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Banco Central decreta liquidação da Will Financeira após colapso do Banco Master e aciona proteção do FGC

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O Banco Central do Brasil formalizou nesta quarta-feira, 21 de janeiro, a decretação da liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição conhecida no mercado como Will Bank. A decisão foi tomada como consequência direta da liquidação do Banco Master, determinada em novembro de 2025, e reflete a avaliação de que a financeira não possuía condições de manter suas operações de forma regular e sustentável.

O ato administrativo foi assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e publicado no Diário Oficial da União. No documento, a autoridade monetária aponta que a situação econômico financeira da instituição estava seriamente comprometida, com evidências de insolvência e perda da capacidade de honrar obrigações. O texto também destaca o vínculo de interesse existente entre a Will Financeira e o Banco Master, caracterizado pelo exercício efetivo do poder de controle por parte da instituição já liquidada, o que ampliou a exposição da financeira aos riscos acumulados pelo antigo controlador.

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De acordo com informações apuradas junto a técnicos do sistema de supervisão bancária, relatórios recentes identificaram deterioração contínua dos índices de capitalização, redução expressiva de liquidez e crescimento acelerado de passivos de curto prazo. Auditorias internas apontaram ainda fragilidades nos mecanismos de governança, deficiências nos controles de risco e concentração excessiva de operações ligadas ao grupo econômico, fatores que elevaram o grau de vulnerabilidade da instituição diante do cenário adverso enfrentado pelo Banco Master.

Com a decretação da liquidação extrajudicial, todas as atividades da Will Financeira foram imediatamente interrompidas, os dirigentes afastados de suas funções e um liquidante designado pelo Banco Central para assumir a administração temporária. Caberá a esse responsável conduzir o levantamento completo de ativos e passivos, identificar credores, avaliar a existência de irregularidades e organizar o pagamento das obrigações conforme a ordem de prioridade prevista em lei. O procedimento tem como objetivo central preservar a estabilidade do sistema financeiro nacional e evitar efeitos em cadeia sobre outras instituições.

Um dos principais reflexos da medida recai sobre os investidores que adquiriram Certificados de Depósito Bancário emitidos pela financeira. Com a intervenção, esses títulos passaram a contar automaticamente com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, que assegura o reembolso de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o conjunto de aplicações por instituição e conglomerado financeiro. A proteção inclui o valor principal aplicado e os rendimentos acumulados até a data da decretação da liquidação.

Fontes do mercado indicam que a Will Financeira mantinha uma base relevante de investidores de varejo, atraídos por taxas superiores às praticadas por bancos de grande porte e pela facilidade de acesso aos produtos por meio de plataformas digitais. A expectativa é que, após a consolidação das informações contábeis e a validação da lista de credores, o Fundo Garantidor de Créditos inicie nas próximas semanas o processo de pagamento aos clientes elegíveis, seguindo os prazos operacionais usuais em casos semelhantes.

Procurado pela reportagem, o Fundo Garantidor de Créditos não se manifestou até o fechamento deste texto. O Banco Central informou, em nota, que a decisão foi adotada com base em critérios técnicos e legais, após a constatação de que a instituição não reunia condições mínimas para a continuidade de suas operações. A autoridade monetária ressaltou que acompanha de forma permanente a situação das instituições financeiras e que intervenções dessa natureza buscam proteger depositantes, investidores e a solidez do sistema como um todo.

A liquidação da Will Financeira amplia os desdobramentos da crise que teve início com o colapso do Banco Master, instituição que vinha sendo monitorada desde o início de 2025 em razão de prejuízos recorrentes, elevação da inadimplência e dificuldades crescentes para captar recursos no mercado. Especialistas em regulação bancária avaliam que o episódio reforça a importância de uma supervisão rigorosa sobre conglomerados financeiros, especialmente quando há compartilhamento de estruturas, controle acionário concentrado e interdependência operacional entre empresas do mesmo grupo.

Enquanto o processo avança, investidores permanecem atentos às comunicações oficiais e às orientações sobre prazos e procedimentos para o resgate de valores garantidos. O caso volta a evidenciar o papel central dos mecanismos de proteção aos depositantes e a relevância da atuação preventiva das autoridades na preservação da confiança e da estabilidade do sistema financeiro brasileiro.

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