Durante grande parte da história, o Papai Noel não possuía uma aparência única e padronizada. A figura que hoje é símbolo do Natal moderno tem origem em São Nicolau, um bispo cristão do século IV, conhecido por sua generosidade e por ajudar crianças e pessoas pobres de forma anônima. Ao longo dos séculos, essa imagem foi sendo reinterpretada por diferentes culturas, resultando em representações bastante variadas.
Até o início do século 20, era comum que São Nicolau ou o Papai Noel aparecesse usando roupas em tons de verde, marrom, bege e até azul. Essas cores estavam associadas tanto às tradições locais quanto a simbolismos religiosos e naturais. Em algumas regiões da Europa, o personagem era retratado como um homem mais sério, magro e até austero, distante da figura alegre e sorridente que conhecemos hoje. Não existia um consenso visual global, cada país adaptava o personagem à sua própria cultura.

A grande virada aconteceu com o avanço da publicidade moderna e do consumo em massa. Em 1931, a Coca-Cola decidiu investir pesado em campanhas natalinas para fortalecer sua marca durante o inverno, período em que o consumo de refrigerantes tradicionalmente caía. Para isso, a empresa contratou o ilustrador Haddon Sundblom, um artista renomado, com a missão de criar uma imagem de Papai Noel que transmitisse simpatia, calor humano e proximidade com as famílias.

Sundblom se inspirou em poemas populares, como “A Visit from St. Nicholas”, e também em pessoas reais para criar um personagem mais humano e acessível. O resultado foi um Papai Noel alegre, sorridente, de aparência robusta e amigável, vestido com um traje vermelho vibrante e detalhes brancos. Coincidentemente ou estrategicamente, essas cores combinavam perfeitamente com a identidade visual da Coca-Cola, reforçando a associação entre a marca e o espírito natalino.
As ilustrações passaram a ser veiculadas em anúncios impressos, calendários, cartazes e pontos de venda em diversos países. A campanha fez tanto sucesso que a imagem criada por Sundblom começou a se repetir ano após ano, fixando-se no imaginário popular. Com o tempo, outras empresas, filmes, programas de televisão e produtos passaram a adotar o mesmo visual, consolidando o Papai Noel de roupa vermelha como padrão universal.
Embora a Coca-Cola não tenha criado o Papai Noel, seu papel foi decisivo na padronização da imagem que hoje domina o Natal em praticamente todo o mundo. O poder do marketing transformou uma figura histórica e culturalmente diversa em um ícone global, mostrando como a publicidade é capaz de moldar tradições, símbolos e até a forma como enxergamos personagens centenários.
Assim, o Papai Noel de vermelho não é apenas um símbolo natalino, mas também um exemplo clássico de como cultura, consumo e comunicação se entrelaçam. O que começou como uma estratégia publicitária acabou redefinindo para sempre a imagem de um dos personagens mais reconhecidos da história.