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Brasil alcança marco histórico na oncologia com terapia que leva à remissão do câncer em mais de 70% dos pacientes

Ciência e Tecnologia

O Brasil acaba de alcançar um marco histórico na área da oncologia ao desenvolver, produzir e aplicar pela primeira vez em território nacional uma terapia celular CAR-T, uma das tecnologias mais avançadas e complexas da medicina moderna. Até então restrita a países com alto investimento em pesquisa biomédica e a grandes indústrias farmacêuticas internacionais, a técnica passa agora a integrar o cenário científico brasileiro, com resultados considerados altamente promissores.

A inovação foi apresentada no estudo CARTHIAE, conduzido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, com financiamento do Ministério da Saúde por meio do PROADI-SUS e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária como o primeiro ensaio clínico fase I de CAR-T produzido integralmente dentro de um hospital brasileiro. O projeto também inaugura na América Latina o modelo de manufatura point of care, no qual a terapia é fabricada no próprio local onde será administrada ao paciente, reduzindo custos, tempo de espera e dependência externa.

Os números obtidos chamam atenção da comunidade científica internacional. Entre pacientes com linfomas, leucemias e outras neoplasias de células B que não respondiam mais a nenhum tratamento convencional, 81 por cento apresentaram resposta clínica significativa e 72 por cento atingiram remissão completa da doença. Trata-se de um resultado expressivo em um grupo considerado de altíssimo risco, no qual as chances terapêuticas costumam ser limitadas.

A terapia CAR-T funciona a partir da coleta de linfócitos T do próprio paciente, que são geneticamente modificados em laboratório para reconhecer e atacar células tumorais específicas. Após esse processo, as células reprogramadas são reinfundidas no organismo, passando a atuar como um sistema imunológico altamente direcionado contra o câncer. O procedimento exige infraestrutura sofisticada, rigoroso controle de qualidade e equipes altamente especializadas, fatores que historicamente elevaram seu custo e limitaram sua oferta.

No modelo desenvolvido no Brasil, toda a cadeia de produção ocorreu dentro do próprio hospital, desde a coleta celular até a infusão final, seguindo padrões internacionais de biossegurança e boas práticas de fabricação. Segundo os pesquisadores envolvidos, esse formato abre caminho para a expansão da terapia em centros públicos e universitários, com potencial de reduzir drasticamente os valores hoje praticados no mercado internacional.

Especialistas destacam que o impacto vai além dos resultados clínicos imediatos. O domínio nacional dessa tecnologia representa um salto estratégico em soberania científica e tecnológica, fortalecendo a capacidade do país em desenvolver terapias avançadas para doenças complexas. Também cria bases para futuras aplicações em outros tipos de câncer e em doenças autoimunes, áreas onde a terapia celular vem sendo amplamente investigada.

O Ministério da Saúde avalia que a iniciativa pode, no médio prazo, permitir a incorporação da CAR-T ao Sistema Único de Saúde, ampliando o acesso de pacientes que hoje dependem de tratamentos no exterior ou de terapias importadas de altíssimo custo. A Anvisa, por sua vez, acompanha o estudo como referência para a regulamentação de terapias avançadas produzidas em ambiente hospitalar no país.

Com o encerramento bem sucedido da fase inicial, novas etapas clínicas já estão em planejamento, com ampliação do número de pacientes e avaliação de longo prazo sobre segurança, durabilidade da resposta e impacto na sobrevida. A expectativa é que o Brasil passe a integrar o grupo de países capazes de desenvolver e oferecer terapias celulares de última geração em escala clínica.

Fonte
Hospital Israelita Albert Einstein, estudo CARTHIAE, Ministério da Saúde, PROADI-SUS, Agência Nacional de Vigilância Sanitária

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