Título: Urnas fechadas: votação do primeiro turno termina e apuração já começou
Eleitores na fila às 17h puderam votar; TSE já iniciou totalização e segundo turno pode ocorrer em 25 de outubro de 2026
A votação do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 foi encerrada oficialmente às 17h deste domingo, 4 de outubro, em todo o território nacional. O horário de Brasília foi utilizado como referência única para o fechamento das seções eleitorais, regra determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral para uniformizar o processo em todos os estados e no Distrito Federal. Com o encerramento, os portões dos locais de votação foram fechados, e teve início a etapa de apuração e transmissão dos dados das urnas eletrônicas para a totalização dos votos.
O encerramento da votação às 17h não significou que todos os eleitores precisaram deixar a seção exatamente nesse horário. Aqueles que já estavam na fila no momento do fechamento receberam senha dos mesários e tiveram o direito de votar assegurado. O procedimento adotado pelas equipes da Justiça Eleitoral consistiu em identificar as pessoas ainda à espera, começando pelo último da fila, e distribuir as senhas de atendimento. A votação prosseguiu até que todos os eleitores que receberam senha tenham registrado o voto na urna eletrônica. Quem chegou aos locais de votação somente após as 17h, por outro lado, não pôde mais votar. Em diversos estados, eleitores relataram filas extensas ao longo do dia, movimento atribuído à necessidade de escolher seis candidatos em sequência na urna eletrônica, o que amplia o tempo de permanência na cabine de votação.
Neste ano, os eleitores precisaram fazer seis escolhas na urna eletrônica. A ordem de votação foi iniciada pelo cargo de deputado federal, seguida por deputado estadual ou distrital, primeiro senador, segundo senador, governador e, por fim, presidente da República. Mais de 158 milhões de brasileiros estavam aptos a comparecer às urnas, o que inclui os eleitores residentes no exterior, que votaram em cerca de 190 cidades distribuídas por 134 países. A maior parcela do eleitorado fora do Brasil concentra-se nos Estados Unidos, em Portugal e no Japão.
Devido à diferença de fuso horário em relação ao Brasil, diversos países da Ásia e da Oceania encerraram a votação antes do horário brasileiro. Com quase um milhão de brasileiros aptos a votar no exterior, as seções nesses locais já haviam concluído o processo ao longo do domingo. De acordo com os boletins afixados nas seções, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve a maioria dos votos na Austrália, na Coreia do Sul, na Malásia, na Nova Zelândia e em Singapura. Já o senador Flávio Bolsonaro liderou a apuração nas Filipinas, na Tailândia e em Taiwan. A consolidação oficial do resultado do voto no exterior, no entanto, será divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral apenas após o fechamento das urnas no território nacional, em sincronia com a totalização dos votos registrados no Brasil.
Com o fim da votação, começou a etapa de encerramento das seções e transmissão dos dados das urnas para a totalização. A urna eletrônica funciona de forma isolada de redes de dados durante a votação e, ao final, apura os votos registrados naquela seção, imprimindo cinco cópias do Boletim de Urna, documento que apresenta os votos recebidos por cada candidatura e legenda, além do número de comparecimentos. Uma dessas vias é colada na porta da seção para conferência pública. Qualquer eleitor pode atuar como fiscal da totalização, capturando o QR Code presente no Boletim de Urna por meio do aplicativo Boletim na Mão ou do e-Título e comparando os dados com os disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Na sequência, a mídia de resultado, dispositivo que armazena os dados, é enviada para as juntas eleitorais. A transmissão ocorre por uma rede de comunicação própria, fechada e protegida, sem conexão com a internet. Os sistemas da Justiça Eleitoral checam a autenticidade e a integridade dos arquivos por meio de assinatura digital, que confirma que o resultado foi produzido pela urna eletrônica cadastrada para aquela seção. Somente após essa validação os dados são incorporados à totalização final.
