, seu primeiro smartphone com tela dobrável. O lançamento marca uma mudança significativa na estratégia da empresa e coloca a principal linha de celulares da companhia em uma categoria que já vinha sendo explorada por fabricantes como Samsung, Motorola e empresas chinesas.
O novo modelo foi apresentado durante o evento anual da Apple e chega ao mercado com uma proposta bastante diferente dos iPhones tradicionais. Em vez de manter o formato convencional de uma única tela, o aparelho utiliza uma estrutura semelhante à de um livro. Quando fechado, funciona como um smartphone compacto. Quando aberto, amplia consideravelmente a área disponível para aplicativos, vídeos, leitura, produtividade e outras atividades.
A chegada do iPhone Duo acontece depois de anos de especulações sobre um possível dobrável da Apple. A empresa decidiu entrar no segmento somente agora, em um momento no qual a tecnologia de telas flexíveis e os mecanismos de dobradiça estão mais avançados.
O objetivo da companhia é apresentar um produto que não seja apenas um iPhone que dobra, mas um equipamento capaz de combinar as características de um smartphone com recursos tradicionalmente associados aos tablets.
O aparelho possui uma tela externa para utilização quando está fechado e um painel interno flexível que aparece quando o dispositivo é aberto. As informações divulgadas após o lançamento indicam uma tela externa de aproximadamente 5,4 polegadas e um display interno de 7,6 polegadas.
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A diferença de tamanho permite que o usuário alterne entre mobilidade e produtividade. Com o aparelho fechado, tarefas rápidas podem ser realizadas normalmente. Aberto, o espaço adicional permite trabalhar com diferentes aplicativos simultaneamente e aproveitar melhor conteúdos que exigem uma área maior de visualização.
A experiência de multitarefa recebeu atenção especial no desenvolvimento do sistema. O usuário poderá manter aplicativos lado a lado e utilizar múltiplas janelas, aproximando a experiência do Duo daquela encontrada em um tablet.
Essa característica pode ser especialmente útil para profissionais que precisam consultar documentos enquanto respondem mensagens, acompanhar uma reunião durante uma videoconferência ou utilizar aplicativos de produtividade sem precisar alternar constantemente entre diferentes telas.
Outro ponto importante está no mecanismo responsável pela abertura e fechamento do aparelho. A Apple desenvolveu uma nova estrutura de dobradiça com o objetivo de proporcionar maior resistência e reduzir um dos problemas mais conhecidos dos celulares dobráveis, o vinco perceptível na região de dobra.
Quando aberto, o dispositivo busca oferecer uma superfície mais uniforme, enquanto o mecanismo também permite que as duas partes do aparelho permaneçam alinhadas. A construção foi pensada para suportar o uso cotidiano e sucessivos ciclos de abertura e fechamento.
O projeto também prioriza a espessura. A proposta da Apple é manter o Duo relativamente fino mesmo com toda a complexidade necessária para acomodar uma tela flexível, duas partes estruturais, baterias e demais componentes internos.
No desempenho, o iPhone Duo utiliza o novo chip A20 Pro, desenvolvido para a geração mais recente de smartphones premium da Apple. O processador foi projetado para lidar com aplicações exigentes e recursos de inteligência artificial, além de melhorar eficiência energética.
O aparelho também estreia o modem C2, desenvolvido internamente pela Apple. A iniciativa reforça a estratégia da companhia de ampliar o controle sobre componentes fundamentais dos seus dispositivos.
Na fotografia, o Duo utiliza duas câmeras traseiras de 48 megapixels. O conjunto foi desenvolvido para manter um nível elevado de qualidade fotográfica sem comprometer excessivamente o espaço interno necessário para o mecanismo dobrável.
A câmera frontal também foi projetada para chamadas de vídeo e comunicação. A Apple direcionou parte do desenvolvimento para garantir que o aparelho pudesse ser utilizado em diferentes posições, aproveitando justamente a flexibilidade proporcionada pelo formato dobrável.
Uma das novidades mais importantes está na compatibilidade com a Apple Pencil. Pela primeira vez, a linha iPhone passa a oferecer suporte à caneta da Apple, recurso que aproxima ainda mais o Duo da experiência de um iPad.
Com uma tela interna significativamente maior, a caneta pode ser utilizada para anotações, desenhos, edição de documentos e outras tarefas que exigem maior precisão.
O sistema biométrico também passa por uma mudança. Em vez de depender exclusivamente do Face ID, o aparelho utiliza Touch ID integrado ao botão lateral, permitindo desbloqueio por impressão digital.
A construção do aparelho utiliza materiais de alta resistência e foi projetada para oferecer maior proteção contra poeira e água. A Apple também trabalhou para reduzir os pontos frágeis tradicionalmente associados aos smartphones dobráveis.
O preço coloca o iPhone Duo em uma categoria extremamente premium. A versão inicial com 256 GB de armazenamento custa 1.999 dólares nos Estados Unidos. As configurações com maior capacidade podem alcançar aproximadamente 3.000 dólares.
No Brasil, o modelo chega por valores ainda mais elevados. A versão de entrada com 256 GB foi anunciada por 21.999 reais, enquanto configurações superiores podem alcançar cerca de 31 mil reais.
A pré venda está prevista para começar em 16 de outubro de 2026. A chegada às lojas está programada para 23 de outubro.
A Apple disponibilizará o aparelho inicialmente em duas opções de acabamento, branco e azul escuro. A escolha mantém uma identidade visual mais discreta para um produto que já chama atenção pelo formato.
A entrada da Apple nesse mercado também pode provocar mudanças importantes na indústria. A companhia chega depois de seus principais concorrentes, mas possui uma enorme base de consumidores e uma capacidade de integração entre hardware e software que pode ajudar a ampliar a popularidade dos dobráveis.
O desafio, entretanto, será justificar o preço elevado. Os smartphones dobráveis continuam sendo produtos de nicho e ainda enfrentam obstáculos relacionados ao custo, espessura, autonomia, resistência e durabilidade das telas.
Com o Duo, a Apple tenta transformar essas limitações em uma experiência mais refinada. A empresa aposta que consumidores interessados em produtividade, mobilidade e tecnologia premium estarão dispostos a pagar mais para ter um dispositivo que possa assumir funções de smartphone e tablet.
O lançamento também acontece em uma nova fase da companhia. John Ternus assumiu o cargo de CEO no início de setembro, sucedendo Tim Cook, e o iPhone Duo se torna um dos primeiros grandes produtos apresentados sob sua liderança.
Mais do que representar a estreia da Apple nos celulares dobráveis, o iPhone Duo sinaliza uma mudança na própria concepção do que a empresa considera um smartphone premium. Ao permitir que o aparelho seja utilizado fechado ou aberto, a companhia passa a explorar uma experiência que combina diferentes categorias de dispositivos em um único produto.
A partir de outubro, o mercado terá uma oportunidade concreta de avaliar se a abordagem da Apple será suficiente para transformar os dobráveis em uma categoria mais popular ou se o preço continuará sendo o principal obstáculo para sua expansão.
Fonte
Apple, Reuters, Associated Press, The Verge