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Chupar chupeta é a nova moda entre os cariocas

Curiosidades

Imagens de jovens caminhando pelo calçadão com chupetas coloridas já circulam pelas redes, a cena divide opiniões, intriga turistas e rende cliques. A tendência ganhou visibilidade em vídeos que vieram da China, depois foi replicada por criadores brasileiros, muitos deles afirmam que o acessório ajuda a controlar estresse e ansiedade. O fenômeno surfou no mesmo impulso de objetos de autorregulação sensorial, por exemplo esferas antistress, argilas para amassar, anéis de silicone para morder, e acabou chegando à praia, ao transporte público e a festas alternativas no Rio.

A pergunta central é simples, funciona mesmo. A sucção é um comportamento inato de autorregulação, ativa mecanorreceptores na boca e pode estimular o sistema parassimpático, o que reduz batimentos e dá sensação de calma por alguns minutos. Estudos com goma de mascar já mostraram quedas pequenas de cortisol em situações de estresse leve, a chupeta pode produzir efeito parecido, porém o benefício é pontual, dura pouco, não substitui tratamento e não atua sobre a causa do problema. Psicólogos lembram que qualquer muleta comportamental, quando vira regra, cria dependência psicológica, atrapalha a exposição gradual aos gatilhos de ansiedade e adia a busca por estratégias que de fato reprogramam o cérebro, por exemplo terapia cognitivo-comportamental, treinamento de respiração, higiene do sono e atividade física.

Dentistas fazem um alerta objetivo. A sucção repetida e de longa duração em adultos pode trazer consequências mecânicas para dentes e articulações. Entre os riscos mais citados estão mordida aberta anterior, aumento do overjet, recidiva de tratamentos ortodônticos, dor na articulação temporomandibular, sensibilidade dentária por compressão, aftas por atrito, fissuras no lábio, dermatite perioral quando há umidade constante, candidíase oral quando a higiene falha. Há ainda o risco de microfissuras nos incisivos se a pessoa morde o bico com força, além de alterações na fala enquanto o objeto está na boca e maior exposição a microrganismos se a chupeta cai em superfícies contaminadas. Profissionais também apontam outro ponto, quem já range os dentes ou tem bruxismo pode alternar força de mordida e sucção, o que agrava dor muscular.

A moda acendeu um pequeno mercado, lojas online vendem modelos “adult size” em silicone, versões com detalhes fashion, cordões personalizados e cores fluorescentes para fotos noturnas. Designers de evento exploram o acessório como elemento de estética clubber e kitsch, marcas de streetwear já brincam com chaveiros e pingentes que imitam o bico. A estética chama atenção, porém a normalização do uso em locais fechados levanta discussões de etiqueta e segurança sanitária, especialmente em transporte público e ambientes de trabalho.

Quem decidiu testar, por curiosidade ou busca de calma rápida, pode reduzir riscos seguindo um protocolo simples. Use somente silicone de grau alimentar, livre de BPA, preferencialmente modelo de peça única para evitar partes que se soltam. Mantenha o acessório exclusivo, não compartilhe com ninguém, lave com água e sabão neutro antes e depois do uso, armazene em estojo limpo e ventilado. Limite o tempo a janelas curtas, por exemplo cinco a quinze minutos em situações específicas de tensão, evite usar durante o sono, evite usar enquanto caminha em vias movimentadas ou dirige, não combine com bebidas açucaradas, não morda o bico. Se você usa aparelho, contenção ou tem histórico de DTM, converse com um dentista antes de experimentar. Percebeu dor, estalos, retração gengival, desconforto na abertura da boca ou desalinhamento, suspenda o uso e procure avaliação.

Existem alternativas mais seguras para regulação rápida. Respiração 4-7-8 ou box breathing, alongamento cervical por dois minutos, caminhada breve com foco na cadência dos passos, compressão fria no rosto por trinta segundos, chicle sem açúcar somente em períodos curtos, mastigadores de silicone próprios para adultos, diário de emoções para identificar gatilhos, protocolo de higiene do sono com horário regular, terapia cognitivo-comportamental ou treinamento de exposição com profissional. Para crises recorrentes de ansiedade, o caminho recomendado inclui avaliação clínica, plano psicoterapêutico e, quando indicado, acompanhamento psiquiátrico.

O que fica de lição para o público. A chupeta pode dar um efeito de calma imediata, porém é um paliativo. A estética pode ser divertida para fotos e para performances, porém a saúde bucal e mental pede escolhas planejadas. Quem curtiu a brincadeira pode tratar como acessório ocasional e manter higiene rígida, quem busca tratamento para ansiedade deve priorizar intervenções com evidência e acompanhamento profissional.

Em resumo, a “chupeta de adulto” virou um símbolo pop no Rio, nasceu do cruzamento entre cultura de rede e busca por alívio rápido, ganhou cor, meme e polêmica. O hype passa, os dentes ficam, a saúde mental também. Informação de qualidade, uso consciente e cuidado com o corpo formam a tríade mais inteligente para surfar qualquer tendência sem sair machucado.

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