Elon Musk estima produzir mais de 1 bilhão de robôs humanoides em 10 anos
Musk afirma que robôs serão mais produtivos que todos os humanos e prevê crescimento exponencial com fabricação recursiva
O bilionário Elon Musk, executivo-chefe da Tesla e da SpaceX, projetou que o mundo terá mais de um bilhão de robôs humanoides em operação dentro de uma década, cada um com capacidade produtiva estimada em cinco vezes a de um trabalhador humano. A declaração foi feita durante participação virtual na reunião ministerial de Inovação do G20, realizada em Chapel Hill, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, em primeiro de setembro. O empresário classificou a estimativa como conservadora e afirmou que a força de trabalho robótica, quando atingir essa escala, será capaz de superar a produção de toda a humanidade combinada.
Musk detalhou que a capacidade de desenvolvimento dos robôs humanoides depende de três pilares tecnológicos que avançam simultaneamente em ritmo exponencial. O primeiro é o software de inteligência artificial, que confere às máquinas a capacidade de raciocínio e tomada de decisão. O segundo são os chips de inteligência artificial, responsáveis pelo processamento computacional necessário para operar essas máquinas. O terceiro é o sistema mecânico, com destaque para a destreza das mãos, que permite aos robôs realizar tarefas físicas com precisão comparável à humana. Segundo o executivo, o aperfeiçoamento conjunto desses três elementos é o que viabilizará a produção em escala.
O ponto de inflexão desse processo, de acordo com Musk, ocorrerá quando os próprios robôs começarem a fabricar outros robôs. Esse mecanismo, que ele descreve como um efeito recursivo, transformará o crescimento da produção de linear em explosivo. O empresário explicou que a fase inicial de expansão tende a ser mais lenta, porque exige a construção de cadeias de suprimentos complexas, envolvendo componentes mecânicos, motores, chips e infraestrutura de manufatura. No entanto, uma vez que os robôs estejam aptos a participar da fabricação de suas próprias unidades, o ritmo de produção se acelerará de forma autossustentável.
A Tesla, empresa de Musk, desenvolve o robô humanoide Optimus e já iniciou a produção na fábrica de Fremont, na Califórnia, onde uma linha originalmente dedicada aos modelos Model S e Model X foi convertida para a fabricação do androide. O plano da companhia prevê a entrega de milhares de unidades em 2025, a elevação da produção para um patamar entre cinquenta mil e cem mil robôs em 2026, e o avanço para uma faixa de quinhentos mil a um milhão de unidades em 2027. A terceira geração do Optimus, que teve seu design congelado, possui mãos com vinte e dois graus de liberdade, o que confere ao mecanismo uma flexibilidade próxima à de uma mão humana. A montadora também planeja construir uma linha de produção dedicada ao Optimus na Gigafactory do Texas, em Austin, com meta de capacidade anual de dez milhões de unidades a partir de 2027.
A projeção apresentada no G20 não é a primeira vez que Musk associa o futuro da economia à robótica. Em janeiro, durante sua primeira participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o executivo já havia afirmado que os robôs superarão os humanos em número. Na ocasião, ele defendeu que a combinação de robótica e inteligência artificial é o único caminho para garantir um padrão de vida elevado para toda a população global, citando o potencial desses dispositivos para setores como o de cuidados com idosos. Musk também projetou naquele momento que a inteligência artificial se tornaria mais inteligente do que qualquer ser humano individual até o final de 2026 e superaria a inteligência coletiva da humanidade em um prazo de cinco anos.
Durante a reunião do G20, Musk apresentou outras projeções econômicas de grande escala. Segundo o empresário, a inteligência artificial, por si só, deverá expandir a economia global entre vinte por cento e trinta por cento em um primeiro momento, o que equivale a um acréscimo anual entre vinte trilhões e trinta trilhões de dólares. Quando a inteligência artificial transcender o mundo digital e se materializar no mundo físico por meio dos robôs humanoides, o crescimento econômico poderá ser dez vezes maior. Musk também afirmou que, em um prazo de doze a dezoito meses, a capacidade de programação da inteligência artificial atingirá um nível tão avançado que os seres humanos não conseguirão competir com as máquinas nessa área, comparando a situação a um enxadrista profissional enfrentando um programa de computador.
