O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve uma conversa telefônica com o presidente da China, Xi Jinping, na quinta-feira, dia 22, em um diálogo que reforçou a centralidade da relação bilateral entre os dois países em meio a um cenário internacional cada vez mais marcado por disputas geopolíticas, tensões comerciais e desafios à governança global. A informação foi divulgada pela agência estatal chinesa Xinhua, que apresentou a ligação como parte do esforço diplomático de Pequim para fortalecer parcerias estratégicas com países emergentes.
Durante a conversa, Xi Jinping afirmou que China e Brasil devem aprofundar a cooperação estratégica e atuar de forma conjunta para proteger os interesses do Sul Global, expressão utilizada para designar nações em desenvolvimento da América Latina, África e Ásia. Segundo o líder chinês, o fortalecimento dessa articulação é essencial para defender a equidade internacional, enfrentar assimetrias históricas e ampliar a voz desses países nos principais fóruns multilaterais.

O presidente da China destacou que os dois países compartilham responsabilidades relevantes diante de um ambiente global instável, caracterizado por conflitos regionais, rivalidades entre grandes potências e incertezas econômicas. Para Xi, a atuação coordenada de Brasil e China pode contribuir para a construção de uma ordem internacional mais equilibrada, baseada no multilateralismo, no respeito à soberania nacional e na promoção do desenvolvimento sustentável dos países emergentes.
Ao longo da ligação, Xi Jinping também ressaltou a importância de fortalecer o papel das Nações Unidas como eixo central da governança internacional. Na avaliação do dirigente chinês, a organização deve continuar sendo o principal espaço de diálogo e negociação entre os Estados, especialmente em um contexto de fragmentação política e enfraquecimento de mecanismos multilaterais tradicionais.
Outro ponto enfatizado pelo presidente chinês foi a disposição de Pequim em ampliar sua presença diplomática e econômica na América Latina e no Caribe. Segundo a Xinhua, Xi afirmou que a China está pronta para “sempre ser uma boa amiga e parceira” da região, sinalizando interesse em expandir parcerias em setores estratégicos como infraestrutura, energia, tecnologia, agricultura e transição ecológica. A declaração reforça a estratégia chinesa de consolidar sua influência em uma área considerada fundamental para sua política externa e para a diversificação de suas cadeias produtivas.
Para o Brasil, a ligação ocorre em um momento de fortalecimento do diálogo com a China, principal parceiro comercial do país há mais de uma década. O governo Lula tem defendido uma relação mais ampla, que vá além da exportação de commodities e inclua cooperação em inovação, indústria de alto valor agregado, ciência, saúde e desenvolvimento sustentável. Nos bastidores, diplomatas avaliam que o contato direto entre os dois presidentes reforça a intenção de manter canais políticos ativos e alinhados em temas estratégicos.
A conversa também se insere no contexto de articulação entre países do Brics e de outras coalizões do Sul Global, que vêm defendendo reformas em instituições como o Conselho de Segurança da ONU, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Tanto Brasil quanto China têm sustentado a necessidade de ampliar a representatividade dos países em desenvolvimento nos processos decisórios globais, com o objetivo de tornar o sistema internacional mais equilibrado e inclusivo.
Analistas apontam que o diálogo entre Lula e Xi reflete uma convergência de interesses em temas como defesa do multilateralismo, fortalecimento da cooperação Sul-Sul e busca por maior autonomia estratégica diante das disputas entre grandes potências. Em um cenário marcado por conflitos prolongados e rivalidades econômicas, a aproximação entre Brasil e China tende a ganhar peso como elemento de estabilidade e coordenação política no mundo em desenvolvimento.