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Política

Trump na ONU: acordo ou aniquilação do Irã?

By Régis Andrade
22 de setembro de 2026 6 Min Read
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Presidente dos EUA dá ultimato ao Irã na Assembleia Geral e condiciona paz a eleições de meio de mandato em Nova York

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, transformou o plenário da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, em um palco de ultimato existencial nesta terça-feira, 22 de setembro. Diante de líderes de todo o mundo, o mandatário americano colocou sobre a mesa uma escolha binária e brutal para a República Islâmica do Irã: a rendição negociada ou a aniquilação total. A fala, que mesclou autopromoção, defesa de sua guerra impopular e uma ameaça de destruição sem precedentes contra uma nação soberana, ocorreu enquanto a transmissão oficial da ONU focava no rosto impassível do representante iraniano presente na sala, transformando o momento em um dos mais tensos da história recente da diplomacia internacional.

A declaração central de Trump veio após uma longa exposição sobre os supostos feitos de seu governo, mas foi recebida com um silêncio pesado. “Eu tenho uma grande decisão para tomar. Será que um acordo será feito com o Irã que os permita se reconstruir e criar um país muito maior do que já foi um dia, talvez um dos maiores do Oriente Médio ou até do mundo? Ou eu aniquilo a República Islâmica e faço isso rapidamente, nunca mais lhes dando a chance de matar e destruir pessoas e países de novo?”, indagou o presidente, em tom de ameaça direta. Ele foi além, questionando se deveria “levá-los ao inferno, sem chance de sobrevivência e sem esperança de grandeza futura para gerações”.

A retórica de Trump não se limitou à ameaça imediata. Ele projetou um futuro pós-eleitoral para o conflito, afirmando acreditar que um acordo será fechado logo após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro. “Eu acho que faremos um acordo logo após as eleições, porque não faz sentido para eles não fazerem”, declarou, antes de provocar: “Eles estão esperando para ver como eu me saio na eleição de meio de mandato. O que eles não percebem é que eu não estou concorrendo. Eu já fiz isso e ganhei de lavada”. A declaração, que mistura confiança e desprezo pelo processo democrático, busca projetar uma imagem de controle absoluto sobre o conflito, mesmo com sua popularidade em queda às vésperas do pleito.

A fala do presidente americano foi construída sobre uma narrativa de força e vitória militar. Ele dedicou a primeira parte de seu discurso a exaltar a economia e o poderio bélico dos Estados Unidos. “Os EUA estão de volta. Nosso país está mais forte hoje do que jamais esteve”, afirmou, antes de classificar os militares americanos como “os mais poderosos do mundo” e negar relatos sobre escassez de armamentos. “Os covardes e traidores dizem que não temos munições. E não é verdade”, disse, acrescentando que abriu a produção para 18 empresas que liderarão a implementação de mísseis e munições aos aliados.

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Ao abordar diretamente o Irã, Trump o rotulou como “o maior patrocinador do terrorismo do mundo” e “o valentão do Oriente Médio”, afirmando que o país “não é mais” uma ameaça na região. Ele acusou o regime iraniano de ter “governado por derramamento de sangue e assassinatos em massa por 51 anos” e citou números específicos, afirmando que o governo “massacrou mais de 72 mil de seus próprios cidadãos este ano” e que “recentemente, 10 mil foram mortos por protestar”. O presidente também mencionou o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, dizendo que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, celebrou o massacre e o chamou de “serviço à humanidade”.

Para justificar sua posição, Trump detalhou os resultados da Operação Fúria Épica, a campanha militar lançada em fevereiro em aliança com Israel. “Como resultado da Operação Fúria Épica, todos os 159 navios da marinha iraniana estão agora no fundo do mar. Da mesma forma, sua força aérea se foi. Seu radar se foi. Seu equipamento antiaéreo se foi. Sua capacidade de fabricação de mísseis e drones está quase toda destruída. Sua economia acabou. A única coisa que não acabou é a inflação, que está destruindo o país e já passa de 300%”, listou. A operação, que teve como alvo principal o programa nuclear iraniano, resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei e de diversos comandantes militares, conforme confirmado pelo Secretário de Guerra Pete Hegseth, que afirmou que a missão era “destruir os mísseis ofensivos iranianos, destruir sua produção de mísseis, destruir sua marinha e outra infraestrutura de segurança, e eles nunca terão armas nucleares”.

