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Política

Trump contesta vitória de Lula e pede investigação internacional sobre eleições brasileiras

By Régis Andrade
26 de outubro de 2026 4 Min Read
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Presidente dos EUA alega, sem provas, que Flávio Bolsonaro teve a eleição roubada e compara pleito brasileiro ao “manual de Joe Biden”

A declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o resultado da eleição presidencial brasileira colocou em evidência a contestação do pleito que garantiu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicação na rede social X, Trump afirmou, sem apresentar qualquer prova, que o senador Flávio Bolsonaro teve a eleição roubada e classificou o governo brasileiro como um regime comunista. A manifestação ocorreu poucas horas após a confirmação de que Lula venceu o segundo turno com 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% do candidato do PL, em uma apuração que superou 99% das urnas. A diferença superior a três pontos percentuais representou uma vantagem de mais de quatro milhões de votos, consolidando o quarto mandato do petista e a primeira virada de um candidato derrotado no primeiro turno desde a redemocratização.

Trump comparou o pleito brasileiro à eleição presidencial americana de 2020, quando se recusou a reconhecer a derrota para Joe Biden, e sustentou que o Brasil teria aplicado o que chamou de manual de Joe Biden. O presidente americano alegou que Flávio Bolsonaro era o favorito para vencer o segundo turno e criticou a permanência da esquerda no poder, repetindo a acusação de que comunistas não devolvem o poder uma vez que o conquistam. A fala encontrou eco imediato no campo bolsonarista e entre aliados internacionais, mas não foi acompanhada de qualquer indício de irregularidade nas urnas ou nos procedimentos da Justiça Eleitoral.

Horas antes da confirmação oficial do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral, embaixadores estrangeiros em Brasília já demonstravam apreensão com a possibilidade de que Trump não reconhecesse a vitória de Lula ou tentasse antecipar a proclamação de Flávio Bolsonaro como vencedor. Representantes diplomáticos de diferentes países discutiram uma estratégia para reconhecer rapidamente o resultado oficial, evitando que manifestações de líderes estrangeiros alimentassem uma crise institucional. Um dos diplomatas ouvidos relatou o receio de que Trump ou o presidente argentino Javier Milei declarassem Bolsonaro vencedor antes mesmo das autoridades eleitorais brasileiras, o que, segundo ele, poderia desencadear uma grave crise institucional.

A contestação interna partiu do próprio candidato derrotado. Na noite do domingo, Flávio Bolsonaro afirmou que era impossível reconhecer o resultado e anunciou que recorreria à Justiça para pedir a anulação do segundo turno. O senador centrou suas críticas na decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a prorrogação do horário de votação das 17h para as 19h nas seções que ainda não haviam encerrado os trabalhos. Flávio classificou a medida como uma canetada que mudou a regra do jogo no meio do jogo e alegou quebra de isonomia entre eleitores de diferentes localidades. A prorrogação, no entanto, atendeu a pedidos de ambas as campanhas: a de Lula argumentou com dificuldades de transporte público em cidades como Salvador, enquanto a de Flávio solicitou ampliação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina por causa de fortes chuvas.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, confirmou a reeleição de Lula e afirmou ter absoluta segurança de todo o processo eleitoral. Nunes Marques reconheceu que a prorrogação gerou dificuldades operacionais, exigindo que o tribunal bloqueasse temporariamente o recebimento de boletins de urna para evitar o acesso antecipado a informações, mas sustentou que a medida não alterou o resultado. O ministro destacou a expressiva vitória de Lula nas urnas e informou ter ligado para os dois candidatos para comunicar o resultado, parabenizando Flávio Bolsonaro e elogiando a trajetória democrática do presidente reeleito.

A repercussão internacional foi majoritariamente favorável a Lula, com exceção de Trump e de setores alinhados ao bolsonarismo. Presidentes de diferentes espectros políticos da América Latina parabenizaram o brasileiro ainda na noite de domingo. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, escreveu que o povo do Brasil venceu e exaltou a democracia. O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, disse ter conversado por telefone com Lula para cumprimentá-lo pelo triunfo e pela festa democrática que o processo eleitoral representa. O presidente do Chile, José Antonio Kast, aliado dos Bolsonaro, afirmou que Chile e Brasil têm muito futuro em comum e que continuarão trabalhando por uma agenda de integração econômica e combate ao crime organizado. Os presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz, do Paraguai, Santiago Peña, e do Panamá, José Raúl Mulino, também saudaram Lula pela jornada democrática, enquanto o ex-candidato presidencial americano Bernie Sanders parabenizou o brasileiro por defender os trabalhadores e a democracia.

A ofensiva de Trump e a contestação de Flávio Bolsonaro ocorrem em um contexto de alerta prévio das autoridades brasileiras sobre possível interferência estrangeira. No início de outubro, a Polícia Federal havia aberto apuração sobre suspeita de interferência do governo americano nas eleições, mas arquivou o pedido dias depois, por avaliar que não havia elementos de sustentação para a investigação por parte do TSE, da Procuradoria-Geral da República ou dos observadores da Organização dos Estados Americanos. A decisão de arquivamento foi interpretada nos bastidores como uma tentativa de evitar que a oposição sustentasse a tese de um golpe judicial articulado pelo governo Lula em conjunto com o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Até o momento, não há decisão judicial que tenha anulado o pleito, e a Justiça Eleitoral reconheceu a vitória de Lula como expressiva e legítima.

Fontes consultadas: Agência EFE, Times Brasil/CNBC, Reuters, Revista Fórum, Diário do Centro do Mundo, GP1, Jornal Razão, A Tarde, Folha Vitória, BBC News Brasil, Agência Brasil, RTP, Focoelho e O Globo.

Tags:

eleições 2026Flávio BolsonaroinvestigaçãoLulaTrump
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Eu sou Régis Andrade, criador do Portal de Notícias.

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