Após a fusão das empresas, Paramount e Warner Bros. passarão a se chamar SKYDANCE
Fusão de US$ 110 bilhões cria gigante da mídia e promete mudar streaming, cinema e TV após aval antitruste nos EUA agora
A Paramount Skydance Corporation anunciou que adotará a denominação social Skydance tão logo seja concluída a aquisição da Warner Bros. Discovery, transação avaliada em 110 bilhões de dólares. A comunicação foi feita por David Ellison, executivo-chefe da companhia, que utilizou suas redes sociais para revelar a decisão a poucos dias do fechamento do negócio, previsto para ocorrer na próxima semana.
Segundo o comunicado, a escolha do nome Skydance tem como propósito estabelecer uma identidade corporativa própria para o conglomerado resultante da fusão, sem, contudo, suprimir ou eclipsar as marcas que passam a integrá-lo. Ellison declarou que nunca houve a intenção de que a nova designação diminuísse, alterasse ou ofuscasse qualquer uma das empresas envolvidas. “Queríamos um nome que desse à empresa combinada uma identidade própria, ao mesmo tempo em que permitisse que Paramount, Warner Bros. e todas as nossas marcas extraordinárias continuassem em destaque”, afirmou o executivo. “Ao uní-las, não estamos reescrevendo a história; estamos equipando esses estúdios icônicos com um motor mais poderoso. Juntos, somos Skydance: um lar que prioriza a criatividade e aposta em narrativas ousadas e de qualidade.”
A denominação Skydance é uma referência à produtora original de Ellison, fundada em 2006, responsável por títulos como “Top Gun: Maverick” e “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma”. O nome também remete à paixão do executivo pela aviação, interesse compartilhado com seu pai, Larry Ellison, cofundador da Oracle e um dos principais financiadores da operação.
A fusão, uma das maiores da história da mídia, reunirá dois dos cinco estúdios legados de Hollywood, os serviços de streaming Paramount+ e HBO Max, e redes de televisão como CBS, CNN, MTV, TBS e Food Network. A transação foi aprovada pelos acionistas da Warner Bros. Discovery em abril, com votação expressiva, e recebeu autorização do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e de mais de 60 países.
O caminho para a conclusão do negócio não foi isento de obstáculos. Em julho, uma coalizão de doze procuradores-gerais estaduais, liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, ingressou com ação antitruste para bloquear a fusão, alegando que a combinação reduziria a concorrência na distribuição de filmes nos cinemas e na programação de canais a cabo, podendo resultar em menos opções e preços mais altos para os consumidores. A Justiça concedeu ordem temporária que suspendeu o processo.
Na semana passada, as partes chegaram a um acordo que foi aprovado por uma juíza federal na quarta-feira. Pelo consentimento, a empresa combinada se compromete a lançar pelo menos trinta filmes por ano nos cinemas dos Estados Unidos nos dois primeiros anos, e trinta e dois filmes anuais nos três anos seguintes, além de investir 1,5 bilhão de dólares adicionais em produção cinematográfica no país ao longo de cinco anos. O acordo também exige a criação de um conselho de independência editorial de cinco membros para supervisionar a CNN e a CBS News, a ser estabelecido em até 180 dias após o fechamento, e prevê a oferta separada de canais básicos a cabo para distribuidores. Os estúdios da Paramount em Los Angeles e da Warner Bros. em Burbank não poderão ser vendidos ou fechados durante o período de cinco anos.
A magistrada Araceli Martinez-Olguin classificou o acordo como uma abordagem justa, razoável e de boa-fé para lidar com os danos competitivos alegados pelos estados. A procuradora-geral da Califórnia, Rob Bonta, ressaltou que o acordo foi desenhado para proteger trabalhadores e suas famílias, mas enfatizou que aceitar o consentimento não significa endossar a fusão. Críticos, incluindo a coalizão Block the Merger e o grupo de defesa da mídia Free Press, argumentaram que as promessas comportamentais são frágeis e que a combinação pode levar a demissões, menos produções independentes, custos mais altos para os consumidores e diminuição da independência editorial.
A nova empresa, que estreará com uma dívida de 80 bilhões de dólares, terá David Ellison como executivo-chefe e contará com Ynon Kreiz, ex-executivo-chefe da Mattel, como co-executivo-chefe a partir de 6 de outubro. Ellison já sinalizou que pretende cortar 6 bilhões de dólares em custos, o que deve resultar em demissões significativas. O executivo também tem negociado a permanência de Mark Thompson, executivo-chefe da CNN, e já acertou a saída de Casey Bloys, presidente da HBO, além de ter encontrado um co-executivo-chefe na figura de Kreiz.
A fusão representa a consolidação de um império midiático nas mãos da família Ellison, que já controla a Paramount e a CBS desde o ano passado. Larry Ellison, pai de David, é um aliado de longa data do presidente Donald Trump, e a operação foi financiada com o apoio de fundos soberanos da Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi, que deterão indiretamente quase cinquenta por cento do capital da nova empresa. A proximidade com o governo Trump e a participação de capital estrangeiro geraram críticas e preocupações sobre a concentração de poder na mídia.
Com a conclusão da aquisição, a Skydance passará a controlar um vasto portfólio de propriedades intelectuais que inclui franquias como Batman, Harry Potter, Friends, Game of Thrones e o universo DC, além de ativos jornalísticos como a CNN e a CBS News. A transação também marca a saída da Netflix da disputa pela Warner Bros. Discovery, depois de uma guerra de lances que durou meses. A Paramount pagará uma taxa de rescisão de 2,8 bilhões de dólares à Netflix.
O mercado e a indústria de entretenimento aguardam agora os desdobramentos da operação, que deve reconfigurar o cenário da mídia global e testar a capacidade da nova liderança de equilibrar a preservação de marcas históricas com a necessidade de inovação e eficiência financeira.
Fontes: Bloomberg, The New York Times, Xinhua, CNN Business, Los Angeles Times, EFE, New York Post, InfoMoney, SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos), Ansa Latina, BBC World Service, RTÉ, Reuters.