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Política

Lula faz história e alcança recorde que ninguém jamais conseguiu

By Régis Andrade
26 de outubro de 2026 7 Min Read
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Lula já vence Flávio Bolsonaro em virada histórica e se torna o 1º presidente eleito 4 vezes no Brasil pelo voto direto!

A noite deste domingo, 25 de outubro, entrou para os anais da política brasileira com contornos que nenhum outro presidente havia desenhado desde a redemocratização. Luiz Inácio Lula da Silva, aos 80 anos, derrotou o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais e garantiu o quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. O resultado, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral, não representa apenas uma reeleição: consagra o primeiro líder da história do país a vencer quatro pleitos presidenciais pelo voto direto, um feito que reposiciona a trajetória do petista no topo da longevidade democrática brasileira e inaugura um novo capítulo na já extensa crônica política nacional.

A apuração final, concluída com 100% das urnas, atribuiu a Lula 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro, que chegou ao segundo turno com a força de uma bancada recorde eleita para o Congresso, somou 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença de mais de 4,4 milhões de votos esconde, no entanto, a dimensão real da reviravolta construída em três semanas. No primeiro turno, o senador havia terminado na frente com 47,03% contra 45,16% do presidente, abrindo uma vantagem de 1,87 ponto percentual e pouco mais de 2,2 milhões de votos. A virada entre o primeiro e o segundo turno, algo inédito na história das eleições presidenciais brasileiras, foi impulsionada pela incorporação de mais de 10 milhões de novos votos ao eleitorado do petista, enquanto seu adversário cresceu apenas 3,6 milhões.

A geografia eleitoral explica parte do fenômeno. Lula venceu em todos os nove estados do Nordeste e ampliou sua vantagem em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, onde passou de uma desvantagem de quase 590 mil votos para uma vitória por cerca de 99 mil. Nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, Flávio manteve a liderança, mas Lula triunfou nas capitais, revertendo o resultado do primeiro turno na cidade do Rio. A abstenção caiu de 21,08% para 19,21%, levando quase três milhões de eleitores adicionais às urnas, movimento que, embora não possa ser creditado exclusivamente ao candidato, foi decisivo para a reviravolta em um pleito decidido por margens apertadas.

A trajetória que desemboca nesse resultado é tão longa quanto a própria construção da democracia brasileira recente. Nascido em Garanhuns, Pernambuco, em 27 de outubro de 1945, Lula construiu a carreira política a partir do chão de fábrica do ABC paulista. Presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema entre 1975 e 1980, liderou as greves que desafiaron a ditadura militar e participou da fundação do Partido dos Trabalhadores em 1980. Foi deputado federal constituinte entre 1987 e 1991, disputou a Presidência por três vezes sem sucesso — em 1989, 1994 e 1998 — até vencer em 2002. Reelegeu-se em 2006, deixou o poder em 2010 com índices de aprovação que se tornariam lenda e retornou ao Planalto em 2022, após derrotar Jair Bolsonaro. Entre o segundo e o terceiro mandatos, enfrentou a prisão por condenações subsequentemente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, episódio que não apenas não encerrou sua carreira política como se tornou parte indissociável de sua narrativa de resiliência.

Com a posse marcada para 5 de janeiro de 2027 — data alterada pela Emenda Constitucional 111, aprovada em 2021 —, Lula acumulará 16 anos na Presidência da República, considerando os dois primeiros mandatos, o terceiro e o quarto. O período o consolida como o presidente democraticamente eleito a ocupar o cargo por mais tempo na história do Brasil. Aos 81 anos completados dois dias após o segundo turno, ele também amplia o próprio recorde de longevidade na posse, superando a marca que estabeleceu em 2023, quando assumiu aos 77. Ao final do mandato, em janeiro de 2031, terá 85 anos.

O discurso da vitória, proferido na noite deste domingo em São Paulo, ofereceu pistas sobre o tom do novo governo. Lula agradeceu à juventude que foi às ruas, aos idosos que se fizeram carregar pelos netos para votar e atribuiu o resultado à defesa da democracia, ao nacionalismo e à expectativa de futuro. Falou em regular as plataformas digitais, que acusou de terem sido instrumento de intromissão externa no pleito, e prometeu ampliar a participação popular nas decisões. “Nós vamos mudar o jeito de governar esse país”, afirmou, antes de dirigir um recado direto ao Congresso: “Eu não escolhi o Congresso; foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar.”

O novo mandato, no entanto, começa sob o signo de uma contradição que poucos analistas deixaram de apontar. A vitória eleitoral mais expressiva da trajetória de Lula convive com um Legislativo mais hostil do que qualquer outro que ele enfrentou. O Partido Liberal, legenda de Flávio Bolsonaro, elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados desde 1986: 121 deputados, contra 99 na legislatura anterior. No Senado, a sigla saltou para 28 cadeiras, quase o dobro das 15 que ocupava. A esquerda terá apenas 24% da Câmara, e o centrão, embora ainda majoritário, perdeu espaço para a direita mais radical. A governabilidade exigirá negociação permanente e concessões que podem diluir parte da agenda progressista.

