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Adolescente que morreu ontem no tornado no Paraná seria crismada hoje

História

A tragédia que abalou o Paraná deixou uma marca profunda em Rio Bonito do Iguaçu, onde o silêncio do luto tomou o lugar das risadas e dos preparativos para uma celebração. Julia Kwapis, de apenas 14 anos, é lembrada por familiares e amigos como uma menina doce e cheia de vida. Ela seria crismada neste sábado, dia 8, mas a cerimônia religiosa se transformou em despedida, após o tornado devastador que atingiu a região na sexta-feira, dia 7, tirar sua vida de forma repentina.

A família Kwapis se preparava para um fim de semana de alegria. O pai, Roberto, e a mãe, Mari, haviam organizado um churrasco para reunir os parentes depois da Crisma, um dos momentos mais significativos da fé católica. O plano era simples: celebrar o crescimento espiritual da filha. No entanto, as fortes rajadas de vento e o granizo destruíram em minutos os sonhos de um dia de festa.

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Julia estava na casa de uma amiga quando o tornado atingiu a cidade. Testemunhas relataram que a ventania foi tão intensa que ninguém teve tempo de se proteger. A adolescente foi atingida pelos destroços e levada com ferimentos graves ao Hospital São José, em Laranjeiras do Sul, a cerca de 18 quilômetros dali. A família passou a noite em desespero, sem notícias. Somente na manhã seguinte veio a confirmação de que ela havia sido identificada.

Com a voz embargada, Roberto relembrou o momento em que recebeu a notícia. “Por volta das cinco da manhã subimos para Laranjeiras, porque disseram que havia uma pessoa sem identificação. Eu ainda tinha esperança que não fosse ela.” Mari, abalada, disse que tudo aconteceu rápido demais. “Ela estava na casa de uma amiguinha, e foi questão de segundos. A gente nunca imagina que algo assim pode acontecer.”

Horas antes da tragédia, pai e filha trocaram sua última conversa. “Foi por volta das 16h45, quando eu saía do trabalho”, contou Roberto. Julia, animada com o dia que se aproximava, deixou um áudio que agora se tornou uma lembrança dolorosa: “A madrinha perguntou se a gente vai querer fazer churrasco amanhã ou algo do tipo, depois da Crisma. Ela perguntou.”

O pai mal consegue ouvir a gravação sem se emocionar. “Era uma menina alegre, estudiosa, muito querida. Estava radiante por causa da Crisma. É uma dor que não dá pra descrever.” Mari, com os olhos marejados, complementou: “Eu não sei como seguir. Era minha menina. Uma parte de mim foi com ela.”

O tornado que ceifou a vida de Julia também deixou um rastro de destruição. Segundo as autoridades, cerca de 90% de Rio Bonito do Iguaçu foi afetada. Casas foram completamente destruídas, postes tombaram, árvores foram arrancadas e centenas de famílias perderam tudo. O governo estadual decretou estado de calamidade pública e enviou equipes para prestar socorro e assistência.

Pelo menos 750 pessoas ficaram feridas e receberam atendimento médico na região. As buscas continuam em áreas isoladas, e há receio de que o número de vítimas possa aumentar.

Em meio à dor, a lembrança de Julia se tornou símbolo da fragilidade da vida e da força das famílias que enfrentam o luto coletivo. A cidade, que se preparava para celebrar uma cerimônia religiosa, agora se une em oração pela jovem e pelas vítimas do tornado. Entre lágrimas e abraços, o que resta é a esperança de que o amor e a fé possam, aos poucos, reconstruir o que o vento levou.

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