O executivo também chamou atenção para um obstáculo que pode frear a expansão da inteligência artificial: a oferta de energia. Musk afirmou que existe atualmente uma crise elétrica severa e que a produção de chips de inteligência artificial cresce entre quarenta por cento e cinquenta por cento ao ano, enquanto a capacidade de geração de eletricidade fora da China avança apenas entre dez por cento e vinte por cento anualmente. Segundo sua estimativa, os sistemas de inteligência artificial podem enfrentar uma escassez de pelo menos quinze gigawatts de eletricidade já em 2027. O empresário revelou que empresas como Google e Anthropic estão contratando capacidade computacional da SpaceX, que vem construindo instalações próprias de geração de energia, incluindo a produção de turbinas a gás, para atender à demanda. Musk afirmou que a SpaceX e a Tesla estão desenvolvendo capacidade de geração solar em ritmo acelerado, mas que o gás natural será necessário como fonte complementar nos próximos anos.
Musk também voltou a criticar o que considera excesso de regulação sobre tecnologias emergentes. Para ele, inovações deveriam ser tratadas como legais por padrão, e não como ilegais por padrão. O empresário afirmou que o nível regulatório da União Europeia é anormalmente alto e que esse excesso retarda significativamente o desenvolvimento de novas tecnologias. Ele defendeu que os governos criem ambientes favoráveis para startups e capital de risco, comparando as grandes empresas a árvores maduras e as startups a mudas que precisam de espaço para crescer. A posição de Musk foi endossada por Mark Zuckerberg, executivo-chefe da Meta, que também participou da reunião do G20 e defendeu que sistemas de código aberto tendem a ser mais seguros porque permitem que mais pessoas os examinem, testem e corrijam falhas.
A previsão de Musk de um bilhão de robôs humanoides em dez anos representa uma das projeções mais agressivas já feitas por um executivo do setor de tecnologia. Se concretizada, a escala de produção exigirá avanços substanciais em manufatura, software, sistemas de energia e infraestrutura. Analistas de instituições financeiras acompanham o setor com expectativa. Pesquisa do Barclays estima que o mercado global de robôs humanoides, atualmente avaliado entre dois bilhões e três bilhões de dólares, pode alcançar duzentos bilhões de dólares até 2035 em cenários mais otimistas. O banco aponta que os avanços em inteligência artificial, tecnologia de atuadores e sistemas de bateria reduziram os custos de produção em trinta vezes na última década, abrindo caminho para a adoção comercial. Os atuadores, que funcionam como os músculos dos robôs, respondem por aproximadamente metade dos custos de produção, e a Europa pode ter vantagem competitiva nesse segmento graças à sua experiência em engenharia de precisão e manufatura automotiva. A China também emerge como uma força importante, concentrando a maioria dos novos modelos de robôs humanoides e escalando rapidamente sua capacidade de inovação e fabricação.
A Tesla trabalha para que o Optimus seja vendido por um preço similar ao de um carro, o que poderia acelerar a adoção em larga escala. A empresa planeja iniciar as vendas ao público em 2027, após a consolidação da produção nas fábricas da Califórnia e do Texas. A concretização das projeções de Musk dependerá, no entanto, da superação de desafios que vão além da capacidade industrial, incluindo a expansão da infraestrutura energética, a definição de marcos regulatórios para a interação entre humanos e máquinas e a própria aceitação social de uma força de trabalho composta majoritariamente por androides. O empresário, no entanto, mantém a convicção de que a robótica e a inteligência artificial são o caminho para a abundância e para a erradicação da pobreza. Para ele, o futuro não apenas terá mais robôs do que pessoas, como a produtividade dessas máquinas será o motor de uma transformação econômica sem precedentes.
Fontes
Declarações de Elon Musk durante reunião ministerial de Inovação do G20, realizada em Chapel Hill, Carolina do Norte, em 1º de setembro de 2026, conforme registrado por VietnamPlus, Vietnam.vn, Bloomberg, AFP, Digit.in, IT Home, Sina Finance, USTV e Al Jazeera. Informações sobre o mercado de robôs humanoides e projeções do Barclays Research. Declarações de Musk no Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro de 2026, conforme reportado por SBT News, Exame, Euronews, Inc.com e TMTPost. Dados sobre a produção do robô Optimus divulgados por Nasdaq, China Economic Net e DRCNet.