O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, voltou a chamar atenção da comunidade internacional ao afirmar que não compareceu à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, realizada em Nova York, porque considera o evento “inútil” e uma verdadeira perda de tempo. A declaração foi feita neste sábado, dia 28, em publicação na rede social X, antigo Twitter, na qual ele compartilhou também um vídeo com seu discurso do ano anterior. Segundo Bukele, aqueles que desejam ouvir sua posição oficial podem recorrer à gravação de 2024, já disponível online, evitando assim o que classificou como uma formalidade sem impacto prático.
A postura crítica do mandatário salvadorenho em relação a fóruns multilaterais não é inédita, mas volta a destacar seu estilo político direto e confrontador. Bukele vem priorizando ações internas, especialmente no campo da segurança pública, em detrimento da participação em encontros diplomáticos. O governo de El Salvador vem implementando, desde 2022, um rigoroso plano de combate às facções criminosas, marcado por estado de exceção e endurecimento da legislação.

De acordo com os dados oficiais divulgados recentemente, mais de 89 mil indivíduos apontados como integrantes de gangues foram presos nos últimos dois anos. As medidas reduziram de forma drástica os índices de violência que historicamente colocavam o país entre os mais perigosos do mundo. Autoridades locais afirmam que homicídios e extorsões caíram a níveis inéditos, enquanto organizações de direitos humanos apontam possíveis abusos cometidos durante as operações.
A ausência de Bukele na ONU reforça sua narrativa de que a prioridade de sua gestão é voltada exclusivamente para a população salvadorenha e para resultados concretos dentro das fronteiras do país. O presidente argumenta que discursos diplomáticos não se traduzem em melhorias reais para a vida das pessoas, diferentemente do que, em sua avaliação, vem sendo conquistado com a política de segurança em vigor.
Esse posicionamento fortalece a imagem de Bukele como um líder pragmático e polêmico, capaz de romper protocolos internacionais para reafirmar sua estratégia de governo. Ao mesmo tempo, a decisão pode aprofundar o distanciamento de El Salvador em relação a instâncias multilaterais, em um momento em que a cooperação global é vista como essencial para enfrentar desafios comuns, como migração, economia e mudanças climáticas.
No cenário interno, contudo, a popularidade de Bukele permanece elevada. Pesquisas locais indicam que a maioria da população apoia as medidas de segurança e associa a queda da criminalidade à determinação do presidente. A ausência na Assembleia Geral da ONU, portanto, não parece afetar seu respaldo político interno, mas reforça a divisão de opiniões no plano internacional sobre a forma como conduz a política externa e interna.