A economia impõe desafios igualmente robustos. A dívida bruta do governo federal atingiu 82,9% do PIB em agosto, o maior patamar desde 2021, e as projeções indicam que pode chegar a 95,1% até 2030 se o ritmo atual for mantido. A meta fiscal de 2027 é de superávit de 0,50% do PIB, mas o pacote de medidas anunciadas durante a campanha — reajuste do Bolsa Família, iniciativas para microempreendedores, Desenrola 3.0, passe-livre no transporte público — cria pressão adicional sobre as contas. A equipe econômica sinaliza que buscará o centro da meta, com contingenciamento mais rigoroso, para convencer o mercado financeiro do compromisso com a sustentabilidade fiscal e abrir espaço para a queda dos juros. A inflação projetada para 2027 é de 4,32%, e a Selic deve permanecer em 12%, segundo o relatório Focus.

No plano regional, a reeleição de Lula preserva a continuidade da integração sul-americana em um momento de avanço da direita no continente. O Chile, a Argentina, o Peru e a Colômbia elegeram governos de direita entre 2025 e 2026, e a Bolívia encerrou quase duas décadas de hegemonia do Movimento ao Socialismo. A vitória brasileira, na avaliação de analistas, oferece um contrapeso à onda conservadora e mantém o país como âncora da esquerda na região, ainda que a fragmentação política e as divergências internas do Mercosul limitem a capacidade de Brasília de traduzir a agenda integracionista em coordenação política efetiva.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, recusou-se a reconhecer o resultado e anunciou que buscará a anulação do pleito no Judiciário, alegando que a prorrogação da votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, teria criado condições desiguais de disputa. O Tribunal Superior Eleitoral, contudo, proclamou o resultado e reconheceu a vitória de Lula, encerrando o processo eleitoral sem margem para questionamentos formais. A recusa do senador, embora não tenha contaminado a proclamação oficial, adiciona um elemento de tensão ao já complexo cenário de transição.

O quarto mandato de Lula começa, assim, como um paradoxo em movimento: um presidente que alcança o auge da legitimidade eleitoral enquanto enfrenta o Congresso mais conservador desde a redemocratização, uma dívida pública em trajetória ascendente e uma região que gira à direita. A história que se inicia em 5 de janeiro de 2027 será, em grande medida, a história da capacidade de Lula de transformar capital político em governabilidade sem abdicar das promessas que o reconduziram ao poder. O metalúrgico que venceu quatro eleições diretas e sobreviveu a uma prisão para voltar ao Planalto agora precisa vencer a batalha mais silenciosa e talvez a mais decisiva de sua carreira: a de governar um país que o elegeu, mas que não lhe deu trégua.

Fontes consultadas

Agência Brasil. “Lula agradece votos e diz que teve de vencer intromissão vinda de fora.” 26 out. 2026.
Agência Brasil. “Nunes Marques anuncia vitória de Lula nas Eleições Gerais de 2026.” 26 out. 2026.
CNN Brasil. “Lula 4 terá Congresso mais à direita e desafio na articulação política.” 26 out. 2026.
CNN. “How Lula beat Bolsonaro, broke records and halted the right-wing wave aligning Latin America with Trump in 20 days.” 26 out. 2026.
Folha de S.Paulo. “Lula amplia recorde e será presidente mais velho da história, terminando 4º mandato aos 85.” 25 out. 2026.
G1. “Lula é reeleito: quando será a posse presidencial em 2027? Veja a nova data.” 25 out. 2026.
Jornal de Brasília. “PL cresce de 98 para 121 deputados e avança sobre o centrão; esquerda terá 24% da Câmara.” 5 out. 2026.
O Globo. “Lula é o primeiro presidente eleito quatro vezes pelo voto direto.” 25 out. 2026.
O Globo. “Lula terá de convencer o mercado e vai mirar centro da meta fiscal para conter gastos.” 26 out. 2026.
O Globo. “Resultado das eleições 2026 no 2º turno: veja a apuração final do TSE para presidente.” 26 out. 2026.
Poder360. “Lula é eleito pela 4ª vez e supera recorde de longevidade na democracia.” 26 out. 2026.
Senado Federal. “Presidente do TSE proclama o resultado final das eleições 2026.” 25 out. 2026.
Xinhua. “World Insights: What Lula’s reelection means for Brazil, Latin America.” 26 out. 2026.

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brasileleições 2026Flávio BolsonaroLulaquarto mandatovoto direto
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Régis Andrade

Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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