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Política

Hoje, esta será a última vez que você verá uma foto de Lula na urna eletrônica

By Régis Andrade
25 de outubro de 2026 6 Min Read
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Aos 80 anos, Lula diz que 2026 é sua despedida eleitoral e tenta virar contra Flávio Bolsonaro no segundo turno decisivo

Neste domingo, 25 de outubro, o eleitor brasileiro comparece às urnas para decidir quem comandará o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos. A disputa opõe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, ao senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal. Para Lula, de 80 anos, a eleição representa o encerramento de uma trajetória iniciada nas urnas há quase quatro décadas. O próprio presidente afirmou publicamente, em ato de campanha em São Luís, no Maranhão, que esta é sua última campanha à Presidência da República e que, se vencer, fará de seu eventual quarto mandato um período histórico. A declaração foi repetida em outras oportunidades ao longo do segundo turno e confirma uma sinalização feita desde a convenção partidária que oficializou sua candidatura, em agosto.

A trajetória eleitoral de Lula nas disputas presidenciais começou em 1989, quando foi derrotado por Fernando Collor de Mello no segundo turno. Voltou a concorrer em 1994 e em 1998, sendo superado por Fernando Henrique Cardoso nas duas ocasiões. A primeira vitória veio em 2002, quando venceu José Serra na segunda rodada. Em 2006, foi reeleito ao derrotar Geraldo Alckmin. Em 2018, teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral e não disputou o pleito. Retornou em 2022, quando venceu Jair Bolsonaro no segundo turno e se tornou o primeiro político brasileiro a conquistar três eleições presidenciais diretas. Em 2026, busca o quarto mandato e, caso seja derrotado, encerrará sua carreira eleitoral sem alcançar o objetivo que perseguiu nos últimos anos.

O primeiro turno, realizado em 4 de outubro, terminou com Flávio Bolsonaro na liderança, somando 56.104.268 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula obteve 53.879.538 votos, ou 45,16% dos válidos, uma diferença de 2.227.651 votos a favor do senador. O resultado inverteu a posição observada em 2022, quando Lula havia terminado o primeiro turno à frente de Jair Bolsonaro com uma vantagem de mais de 6 milhões de votos. A virada foi impulsionada, entre outros fatores, pelo desempenho de Flávio em estados-chave: o senador venceu em 14 unidades da federação e no Distrito Federal, enquanto Lula liderou em 12. Minas Gerais, que havia dado maioria a Lula em 2022, passou para Flávio em 2026, com uma diferença de quase 590 mil votos a favor do candidato do PL no estado.

A campanha do segundo turno foi marcada por um acirramento intenso e por uma inversão de estratégias. Flávio Bolsonaro, que começou a disputa desacreditado por parte do próprio campo bolsonarista, conseguiu reunir apoios importantes de legendas de centro e de direita ao longo das semanas seguintes ao primeiro turno. O Podemos formalizou seu apoio ao senador, que passou a contar também com as adesões de União Brasil, Partido Progressistas, Republicanos e NOVO, ampliando sua base de sustentação política e seu tempo de propaganda eleitoral. Lula, por outro lado, não obteve o apoio formal de nenhum outro candidato presidencial derrotado no primeiro turno nem de grandes partidos como o PSD e o MDB, que se mantiveram neutros. Diante disso, a campanha petista concentrou esforços em mobilizar o eleitorado que não compareceu às urnas em 4 de outubro e em recuperar terreno nos estados onde o desempenho foi abaixo do esperado.

As pesquisas de intenção de voto apontaram uma disputa extremamente equilibrada na reta final. O último levantamento do Datafolha, divulgado na véspera da votação, mostrou Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Em votos totais, o senador apareceu com 48% e o presidente, com 47%. O instituto ouviu 4.050 eleitores entre os dias 23 e 24 de outubro, em pesquisa encomendada pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, com nível de confiança de 95%. Na rodada anterior do Datafolha, divulgada na quinta-feira, 22 de outubro, os dois candidatos apareciam empatados com 50% dos votos válidos cada um, o que reforçou a percepção de que o resultado seria definido por uma margem estreita. Outros institutos, como o BTG/Nexus, também apontaram empate técnico na véspera do pleito, com ligeira vantagem numérica para Flávio Bolsonaro.

