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Ciência e Tecnologia

Cientistas criam “miniuniverso” com 24 mil átomos e mostram que o tempo pode surgir da desordem, sem necessidade de relógio externo

By Estagiário
junho 20, 2026 3 Min Read
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O que chamamos de tempo – essa sucessão de instantes que organiza nossa vida, da batida do coração ao giro da Terra – pode não passar de uma ilusão de escala. Um experimento conduzido na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, com 24 mil átomos de rubídio resfriados a temperaturas próximas do zero absoluto, trouxe evidências concretas de que a passagem do tempo não é uma propriedade fundamental do Universo, mas sim um fenômeno que emerge das relações internas entre as partículas.

Publicado na revista Physical Review Research, o estudo liderado pelo físico Giovanni Barontini conseguiu, pela primeira vez, criar um sistema quântico isolado que evolui sem depender de qualquer referência externa para medir sua própria duração. Em vez de um cronômetro, os pesquisadores usaram a entropia – a medida da desordem – como motor da evolução temporal. Dentro de uma câmara a vácuo, os átomos foram divididos por uma barreira óptica em duas regiões: uma acessível à observação e outra oculta. A troca de partículas entre esses dois setores, impulsionada por correlações quânticas, gerou um fluxo que os cientistas interpretaram como a passagem do tempo. Quando esse intercâmbio cessava, o tempo, para aquele microcosmo, simplesmente deixava de existir.

Os resultados sugerem que a ordem cronológica que percebemos no dia a dia é uma propriedade emergente, semelhante à temperatura ou à pressão, que só faz sentido em sistemas com muitas partículas. Em escala quântica, o tempo parece se dissolver, abrindo caminho para uma visão em que o Universo é descrito por estados estáticos, interligados por emaranhamento e correlações. A equipe conseguiu até reescrever a equação de Schrödinger – um dos pilares da mecânica quântica – substituindo a variável temporal tradicional por essa nova métrica baseada na entropia, e o modelo previu com precisão o comportamento da nuvem atômica.

Esse avanço não é apenas filosófico. Ele oferece um laboratório prático para testar ideias que antes pertenciam apenas à cosmologia teórica, como as condições do Universo primordial, o comportamento da matéria em buracos negros ou a própria unificação entre a relatividade geral e a mecânica quântica. Ao demonstrar que o tempo pode ser reconstruído internamente, sem necessidade de um tique-taque externo, o experimento fortalece a hipótese de que o tempo é uma construção da nossa percepção macroscópica – uma sombra projetada por interações mais profundas.

A pesquisa, portanto, não apenas desafia um dos conceitos mais enraizados da física, mas também consolida uma nova ferramenta experimental para desvendar os segredos do cosmos. Se o tempo é ou não uma ilusão, ainda é uma questão em aberto. Mas, pela primeira vez, temos um indício mensurável de que, no nível mais fundamental da realidade, talvez ele simplesmente não exista.


Fontes e referências

Physical Review Research – “An ultracold atomic gas is used as a self-contained miniuniverse to show that time can be defined without an external clock” (publicado em 11 de junho de 2026).
Universidade de Birmingham – comunicado oficial sobre o experimento com átomos de rubídio (junho de 2026).
T21/Sabancı Üniversitesi – reportagem sobre a armadilha magneto-óptica utilizada no estudo (15 de junho de 2026).
NV Техно – “Ключ к чёрным дырам? Британский физик создал в лаборатории «мини-вселенную»” (20 de junho de 2026).
Everyeye Tech – “Scienziati hanno ricreato un universo in miniatura con 24.000 atomi” (15 de junho de 2026).
Muy Interesante – “El tiempo podría no ser una propiedad fundamental del universo” (12 de junho de 2026).

Tags:

átomos ultrafrioscondensado de Bose-Einsteinemergência temporalentropiaGiovanni Barontinigravidade quânticaPhysical Review Researchrubídiotempo quântico
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