Luciano Moreira, pesquisador brasileiro da Fundação Oswaldo Cruz, entrou para a lista dos 10 cientistas mais influentes do ano segundo a prestigiada revista Nature, um reconhecimento raro e de grande peso no meio científico internacional. O destaque veio pelo trabalho à frente de uma das iniciativas mais promissoras do mundo no combate a doenças transmitidas por mosquitos, especialmente dengue, zika e chikungunya, problemas de saúde pública que afetam milhões de pessoas todos os anos, sobretudo em países tropicais como o Brasil.
À frente do chamado Método Wolbachia, Luciano Moreira coordena uma estratégia inovadora e sustentável que utiliza o próprio mosquito Aedes aegypti como aliado no controle das doenças. A técnica consiste em infectar esses mosquitos com a bactéria Wolbachia, um microrganismo natural que não oferece riscos aos humanos. Quando presente no mosquito, a bactéria impede que vírus como dengue, zika e chikungunya consigam se desenvolver dentro do inseto, bloqueando a transmissão para as pessoas.

O funcionamento do método é considerado simples de compreender, mas altamente sofisticado do ponto de vista biológico. Os mosquitos com Wolbachia continuam vivendo normalmente, picam pessoas e se reproduzem como qualquer outro Aedes aegypti. A diferença é que, mesmo ao picar alguém infectado, eles não conseguem transmitir o vírus adiante. Além disso, a bactéria é passada para as gerações seguintes, fazendo com que, ao longo do tempo, a população local de mosquitos passe a ser majoritariamente incapaz de espalhar as doenças. Isso reduz a necessidade de ações contínuas e intensivas, como pulverizações frequentes de inseticidas.
No Brasil, o Método Wolbachia já está em uso em diversas cidades e apresenta resultados expressivos. Estudos de monitoramento indicam reduções de até 89% nos casos de dengue em áreas onde a técnica foi aplicada de forma consistente. Esses números chamaram a atenção da comunidade científica internacional e de organismos de saúde, reforçando o potencial da estratégia como uma solução de longo prazo para doenças que historicamente desafiam governos e sistemas de saúde.
O impacto global dessa iniciativa é ainda mais relevante quando se observa o cenário atual das arboviroses. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, somente em 2024 foram registrados mais de 7,6 milhões de casos de dengue no mundo, resultando em mais de 3.000 mortes. Em 2025, até o mês de setembro, já haviam sido contabilizados 445.271 casos de chikungunya, com 155 óbitos. A zika, embora apresente menor taxa de mortalidade, é responsável por consequências graves e duradouras, como microcefalia e outras alterações neurológicas em bebês expostos ao vírus durante a gestação.
Especialistas estimam que, se os resultados observados no Brasil com o Método Wolbachia fossem replicados em escala global, seria possível evitar cerca de 2.700 mortes por dengue e aproximadamente 140 mortes por chikungunya todos os anos. Além disso, milhares de casos de zika com sequelas permanentes poderiam ser prevenidos, reduzindo impactos sociais, econômicos e emocionais que se estendem por décadas.
O reconhecimento da revista Nature reforça não apenas a relevância científica do trabalho de Luciano Moreira, mas também o papel estratégico da pesquisa brasileira no enfrentamento de desafios globais. A escolha de um pesquisador da Fiocruz entre os 10 cientistas mais influentes do ano evidencia como soluções desenvolvidas em países fortemente afetados por essas doenças podem liderar avanços capazes de transformar a saúde pública mundial.
Quem é Luciano Moreira, o brasileiro entre os 10 cientistas mais importantes do mundo em 2025, passa a ser também um símbolo de como ciência, inovação e compromisso social podem caminhar juntos para salvar vidas e mudar realidades em escala global.