A aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste brasileiro avançou de forma clara e alcançou 65 por cento. Esse resultado marca um ganho de quatro pontos em relação ao levantamento anterior e consolida a região como o principal pilar de sustentação da gestão federal. Enquanto o restante do país registra um ambiente mais crítico, com aprovação em 44 por cento e desaprovação em 51 por cento, o Nordeste segue em sentido oposto e demonstra fidelidade histórica ao líder petista.
Os números regionais revelam ainda que a rejeição caiu para 31 por cento, ante 33 por cento no mês passado. Em janeiro, o índice de aprovação havia atingido o ponto mais alto recente, de 67 por cento. Já em dezembro do ano anterior, o patamar mais baixo foi de 57 por cento. Essa oscilação controlada contrasta fortemente com o cenário nacional, onde a desaprovação atingiu o maior nível desde setembro de 2025. No Sul, apenas 35 por cento aprovam a administração, enquanto 60 por cento a rejeitam. No Sudeste, os percentuais são de 37 por cento de apoio e 58 por cento de rejeição. Nas áreas combinadas do Centro-Oeste e Norte, a aprovação fica em 36 por cento e a desaprovação em 59 por cento.
A percepção econômica ajuda a explicar parte do movimento. Em todo o Brasil, 48 por cento dos entrevistados afirmam que a situação piorou nos últimos doze meses. A expectativa para o futuro também se ajustou para baixo: 41 por cento preveem melhora, enquanto 34 por cento antecipam piora. No Nordeste, porém, os programas de transferência de renda e os investimentos em infraestrutura parecem amortecer esses efeitos negativos. Políticas como o Bolsa Família, ampliadas nos últimos anos, mantêm forte adesão entre famílias de baixa renda, o que sustenta a avaliação positiva mesmo em momentos de pressão inflacionária ou de juros elevados.
Por gênero, o quadro nacional mostra uma mudança importante. Pela primeira vez em meses, a desaprovação superou a aprovação entre as mulheres: 48 por cento rejeitam e 46 por cento apoiam. Entre os homens, o quadro é de 55 por cento de rejeição e 41 por cento de aprovação. Esses recortes reforçam o perfil regional do apoio, já que o Nordeste concentra eleitorado feminino fiel a medidas sociais e a Lula, que nasceu em Pernambuco e construiu ali sua trajetória política desde os anos 1970.
Especialistas em opinião pública e analistas políticos observam que a polarização permanece firme. O eleitorado nordestino atua como elemento de estabilidade para o Planalto, especialmente a seis meses das eleições presidenciais de 2026. Enquanto outras regiões registram rejeição acima de 50 por cento, o Nordeste oferece margem de manobra e se torna decisivo para qualquer estratégia de reeleição. Em simulações de segundo turno realizadas na mesma rodada de pesquisa, Lula aparece empatado tecnicamente com nomes da oposição de centro-direita, ambos na faixa dos 41 por cento.
A violência e a corrupção seguem como as principais preocupações dos brasileiros. A primeira lidera com 27 por cento das menções, seguida pela segunda com 20 por cento. Mesmo assim, no Nordeste o impacto desses temas é menor, graças ao sentimento de que o governo federal manteve compromissos históricos com a redução da pobreza e com a expansão de serviços básicos como saúde e educação. A isenção do Imposto de Renda para faixas mais baixas, que beneficiou cerca de 31 por cento dos entrevistados, não gerou grande impacto na avaliação geral, mas contribuiu para manter a base nordestina.
O governo deve agora capitalizar esse avanço regional. Investimentos adicionais em obras de saneamento, rodovias e energia renovável, aliados à manutenção dos benefícios sociais, podem consolidar ou até ampliar o patamar de 65 por cento. Para o Planalto, o Nordeste não representa apenas um reduto eleitoral; ele funciona como âncora que impede quedas mais acentuadas nos índices nacionais em um período de desgaste econômico e de pressão política.
Com o calendário eleitoral se aproximando, o contraste entre o apoio nordestino e a insatisfação em outras regiões define o mapa político atual. A fidelidade dessa área pode contrabalançar perdas no Sudeste e no Sul, tornando a mobilização local uma prioridade estratégica até outubro de 2026. O cenário sugere que Lula mantém força onde construiu sua base mais sólida ao longo de décadas, mesmo diante de desafios nacionais que exigem respostas rápidas em áreas como segurança pública e controle da inflação.
Fonte: Pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 11 de março de 2026.
