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Bill Clinton disse sobre o caso Jeffrey Epstein: “Não vi nada e não fiz nada de errado”

Mundo Afora Política

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton afirmou nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, que nunca teve qualquer envolvimento com atividades ilegais ligadas ao financista Jeffrey Epstein e que desconhecia os crimes cometidos pelo empresário. A declaração foi feita durante um depoimento reservado ao Congresso norte-americano, no contexto de uma investigação parlamentar que busca esclarecer a extensão da rede de contatos, influência e possíveis conexões políticas envolvendo o caso.

Segundo relatos de parlamentares presentes na audiência, Clinton foi enfático ao negar qualquer irregularidade. Ele declarou que não presenciou comportamentos suspeitos, não teve conhecimento de abusos e jamais participou de ações ilegais. Durante sua fala, reforçou que sua relação com Epstein foi limitada a contatos sociais e iniciativas de caráter filantrópico, principalmente no início dos anos 2000, período anterior à ampla divulgação das denúncias que tornaram o caso conhecido mundialmente.

O ex-presidente também reconheceu que realizou viagens em aeronaves privadas associadas a Epstein, mas explicou que os deslocamentos ocorreram em missões voltadas a projetos humanitários, combate à pobreza e ações de cooperação internacional. De acordo com sua versão, essas viagens contaram com a presença de outros convidados, integrantes de organizações sociais e membros de sua equipe, e não envolveram qualquer conduta irregular. Ele acrescentou que, ao longo dos anos, seu contato com o empresário foi reduzido e posteriormente interrompido, antes de o escândalo ganhar dimensão pública.

Durante o depoimento, Clinton afirmou que, caso tivesse tido conhecimento dos crimes, teria comunicado as autoridades. Ele destacou que considera os abusos cometidos por Epstein graves e inaceitáveis, reforçando que as vítimas merecem justiça e reparação. O ex-presidente ainda declarou que compareceu voluntariamente à audiência com o objetivo de contribuir para a transparência e esclarecer dúvidas sobre sua relação com o financista.

A investigação conduzida pelo Congresso norte-americano ocorre em meio à pressão por maior abertura de documentos relacionados ao caso. Nos últimos meses, novas informações vieram à tona após decisões judiciais que ampliaram o acesso a registros anteriormente mantidos sob sigilo. Entre esses materiais estão listas de contatos, agendas, registros de voos e comunicações que mencionam diversas figuras públicas, empresários e personalidades influentes.

O depoimento de Clinton é considerado um marco dentro do processo, por envolver um ex-chefe de Estado. Especialistas avaliam que a convocação reforça a tentativa de demonstrar imparcialidade e ampliar a credibilidade da investigação, que enfrenta críticas tanto de aliados quanto de opositores políticos. Parlamentares afirmam que o objetivo é reconstruir a rede de relacionamentos de Epstein, entender o alcance de sua influência e identificar eventuais omissões, facilitação ou conivência por parte de pessoas próximas.

O caso Epstein continua sendo um dos maiores escândalos de exploração sexual envolvendo elites políticas, econômicas e sociais. O financista foi condenado em 2008 por crimes sexuais e voltou a ser preso em 2019, acusado de tráfico sexual de menores. Sua morte na prisão, enquanto aguardava julgamento, gerou controvérsias, questionamentos sobre falhas de segurança e uma série de investigações internas.

Mesmo após anos, o caso segue em andamento, com processos civis, investigações paralelas e pressões internacionais por responsabilização. Autoridades norte-americanas afirmam que novas audiências e convocações devem ocorrer ao longo de 2026. A expectativa é que depoimentos de figuras públicas e a análise de documentos ampliem a compreensão sobre a dimensão da rede de relações construída por Epstein.

Até o momento, não há acusações formais contra Bill Clinton relacionadas às atividades criminosas do financista. Ainda assim, o depoimento representa um avanço para os investigadores e mantém o caso no centro do debate político e jurídico nos Estados Unidos, especialmente diante da pressão por transparência e justiça para as vítimas.

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