A totalização dos votos pode ser acompanhada em tempo real por qualquer cidadão por meio do aplicativo Resultados, disponível para celulares Android e iOS, e também pelo Portal Resultados do Tribunal Superior Eleitoral. A plataforma permite consultar o andamento da apuração por estado, município ou zona eleitoral, com informações sobre o número de seções totalizadas e o comparecimento do eleitorado. Ao término da totalização, são disponibilizados os resultados finais, os percentuais de votação, os votos por partido e as pessoas eleitas ou que disputarão o segundo turno, quando houver.
Na véspera do pleito, o Tribunal Superior Eleitoral realizou a emissão da Zerésima, procedimento que atestou a inexistência de votos pré-computados nos sistemas de totalização das urnas eletrônicas. A solenidade foi acompanhada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, e checou os quatro sistemas responsáveis por receber, transmitir e somar os votos de todo o país. Nenhuma irregularidade foi encontrada. Antes do início da votação, cada urna também emitiu a sua própria zerésima, confirmando que não havia votos anteriores registrados no equipamento. Pela primeira vez, duas urnas do Distrito Federal foram submetidas a um teste de integridade no próprio Tribunal Superior Eleitoral, acompanhado ao longo de todo o dia de votação.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, votou logo cedo, às 8h, no Colégio Perpétuo Socorro, em Brasília, e acompanhou a emissão da zerésima antes do início da votação. Ele afirmou que incidentes registrados até a véspera da eleição foram contornados e que providências foram tomadas para enfrentar os impactos de condições climáticas em diferentes regiões do país. O Tribunal criou a Sala Nacional de Situação Climática para monitorar locais de votação, rotas de deslocamento, redes de energia e telecomunicações, estruturas de armazenamento e distribuição de equipamentos, utilizando informações meteorológicas, hidrológicas e geológicas, além de riscos de desastres com dados da operação eleitoral.
A Polícia Federal divulgou um balanço do combate a crimes eleitorais ao longo do dia. Até as 9h, foram instaurados quatro inquéritos policiais e lavrados seis termos circunstanciados de ocorrência, com casos registrados na Bahia, Minas Gerais, Roraima, Acre, Distrito Federal, Rondônia, Amapá, Paraíba, Rio Grande do Sul e Maranhão. Até o momento, 32 pessoas foram conduzidas e houve a apreensão de valores em bens e dinheiro. Entre os principais crimes apurados estão a propaganda eleitoral irregular e a corrupção eleitoral, especialmente a compra de votos.
A apuração dos votos começou logo após o encerramento da votação e deve avançar pela noite deste domingo. O Tribunal Superior Eleitoral divulgará os resultados consolidados à medida que os Boletins de Urna forem recebidos e processados. Caso nenhum candidato à Presidência da República ou aos governos estaduais alcance maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno está marcado para o dia 25 de outubro. Para ser eleito no primeiro turno, o candidato precisa ter mais da metade dos votos válidos, isto é, sem contar os votos brancos e nulos. Os cargos de senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital são definidos em turno único, independentemente do percentual obtido pelos candidatos.
Desde a redemocratização do país, a eleição para presidente foi decidida no primeiro turno apenas duas vezes, ambas com o presidente Fernando Henrique Cardoso, nas eleições de 1994 e de 1998. Nos demais pleitos, houve segundo turno. No segundo turno, seguem na disputa os dois candidatos mais votados no primeiro turno, e quem conseguir a maioria dos votos válidos vence a eleição. Nos casos de morte, desistência ou impedimento legal de um dos candidatos antes do segundo turno, aquele que teve a terceira maior votação no primeiro turno assume a disputa.
As eleições deste domingo definem os nomes que vão ocupar os cargos no Senado, na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas, além dos governadores e do presidente da República. São eleitos 27 governadores, 54 senadores, dois por estado, 513 deputados federais e os deputados estaduais e distritais.
Fonte consultada
Tribunal Superior Eleitoral