O Brasil deu início à construção de seu primeiro submarino de propulsão nuclear, batizado de Álvaro Alberto, como parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), um dos projetos mais ambiciosos da história da defesa nacional. A iniciativa marca um salto tecnológico e estratégico, posicionando o país entre as poucas nações capazes de operar submarinos com propulsão nuclear, ao lado de potências como Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
A concepção do Álvaro Alberto é resultado de uma cooperação internacional com a França, firmada em 2008, que permitiu ao Brasil absorver conhecimentos avançados em construção naval, especialmente na fabricação de submarinos convencionais da classe Riachuelo. No entanto, o grande diferencial do projeto está no desenvolvimento do reator nuclear, que será inteiramente nacional. A Marinha do Brasil, em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), lidera o esforço para criar um sistema de propulsão nuclear com tecnologia própria, garantindo autonomia estratégica e soberania científica.
A construção física do submarino teve início em 2025, com o corte da chapa da Seção C do casco resistente, considerado o marco inicial para a instalação do reator. Essa etapa foi realizada nas instalações da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), localizada no Complexo Naval de Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro. A Seção C é uma das partes mais críticas da estrutura, pois abriga o compartimento onde será instalado o reator nuclear, exigindo precisão extrema e materiais de alta resistência.

O Álvaro Alberto não será armado com ogivas nucleares, mas sim com torpedos e mísseis convencionais, mantendo o compromisso do Brasil com o uso pacífico da energia nuclear. A propulsão nuclear permitirá ao submarino operar por longos períodos submerso, sem necessidade de reabastecimento, o que amplia significativamente sua capacidade de patrulhamento, vigilância e projeção de força em áreas estratégicas do Atlântico Sul. Essa autonomia operacional é essencial para o monitoramento da chamada Amazônia Azul, uma vasta zona econômica exclusiva que abriga recursos naturais valiosos e rotas marítimas de interesse nacional.
Além de reforçar a defesa do território marítimo, o submarino nuclear brasileiro terá papel fundamental na dissuasão de ameaças externas, contribuindo para a estabilidade regional e para a proteção de ativos estratégicos, como plataformas de petróleo, cabos submarinos e biodiversidade marinha. Sua presença silenciosa e persistente no fundo do oceano funcionará como um elemento de dissuasão, dificultando ações hostis e fortalecendo a capacidade de resposta do país em situações de crise.
O nome Álvaro Alberto presta homenagem ao almirante e cientista brasileiro que foi pioneiro na defesa do uso pacífico da energia nuclear no Brasil. Sua atuação na década de 1950 foi decisiva para a criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e para o desenvolvimento de políticas voltadas à pesquisa e à aplicação da tecnologia nuclear com fins civis e militares. O submarino que leva seu nome simboliza não apenas um avanço técnico, mas também um legado de independência científica e visão estratégica.
Com o avanço do PROSUB e a construção do Álvaro Alberto, o Brasil consolida sua posição como líder regional em segurança marítima e demonstra sua capacidade de integrar ciência, tecnologia e defesa em um projeto de escala global. O submarino nuclear será um instrumento de soberania, vigilância e projeção de poder, refletindo o compromisso do país com a proteção de seus interesses no mar e com o desenvolvimento de capacidades autônomas em áreas sensíveis da engenharia e da geopolítica.