Histórico Lula é o primeiro presidente da história do Brasil a vencer o segundo turno após perder o primeiro turno
Petista se torna o primeiro presidente da história do Brasil a vencer uma eleição presidencial após ter perdido o primeiro turno; com 51,79% dos votos válidos, ele superou o adversário por mais de 4,3 milhões de votos e garantiu mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026 entrou para a história da política brasileira. Pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato que terminou a primeira etapa da disputa em segundo lugar conseguiu reverter a desvantagem e vencer a votação decisiva. Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, em um resultado que contrariou as projeções das pesquisas e consolidou uma reviravolta sem precedentes na disputa presidencial.
Com 100% das urnas apuradas, o presidente reeleito obteve 64.256.232 votos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 59.826.041. A diferença final de mais de 4,3 milhões de votos foi construída sobre uma mudança de cenário de aproximadamente 6,6 milhões de eleitores entre os dois turnos: no primeiro, o senador havia liderado com 47,03% contra 45,16% do petista, uma vantagem de 2.224.965 votos.
A virada foi impulsionada por um crescimento expressivo de Lula em todos os 26 estados e no Distrito Federal. O petista conquistou mais de 10,3 milhões de votos adicionais entre o primeiro e o segundo turno, um aumento de 19,1% sobre sua votação inicial, enquanto Flávio Bolsonaro acrescentou 3,68 milhões de votos, crescimento de 6,6%.
O avanço de Lula não se limitou às áreas tradicionalmente favoráveis ao PT. Ele cresceu em redutos bolsonaristas como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, reduzindo a vantagem do adversário nesses estados. Em Minas Gerais, único estado onde houve virada entre os dois turnos, Lula superou Flávio por 50,43% a 49,57%, uma diferença de apenas 109.313 votos, em um dos colégios eleitorais mais decisivos do país.
O segundo turno também registrou a menor abstenção em 16 anos, com 19,22% de ausências, o equivalente a pouco mais de 30,5 milhões de eleitores. A queda na abstenção e a redução de votos brancos e nulos ampliaram o total de votos válidos e foram determinantes para o resultado final.
A campanha de Lula no segundo turno foi marcada por uma guinada estratégica. Após um primeiro turno considerado desorganizado pelo próprio presidente, a militância petista foi às ruas em marchas multitudinárias, e a mobilização digital, coordenada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), teve papel central. O canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, chegou a reunir quase 11 milhões de integrantes e ajudou a orientar a militância nas redes sociais.
Em seu primeiro pronunciamento após a confirmação do resultado, Lula afirmou que a eleição representou uma derrota do negacionismo e da mentira. Ele destacou a necessidade de regulamentar as plataformas digitais e criticou a atuação de empresas estrangeiras que, segundo ele, tentaram influenciar o resultado eleitoral. “Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões”, declarou o presidente reeleito.
Lula também agradeceu o apoio da juventude, das mulheres, dos educadores e dos idosos que foram às urnas. Em discurso na Avenida Paulista, ele pediu que os presentes cantassem o Hino da Independência e reafirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que discursou ao lado do presidente, destacou que Lula foi eleito pela quarta vez e que o país teve a menor abstenção em 20 anos.
A vitória consolida uma trajetória política iniciada há décadas. Aos 80 anos, Lula se torna o primeiro político brasileiro a vencer quatro eleições presidenciais pelo voto direto. Ele governou o país entre 2003 e 2010, após vencer as disputas de 2002 e 2006, e retornou ao Planalto em 2023, depois de derrotar Jair Bolsonaro em 2022. Com a reeleição, o petista permanecerá no comando do Executivo federal até dezembro de 2030, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Do outro lado, Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado e pediu a anulação da eleição, citando o adiamento do fechamento das urnas determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin. A própria campanha do PL, no entanto, havia solicitado a extensão do horário de votação em cidades afetadas por temporais, o que enfraquece o argumento apresentado pelo candidato derrotado.
A posse presidencial está marcada para 5 de janeiro de 2027, em Brasília. Lula assume o quarto mandato em um cenário de Congresso conservador, mas com a legitimidade de uma vitória histórica que quebrou um tabu de quase quatro décadas da política brasileira.
Fontes consultadas: O Globo, G1, Folha de S.Paulo, Agência Brasil, EFE, Jornal de Brasília, Estado de Minas, Diário do Nordeste, Revista Fórum, Agência Gov e CNN Brasil.