A professora Suélia Rodrigues, pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), transformou uma experiência pessoal dolorosa em um marco para a medicina moderna. Após ver o pai sofrer graves complicações causadas pela diabetes, ela decidiu dedicar sua carreira à criação de soluções acessíveis que pudessem evitar o mesmo destino em outras famílias. Dessa motivação nasceu o Rapha, um dispositivo inovador desenvolvido para acelerar o processo de cicatrização de feridas e reduzir drasticamente o risco de amputações em pacientes com pé diabético.
O pé diabético é uma das complicações mais comuns entre pessoas com diabetes. Ele surge a partir de pequenas feridas que, devido à má circulação e à sensibilidade reduzida nos membros inferiores, acabam evoluindo para infecções severas. Sem tratamento adequado, essas lesões podem levar à amputação parcial ou total dos pés e pernas, afetando profundamente a qualidade de vida do paciente e sua capacidade de locomoção.

O Rapha atua diretamente nesse problema. O equipamento, de baixo custo e fácil uso, utiliza uma combinação de estímulos físicos e tecnológicos para acelerar a regeneração tecidual e melhorar o fluxo sanguíneo na região afetada. Essa tecnologia permite que a cicatrização aconteça de forma mais rápida e eficiente, diminuindo o risco de infecções e, consequentemente, a necessidade de amputações. Além disso, por ser um dispositivo portátil, pode ser utilizado em clínicas, hospitais ou até mesmo em casa, ampliando o acesso ao tratamento e reduzindo os custos hospitalares.
Segundo dados recentes, mais de 828 milhões de pessoas vivem com diabetes em todo o mundo, e esse número pode ultrapassar 1,3 bilhão até 2050, de acordo com projeções da Federação Internacional de Diabetes. Uma parte significativa desse público enfrenta o risco de desenvolver o pé diabético, principalmente em países com sistemas de saúde sobrecarregados ou com baixa oferta de atendimento especializado. No Brasil, a situação é alarmante. Relatórios da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular indicam que o número de amputações decorrentes de complicações da doença tem atingido níveis recordes nos últimos anos.
A criação do Rapha representa, portanto, mais do que uma inovação tecnológica. É uma iniciativa humanitária e preventiva que coloca a ciência a serviço da vida. A professora Suélia Rodrigues demonstra que a dor pode se transformar em motivação e que o conhecimento pode salvar milhares de pessoas. Sua invenção simboliza uma nova era na medicina regenerativa e preventiva, mostrando que é possível unir empatia, ciência e tecnologia para mudar o destino de milhões de diabéticos no planeta.