A história que começou como um ato heroico terminou envolta em polêmica. O alpinista Gelje Sherpa, conhecido por sua bravura nas montanhas do Himalaia, virou alvo de críticas nas redes sociais após a divulgação de uma vaquinha online que arrecadou mais de R$ 400 mil. A iniciativa, promovida para cobrir os custos do resgate da brasileira Moeses Fiamoncini no Monte Everest, incluiu uma cobrança controversa: mais de R$ 104 mil seriam destinados apenas ao pagamento de “taxas”.
O caso
Gelje Sherpa viralizou em maio ao interromper sua escalada ao topo do Everest, o ponto mais alto do mundo, para tentar salvar a alpinista brasileira que passava mal a mais de 8.000 metros de altitude, na chamada “zona da morte”. O sherpa carregou a brasileira nas costas por horas, em condições extremas, até um ponto mais seguro da montanha. O feito foi considerado por muitos como um exemplo de coragem e humanidade.
Com a repercussão, uma campanha de arrecadação foi lançada no GoFundMe por aliados de Gelje, com o objetivo de ressarci-lo pelos custos do resgate e ajudá-lo a comprar equipamentos e manter sua carreira. No entanto, a falta de transparência sobre o destino final dos recursos gerou desconfiança.

O estopim da controvérsia
A controvérsia surgiu quando internautas notaram que mais de 20% do total arrecadado — cerca de R$ 104 mil — estavam sendo classificados como “taxas administrativas” e “custos de intermediação”, sem uma explicação detalhada. O valor elevado chamou atenção e abriu espaço para acusações de que a comoção internacional estaria sendo explorada financeiramente.
Além disso, críticos questionaram se a brasileira chegou de fato a ser salva pelo sherpa, já que Moeses Fiamoncini não se manifestou publicamente sobre o ocorrido até o momento. A ausência de um posicionamento claro alimentou ainda mais os debates.
Resposta de Gelje e dos organizadores
Em nota nas redes sociais, Gelje Sherpa agradeceu o apoio mundial e reafirmou que seu objetivo era apenas “fazer a coisa certa” ao ver uma pessoa em risco de vida. Já os organizadores da vaquinha defenderam que os valores são compatíveis com o que é cobrado por plataformas internacionais e com os custos envolvidos em ações de alto risco como aquela realizada no Everest.
Apesar disso, muitas pessoas cobraram que fosse feita uma prestação de contas mais clara e detalhada, incluindo recibos e documentação dos serviços prestados.
Reações
Nas redes sociais, a divisão de opiniões é evidente. Enquanto muitos continuam admirando o gesto heroico de Gelje Sherpa, outros apontam o caso como exemplo de exploração emocional e marketing sobre tragédias humanas. Alguns internautas chegaram a pedir o cancelamento da vaquinha e a devolução dos valores arrecadados.
Especialistas em ética e financiamento coletivo alertam que, embora ações humanitárias devam ser valorizadas, é fundamental garantir a transparência total em campanhas que envolvam dinheiro público ou privado.
Desdobramentos
Até o momento, a plataforma GoFundMe não se pronunciou oficialmente sobre os valores cobrados em taxas. O caso continua repercutindo na imprensa internacional e reacende o debate sobre os limites da ajuda humanitária, da exploração comercial em tragédias e da responsabilidade dos envolvidos na gestão de campanhas de arrecadação.
Resumo: O alpinista Gelje Sherpa, que ficou famoso por tentar salvar uma brasileira no Everest, é alvo de críticas após vaquinha arrecadar R$ 400 mil, sendo R$ 104 mil em taxas. Falta de transparência na campanha e silêncio da vítima aumentam as suspeitas.