O estudante Caio Braga, de 18 anos, morador do Recife, em Pernambuco, conquistou a nota máxima, 1000 pontos, na redação do Enem 2025 ao construir um texto considerado exemplar pela banca avaliadora. O desempenho de destaque foi resultado de uma abordagem consistente, repertório sociocultural bem articulado e domínio das competências exigidas pelo exame, especialmente ao relacionar literatura, cinema e reflexão social sobre o envelhecimento no Brasil.
O tema da redação deste ano, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, foi definido por Caio como diferente dos anos anteriores, justamente por exigir uma análise mais profunda e menos imediata do cotidiano dos candidatos. Segundo ele, a proposta abriu espaço para discutir desigualdades históricas e culturais que atravessam a forma como a sociedade enxerga a velhice.

Na construção do texto, o estudante optou por iniciar a argumentação a partir da obra “O Karaíba”, do escritor indígena Daniel Munduruku, leitura feita ainda no ensino médio. No primeiro parágrafo, Caio apresentou a visão dos povos originários sobre o envelhecimento, destacando o respeito aos mais velhos como guardiões da memória, do conhecimento e da identidade coletiva, em contraste com a lógica produtivista presente na sociedade contemporânea.
No segundo parágrafo, o jovem ampliou o debate ao contextualizar historicamente o envelhecer no Brasil colonial. Ele argumentou que alcançar a velhice era um privilégio restrito a determinados grupos sociais, já que a maioria da população, sobretudo pessoas pobres e escravizadas, enfrentava condições de vida que reduziam drasticamente a expectativa de vida. A abordagem permitiu discutir desigualdade social, exclusão histórica e a herança dessas estruturas no presente.
Já no terceiro parágrafo, Caio trouxe para o centro da discussão o filme “Vitória”, inspirado no livro “Dona Vitória Joana da Paz”, do jornalista Fábio Gusmão. A obra foi utilizada como exemplo contemporâneo de protagonismo na velhice, apresentando uma personagem idosa com autonomia, independência e capacidade de tomar decisões sobre a própria vida, rompendo estereótipos que associam envelhecimento à fragilidade e à inutilidade social.
De acordo com Caio, a escolha das referências não foi aleatória. Ele buscou conectar diferentes períodos históricos e linguagens para mostrar como a percepção sobre o envelhecimento muda conforme o contexto social, cultural e econômico. Essa articulação entre passado e presente foi um dos pontos fortes do texto, além da clareza na defesa da tese e do uso adequado da norma padrão da língua portuguesa.
Especialistas em educação apontam que o resultado do estudante reflete não apenas talento individual, mas também a importância do incentivo à leitura crítica e ao contato com produções culturais diversas durante a formação escolar. A redação de Caio é vista como um exemplo de como repertório bem selecionado, quando usado de forma pertinente, pode elevar significativamente o desempenho no Enem.
Para o estudante, a nota 1000 representa mais do que um resultado acadêmico. É a confirmação de que refletir sobre temas sociais complexos, valorizar a diversidade cultural e compreender a história do país são caminhos essenciais para uma educação mais completa e transformadora.