A consequência humanitária e econômica do conflito, no entanto, foi minimizada por Trump. Ele pediu que todas as nações imponham um “bloqueio econômico completo” ao Irã até que o país pare os ataques a navios comerciais no Estreito de Ormuz. “Eu peço que todos isolem o Irã até que parem os ataques em Ormuz”, declarou, agradecendo ao Conselho de Segurança da ONU por ter aprovado uma resolução condenando os ataques iranianos a embarcações comerciais. Ele afirmou que a Marinha dos Estados Unidos escoltou mais de 1 bilhão de barris de petróleo para fora do Estreito de Ormuz e que mais petróleo está fluindo agora do que em qualquer outro momento desde o início da guerra. “Estamos retirando 22, 25, 30, 32 e 37 navios, respectivamente, a cada dia e a cada noite”, disse. A realidade, contudo, é que a guerra, prestes a completar oito meses, continua sem perspectiva clara de encerramento, e pesquisas mostram que quase dois terços dos americanos acreditam que os EUA não estão vencendo o conflito.

A fala de Trump provocou reações imediatas e veementes. O enviado iraniano à ONU, Amir Saeid Iravani, classificou o discurso como “indigno de qualquer líder político, muito menos do chefe de um membro permanente do Conselho encarregado da manutenção da paz e segurança internacionais”. Em carta enviada anteriormente ao Conselho de Segurança, o diplomata já havia alertado que o Irã “não inicia guerras, mas responderá de forma decisiva a qualquer agressão”. O secretário-geral da ONU, António Guterres, que fazia seu último discurso na Assembleia antes de deixar o cargo em dezembro, pediu que os líderes escolham o diálogo em vez da destruição. “As linhas de falha em nosso mundo estão se ampliando”, alertou. “O mundo não precisa de uma ONU mais fraca. Precisa de uma ONU forte o suficiente para enfrentar o mundo como ele é”.

A União Europeia, que já havia estendido seu quadro de sanções para atingir pessoas e entidades envolvidas nas ações do Irã que impedem a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, reiterou sua posição de rejeitar “qualquer ameaça de ataque à infraestrutura civil crítica” e pediu “máxima contenção” e respeito ao direito internacional. A China e a Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança com direito a veto, já haviam bloqueado dias antes uma resolução americana sobre o programa nuclear iraniano, argumentando que as sanções haviam expirado.

Nos Estados Unidos, as críticas atravessaram o espectro político. O senador democrata Chris Murphy afirmou que “líderes republicanos precisam detê-lo” e que “explodir pontes e usinas de energia e matar iranianos inocentes não vai reabrir o Estreito. Também é um claro crime de guerra”. A ex-deputada republicana Marjorie Taylor Greene escreveu: “Nem uma única bomba caiu sobre a América. Não podemos matar uma civilização inteira. Isso é maldade e loucura”.

O discurso ocorre em um momento de crescente isolamento internacional dos Estados Unidos. Muitos dos aliados europeus e asiáticos de Washington não aceitaram o pedido de Trump para ajudar na guerra, e a relação com parceiros históricos, como Canadá e Europa, está desgastada por uma série de provocações diplomáticas e pelo uso de tarifas. O presidente, que já afirmou que a guerra com o Irã terminará “logo após as eleições de meio de mandato”, parece apostar todas as suas fichas em uma vitória política que lhe permita negociar de uma posição de força. A grande questão que paira sobre a Assembleia Geral é se o mundo assistirá a um acordo ou a uma catástrofe humanitária sem precedentes. A decisão, como Trump fez questão de lembrar, está em suas mãos.

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bloqueio econômicoeleiçõesguerraIrãONUOriente MédioTrump
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Régis Andrade

Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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