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AVC tira a vida de um brasileiro a cada seis minutos. Veja como evitar o problema

Ciência e Tecnologia

O acidente vascular cerebral, conhecido como AVC, continua sendo uma das maiores emergências médicas do Brasil. A cada seis minutos, um brasileiro perde a vida em decorrência da doença, que já causou, apenas em 2025 até o início de outubro, 64.471 mortes, de acordo com o Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil. Em 2024, o número total chegou a 85.457, superando inclusive os óbitos provocados por infarto, o que reforça a gravidade e a urgência do problema.

O AVC é hoje uma das principais causas de morte e incapacidade permanente no mundo. Além das vidas perdidas, milhões de pessoas convivem com sequelas neurológicas que afetam a fala, a coordenação motora, a memória e a autonomia. Para especialistas, o desafio não se resume à prevenção, mas também à rapidez do atendimento. O tempo é o principal fator entre a vida e a morte, e entre a recuperação e a limitação.

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O acidente vascular cerebral ocorre quando há uma interrupção do fluxo sanguíneo em determinada região do cérebro, o que impede a chegada de oxigênio e nutrientes essenciais às células nervosas. Essa interrupção pode acontecer de duas formas distintas. O AVC isquêmico, responsável por cerca de 85% dos casos, é provocado pela obstrução de uma artéria, geralmente por um coágulo. Já o AVC hemorrágico, que representa aproximadamente 15% das ocorrências, resulta do rompimento de um vaso cerebral, causando sangramento interno e aumentando o risco de morte.

A neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, alerta sobre a gravidade da demora no tratamento. “A cada minuto em que o AVC isquêmico não é tratado, o paciente perde quase dois milhões de neurônios”, explica. Essa perda rápida e irreversível torna o atendimento imediato essencial. Segundo ela, o ideal é que o paciente receba tratamento especializado nas primeiras horas após o início dos sintomas, o que pode fazer toda a diferença no desfecho clínico.

Os sinais de alerta costumam aparecer de forma súbita e devem ser reconhecidos rapidamente. Fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender o que é dito, alterações na visão, perda de equilíbrio, tontura e dor de cabeça intensa e sem causa aparente são alguns dos sintomas mais comuns. Diante de qualquer um desses indícios, a recomendação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.

Apesar do avanço no diagnóstico e nas terapias, o acesso ao atendimento rápido ainda é desigual no Brasil. A neurologista destaca que muitas cidades não dispõem de hospitais preparados para lidar com casos de AVC de forma eficiente. “Precisamos ampliar a rede de unidades de saúde com protocolos bem definidos e equipes treinadas, capazes de realizar exames e intervenções dentro do tempo necessário”, afirma.

Entre os tratamentos mais eficazes estão a trombólise, que utiliza medicamentos para dissolver coágulos e restabelecer o fluxo sanguíneo, e a trombectomia mecânica, que remove o bloqueio por meio de um procedimento minimamente invasivo. Ambas as técnicas, quando aplicadas dentro das primeiras horas, reduzem significativamente as sequelas e o tempo de internação, o que também representa economia para o sistema público de saúde.

Além do atendimento de emergência, a prevenção é o principal caminho para reduzir o impacto do AVC. Manter hábitos saudáveis, controlar a pressão arterial, evitar o tabagismo, praticar atividades físicas e monitorar doenças como diabetes e colesterol elevado são medidas essenciais para diminuir o risco.

O acidente vascular cerebral continua sendo uma ameaça silenciosa e devastadora, mas a informação, a rapidez no socorro e a prevenção podem salvar milhares de vidas todos os anos. Quanto mais pessoas souberem identificar os sinais e buscar ajuda imediata, maior será a chance de recuperação e de um futuro sem sequelas.

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