A abstenção emergiu como um dos fatores decisivos para o desfecho da eleição. No primeiro turno, 21,08% do eleitorado não compareceu às urnas, o equivalente a cerca de 33,4 milhões de eleitores, o maior índice desde 1998. A campanha de Lula apostou em reduzir esse contingente para tentar reverter a desvantagem inicial, partindo do princípio de que parte dos eleitores que se ausentaram em 4 de outubro poderia retornar às urnas no segundo turno e favorecer o presidente. Estimativas do mercado financeiro, como as do BTG Pactual, indicaram que a redução da abstenção, por si só, não seria suficiente para inverter o resultado, mas poderia aproximar a disputa e tornar a definição ainda mais imprevisível. Flávio Bolsonaro, por sua vez, trabalhou para preservar a vantagem construída no primeiro turno e para mobilizar seu eleitorado, especialmente nas regiões onde obteve melhor desempenho.

O contexto internacional também atravessou a campanha. A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro foi acompanhada com atenção por governos estrangeiros, sobretudo pelos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump manifestou apoio ao candidato do PL. A relação com Washington e a política tarifária americana sobre produtos brasileiros tornaram-se tema de embate entre os dois candidatos. Lula chegou a classificar Flávio como traidor da pátria por supostamente ter incentivado o governo americano a adotar medidas contra a economia brasileira, acusação que o senador nega. O senador, por sua vez, explorou o tema da soberania nacional e buscou associar a imagem de Lula a um alinhamento excessivo com interesses externos, enquanto o presidente defendia a autonomia do Brasil no cenário global.

A votação deste domingo tem início às 8h e encerramento às 17h, horário de Brasília. Estão aptos a votar 158.745.463 eleitores em todo o país, que também definirão os governadores de cinco estados e do Distrito Federal, onde nenhum candidato alcançou maioria absoluta no primeiro turno. O resultado da eleição presidencial será conhecido ainda neste domingo, e a definição do próximo ocupante do Palácio do Planalto encerrará uma das disputas mais acirradas da história recente da democracia brasileira. Para Lula, a noite deste domingo representará o desfecho de uma caminhada eleitoral que começou em 1989 e que ele próprio já classificou como a última de sua vida como candidato. Para Flávio Bolsonaro, representará a consolidação de uma candidatura que começou como azarão e que chega ao segundo turno com a possibilidade real de interromper a trajetória política do adversário e de manter a direita no poder.

Fontes consultadas

G1. “Quantos votos teve Lula no primeiro turno?”. G1, 8 de outubro de 2026.
G1. “No Maranhão, Lula diz que disputa pela última vez a Presidência e promete mandato ‘histórico’”. G1, 20 de outubro de 2026.
O Globo. “Como ficou a eleição para presidente? Veja resultados do primeiro turno”. O Globo, 5 de outubro de 2026.
Agência Brasil. “Confira horário de votação neste domingo, segundo turno das eleições”. Agência Brasil, 25 de outubro de 2026.
O Povo. “Lula oficializa candidatura à reeleição e buscará um último mandato”. O Povo, 3 de agosto de 2026.
Poder360. “Aos 80 anos, Lula é candidato à Presidência pela 8ª vez”. Poder360, 2 de agosto de 2026.
Extra. “Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula na última pesquisa antes do segundo turno”. Extra, 24 de outubro de 2026.
RTP. “Flávio Bolsonaro conquista apoio de cinco partidos e Lula recalcula rota de campanha”. RTP, 8 de outubro de 2026.
Poder360. “Abstenção em fluxos normais aproxima a disputa, mas não a inverte”. Poder360, 23 de outubro de 2026.
CartaCapital. “Lula avalia que combater a abstenção é o desafio da campanha no 2º turno”. CartaCapital, 5 de outubro de 2026.
Diário do Centro do Mundo. “O fator que pode decidir a disputa entre Lula e Flávio no segundo turno”. Diário do Centro do Mundo, 24 de outubro de 2026.
Revista Fórum. “Lula e Flávio Bolsonaro empatados na véspera do segundo turno, diz pesquisa BTG/Nexus”. Revista Fórum, 24 de outubro de 2026.

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Régis Andrade

Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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