Pesquisadores da Universidade La Sapienza de Roma desenvolveram um sistema inovador que pode mudar drasticamente a forma como a vigilância é feita no mundo. Batizado de WhoFi, o novo método é capaz de identificar e rastrear indivíduos usando apenas sinais de Wi-Fi, dispensando o uso de câmeras, celulares ou qualquer dispositivo vestível. A descoberta levanta sérias questões sobre privacidade e vigilância em larga escala.
Como funciona o WhoFi?
O sistema analisa como os sinais de Wi-Fi interagem com o corpo humano, gerando uma espécie de impressão digital biométrica única. Essa identificação é possível porque cada pessoa reflete os sinais de forma diferente, de acordo com sua estrutura corporal, postura e movimentação. O WhoFi utiliza essa variação para distinguir indivíduos com alto grau de precisão, mesmo em ambientes sem iluminação ou com obstáculos como paredes.

Reidentificação em múltiplos ambientes
Segundo os criadores, o WhoFi permite rastrear uma mesma pessoa em diferentes cômodos e até em locais distintos, utilizando apenas roteadores Wi-Fi comuns. Não é necessário que a pessoa esteja conectada à rede nem que tenha qualquer dispositivo com ela. Isso representa um grande avanço sobre tecnologias anteriores, que exigiam sensores específicos ou tinham baixa precisão.
Precisão inédita
Um dos maiores diferenciais do WhoFi está na sua precisão de reconhecimento, que supera significativamente os métodos anteriores. Enquanto abordagens anteriores alcançavam no máximo 75% de acerto, o WhoFi utiliza redes neurais profundas associadas a hardware acessível para obter resultados muito mais confiáveis. Tudo isso com roteadores Wi-Fi de baixo custo, o que facilita sua adoção em grande escala.
Potencial de uso e controvérsias
A tecnologia pode ser aplicada em análises de comportamento no varejo, segurança residencial, monitoramento em hospitais e ações policiais, entre outras áreas. No entanto, sua capacidade de rastrear pessoas sem qualquer dispositivo e sem consentimento direto levanta preocupações éticas e legais.
A vigilância por Wi-Fi, ainda que tecnicamente fascinante, pode ultrapassar limites críticos de privacidade, especialmente se usada por governos autoritários ou empresas sem regulamentação clara. Como o sistema funciona mesmo no escuro e através de paredes, pode superar em eficiência até os sistemas de câmeras mais avançados.
Ainda em fase experimental
Apesar do potencial disruptivo, o WhoFi ainda está em fase experimental, conforme publicado no artigo “WhoFi: Deep Re-Identification of People via Wi-Fi Channel Signal Encoding”, de D. Avola e colaboradores, divulgado em julho de 2025 no repositório arXiv. Mesmo assim, a possibilidade de implementação rápida existe, já que o hardware necessário é amplamente disponível no mercado.
Considerações finais
Se por um lado o WhoFi inaugura uma nova era de identificação sem contato, por outro lado, o debate sobre liberdades civis, consentimento e invasão de privacidade precisa ser intensificado. A sociedade pode estar diante de uma das maiores revoluções tecnológicas no campo da vigilância — e ela pode estar mais próxima do que se imagina.
Fonte: D. Avola et al., “WhoFi: Deep Re-Identification of People via Wi-Fi Channel Signal Encoding”, julho de 2025, arXiv.