Um grupo de estudantes da Escola Sesi Senai do Ceará conquistou destaque internacional ao vencer medalhas de bronze na World Robot Olympiad, uma das maiores e mais respeitadas competições de robótica educacional do mundo. O evento foi realizado em Singapura entre os dias 26 e 28 de novembro e reuniu jovens talentos de dezenas de países, todos apresentando projetos tecnológicos voltados à solução de problemas reais da sociedade.
A competição é conhecida por estimular criatividade, pensamento crítico e aplicação prática da ciência e da tecnologia desde cedo. Nesta edição, o Brasil foi representado por seis equipes que alcançaram a fase final, um feito expressivo diante do alto nível técnico do torneio. O resultado foi histórico, com medalhas de prata e bronze trazidas para o país, reforçando o crescimento da robótica educacional brasileira no cenário internacional.

Entre as equipes brasileiras, duas formações da Escola Sesi Senai do Ceará, localizada no bairro Parangaba, em Fortaleza, chamaram a atenção dos jurados pelas soluções inovadoras e pelo impacto social de seus projetos. Um dos destaques foi o robô Amiko, desenvolvido pela equipe All Might Kids, da subcategoria Elementary, composta pelos estudantes Samuel Dutra, Miguel Mota e Thales de Sousa, todos com apenas 12 anos de idade.
O Amiko foi criado com o objetivo de apoiar professores em sala de aula, especialmente no acompanhamento de crianças com dificuldades de aprendizagem ou comunicação. O robô conta com um sistema de comunicação alternativa e aumentativa integrado, permitindo interações mais acessíveis para alunos que enfrentam barreiras no processo educacional tradicional. Durante o uso, o dispositivo é capaz de observar padrões de comportamento infantil, como níveis de atenção, respostas a estímulos e interações sociais.
Essas informações são coletadas e analisadas por um sistema de inteligência artificial, que organiza os dados e os transforma em relatórios claros e objetivos. Os relatórios ajudam educadores a compreender melhor os hábitos, dificuldades e necessidades específicas de cada aluno, possibilitando intervenções pedagógicas mais precisas e personalizadas. A proposta do Amiko vai além da automação, pois busca fortalecer a relação entre tecnologia e inclusão educacional.
A relevância do projeto ganha ainda mais peso diante dos números globais. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, mais de 240 milhões de crianças em todo o mundo vivem com algum tipo de dificuldade de aprendizagem ou comunicação. Tecnologias como o robô Amiko têm potencial para beneficiar diretamente esse público, oferecendo ferramentas que auxiliam professores e promovem um ambiente de ensino mais inclusivo e eficiente.
A conquista das medalhas de bronze em Singapura não representa apenas um prêmio, mas o reconhecimento internacional da capacidade criativa e técnica de estudantes brasileiros da rede educacional. O resultado reforça a importância do investimento em educação tecnológica desde cedo e mostra que soluções inovadoras podem surgir de jovens talentos, inclusive de escolas públicas e técnicas do Nordeste brasileiro.