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A China afirma que apresentará ao mundo as provas mais contundentes de que a COVID-19 teve origem nos Estados Unidos

Política

A China voltou a colocar os Estados Unidos no centro do debate sobre a origem da COVID-19 ao afirmar que possui “evidências substanciais” de que o vírus pode ter surgido em território americano. A declaração foi feita por autoridades chinesas em reação direta às recentes falas do governo do presidente Donald Trump, que retomou publicamente a hipótese de que o coronavírus teria vazado de um laboratório na cidade de Wuhan.

Segundo Pequim, documentos divulgados pela agência estatal Xinhua indicariam sinais de circulação do vírus nos Estados Unidos antes mesmo da identificação oficial do primeiro surto na China, no fim de 2019. Entre os pontos citados está o laboratório militar de Fort Detrick, em Maryland, que já havia sido mencionado em ocasiões anteriores por autoridades chinesas como um local que deveria ser investigado com mais profundidade.

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O Ministério das Relações Exteriores da China acusou Washington de politizar a questão da origem da pandemia para desviar a atenção de falhas internas na condução da crise sanitária. Em comunicado, o governo chinês afirmou que a insistência norte-americana na teoria do vazamento em Wuhan tem motivações geopolíticas e eleitorais, e não científicas. Pequim também cobrou maior transparência por parte dos Estados Unidos, incluindo a abertura de dados e registros sobre casos respiratórios atípicos ocorridos em 2019.

A China reforçou ainda conclusões de estudos anteriores realizados em parceria com a Organização Mundial da Saúde. Um relatório conjunto publicado em 2021 classificou como “extremamente improvável” que o vírus tenha escapado de um laboratório em Wuhan, apontando como mais provável uma origem zoonótica, ou seja, a transmissão de animais para humanos. Embora esse relatório tenha sido criticado por alguns países ocidentais por supostas limitações de acesso a dados, ele continua sendo usado por Pequim como base científica para rejeitar a teoria do vazamento.

Do lado americano, agências de inteligência têm adotado uma postura cautelosa. Relatórios divulgados nos últimos anos indicam baixa confiança tanto na hipótese de origem natural quanto na de vazamento laboratorial, por falta de provas conclusivas. Algumas agências consideram possível um acidente em laboratório, mas sem elementos suficientes para confirmar essa versão. Outras seguem inclinadas à transmissão natural, também sem consenso.

A controvérsia reacende tensões geopolíticas entre as duas maiores potências do mundo, seis anos após o início da pandemia que matou milhões de pessoas e provocou a maior crise sanitária global em um século. O impasse sobre a origem do vírus continua sem uma conclusão aceita internacionalmente, alimentando disputas diplomáticas, desconfiança mútua e pressões por novas investigações.

Enquanto Washington insiste em manter aberta a hipótese do laboratório em Wuhan, Pequim defende que qualquer nova apuração se concentre também em solo americano, especialmente em Fort Detrick e em possíveis casos anteriores ao surto chinês. Sem cooperação plena entre os dois países e sem acesso irrestrito a dados sensíveis, especialistas avaliam que a verdade sobre a origem da COVID-19 pode permanecer indefinida por muitos anos.

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