Se o Flávio quiser me pôr de ministro do STF, eu também tenho meu diploma de direito. Eu vou tocar o terror lá no STF
Marçal diz que aceitaria o STF se Flávio Bolsonaro vencer e promete tocar o terror na Corte sem medo de polêmica e caos!
O empresário e influenciador Pablo Marçal afirmou publicamente que está à disposição do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) para assumir o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) caso o senador seja eleito. A declaração foi feita durante um evento político, quando Marçal foi questionado sobre qual ministério ocuparia em uma eventual gestão do parlamentar. O ex-coach, que já foi candidato à Prefeitura de São Paulo e atualmente está inelegível por decisão da Justiça Eleitoral, respondeu que aceitaria qualquer função que lhe fosse oferecida, citando explicitamente a vaga na mais alta corte do país.
“O que o Flávio falar. Eu tô na guerra. Flávio quiser me pôr de ministro do STF, eu também tenho meu diploma de Direito, eu vou tocar o terror lá no STF. Se ele quiser me colocar pra ser o ministro da superinteligência, se ele quiser me colocar pra qualquer coisa, eu tô dentro”, declarou Marçal no encontro, que contou com a presença de apoiadores e outras lideranças políticas.
A fala não é um episódio isolado na trajetória política do influenciador. Durante a campanha à Prefeitura de São Paulo, em 2024, Marçal já havia utilizado a expressão “tocar o terror” para se referir à sua postura em debates e embates com adversários. Na ocasião, a retórica agressiva foi um dos elementos que levaram à sua condenação por uso indevido dos meios de comunicação, decisão que resultou em inelegibilidade por oito anos, mantida em segunda instância pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. A condenação também incluiu multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial. Marçal, no entanto, afirma acreditar que a decisão será revertida no Tribunal Superior Eleitoral e mantém sua atuação política como apoiador declarado de Flávio Bolsonaro.
A menção ao Supremo Tribunal Federal ganha peso adicional no atual cenário eleitoral. O próximo presidente eleito terá a oportunidade de indicar até quatro ministros para a Corte ao longo do próximo ciclo presidencial, considerando a vaga atualmente aberta desde a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025, e as aposentadorias compulsórias previstas para os próximos anos. O ministro Luiz Fux completa 75 anos em 2028, seguido por Cármen Lúcia em abril de 2029 e Gilmar Mendes em dezembro de 2030. Juntas, as quatro vagas representam mais de um terço da composição do Supremo, que tem 11 cadeiras no total, e podem definir a correlação de forças na Corte por décadas, já que cada ministro nomeado permanece no cargo até atingir a idade-limite.
O tema tem sido explorado diretamente pela campanha de Flávio Bolsonaro. Em declaração recente, o candidato afirmou que, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar mais quatro ministros para o STF, “o Brasil não suporta”. Flávio, que tem o Supremo como alvo recorrente de críticas, promete “enquadrar” a Corte caso seja eleito. A retórica de confronto com o Judiciário é um dos eixos centrais de sua campanha e encontra eco em aliados como Marçal, que agora se apresenta como possível indicado ao tribunal.
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é senador em fim de mandato pelo Rio de Janeiro e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Escolhido pelo pai em dezembro de 2025 como o nome do Partido Liberal para a disputa presidencial, após intensas disputas internas, o senador chega ao segundo turno contra Lula com o objetivo declarado de retomar o legado político da família. Sua trajetória recente, no entanto, é marcada por investigações. A Polícia Federal apura suspeitas de corrupção envolvendo o financiamento de uma cinebiografia e o envio de emendas parlamentares a pedido de um miliciano condenado pela morte da vereadora Marielle Franco. Em 2020, Flávio foi denunciado por peculato e lavagem de dinheiro no caso conhecido como “rachadinha”, mas a denúncia foi rejeitada pela Justiça em 2022 após anulação de provas.
A associação entre Marçal e Flávio Bolsonaro também expõe uma estratégia de campanha que aposta na polarização e no confronto direto com instituições. Ao afirmar que usaria o cargo de ministro do STF para “tocar o terror”, Marçal sugere que um indicado por Flávio poderia atuar de forma combativa contra decisões e ministros que desagradem ao governo, o que reacende o debate sobre a independência do Supremo e os riscos de uma politização ainda maior da Corte. A fala foi amplamente repercutida por veículos de imprensa e por opositores, que veem na declaração uma ameaça ao Estado Democrático de Direito.
Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre a declaração de Marçal até a publicação desta matéria. O influenciador, por sua vez, mantém o posicionamento e reforça que está “na guerra” ao lado do candidato, à disposição para o que ele precisar.
Fontes consultadas: BNews, Metrópoles, G1, O Globo, Poder360, Estado de Minas, Revista Fórum, CNN Brasil, Agência Brasil, Folha de S.Paulo, SBT News, R7, Jornal de Brasília.