O Brasil se consolidou como o país com maior número de milionários da América Latina, segundo o Relatório Global de Riqueza 2025, divulgado pelo banco suíço UBS. O estudo mostra que atualmente 433 mil brasileiros possuem patrimônio líquido superior a US$ 1 milhão, o equivalente a cerca de R$ 5,42 milhões na cotação atual.
Detalhes do levantamento
O relatório, que analisou dados de 56 países responsáveis por mais de 92% da riqueza global, define como milionário qualquer pessoa que detenha ativos – como investimentos financeiros, imóveis, participações empresariais – superiores a US$ 1 milhão, descontadas eventuais dívidas. Dessa forma, o levantamento considera não apenas o dinheiro em contas bancárias, mas também imóveis, ações, fundos e outros tipos de patrimônio acumulado.

Posição do Brasil na América Latina
No cenário latino-americano, o Brasil aparece na liderança, seguido pelo México, que ocupa a segunda posição com 399 mil milionários em dólar. A distância relativamente pequena entre os dois países reflete o peso das duas maiores economias da região. Ainda assim, o Brasil mantém vantagem, em parte devido ao tamanho de seu mercado interno, à concentração de renda e à expansão de alguns setores estratégicos como agronegócio, energia e tecnologia.
Comparação com os Estados Unidos e o cenário global
Em nível mundial, os Estados Unidos seguem como líderes absolutos, com 23,8 milhões de milionários. Apenas no último ano, 379 mil norte-americanos passaram a integrar esse grupo, o que representa uma média impressionante de mais de mil novos milionários por dia. Esse crescimento reflete a força da economia americana, impulsionada por empresas de tecnologia, valorização do mercado de ações e alta no setor imobiliário.

O relatório mostra ainda que países desenvolvidos concentram a maior parte da riqueza, mas também evidencia o crescimento do número de milionários em economias emergentes, como Brasil, Índia e China.
Contexto econômico e desigualdade
Embora o número de milionários esteja crescendo no Brasil, o relatório também destaca a disparidade social. A concentração de renda no país continua sendo um dos maiores desafios econômicos e sociais. De um lado, há uma elite com patrimônio crescente, de outro, milhões de brasileiros enfrentam dificuldades econômicas, desemprego e falta de acesso a serviços básicos.
Especialistas apontam que o aumento do número de milionários não significa necessariamente melhora no padrão de vida da população em geral, mas pode refletir valorização de ativos financeiros e imobiliários, além do fortalecimento de grandes grupos econômicos.

Perspectivas futuras
A tendência é que o número de milionários continue em crescimento nos próximos anos, impulsionado pela expansão do mercado financeiro, investimentos estrangeiros e setores em alta como agronegócio e tecnologia. No entanto, o relatório alerta que fatores como instabilidade política, inflação e câmbio podem influenciar diretamente o ritmo desse crescimento.
O Relatório Global de Riqueza 2025 do UBS reforça a posição do Brasil como líder regional em acúmulo de patrimônio, ao mesmo tempo em que reacende o debate sobre desigualdade e a necessidade de políticas que permitam maior distribuição de renda e oportunidades.