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Estudo diz que morte de pet causa um luto mais intenso do que a de parentes

Mundo Animal

A convivência entre humanos e animais de estimação tem se consolidado, ao longo das últimas décadas, como um vínculo afetivo profundo, contínuo e carregado de significado emocional. Para milhões de pessoas, cães, gatos e outros pets não ocupam apenas um espaço doméstico, mas fazem parte da estrutura emocional da família, participam da rotina diária e oferecem suporte psicológico constante. Um estudo recente publicado na revista científica PLOS ONE reforça essa percepção ao apontar que a morte de um animal de estimação pode provocar um luto mais intenso do que a perda de um parente próximo.

A pesquisa foi realizada com adultos residentes no Reino Unido que já haviam enfrentado a perda de um pet ao longo da vida. Ao analisar os relatos, os pesquisadores identificaram que cerca de 20% dos entrevistados afirmaram que o sofrimento causado pela morte do animal foi maior do que aquele vivenciado na morte de um familiar. Os dados também revelaram níveis elevados de sintomas associados ao transtorno de luto prolongado, uma condição caracterizada por dor persistente, dificuldade de adaptação à ausência e impacto significativo no funcionamento emocional e social do indivíduo.

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Segundo os autores do estudo, esse tipo de luto tende a ser mais intenso porque a relação com o animal de estimação envolve contato diário, cuidado contínuo e uma dinâmica afetiva baseada na previsibilidade e na ausência de conflitos. O pet costuma estar presente em momentos de descanso, lazer e vulnerabilidade emocional, criando uma sensação constante de companhia e segurança. Para muitas pessoas, especialmente aquelas que vivem sozinhas ou enfrentam quadros de ansiedade, depressão ou estresse crônico, o animal exerce um papel fundamental de apoio emocional.

Outro ponto destacado pela pesquisa é o fator social. Diferentemente da morte de um familiar, o luto pela perda de um pet nem sempre recebe validação social. Muitos entrevistados relataram que evitaram falar sobre a dor por medo de julgamento ou de ouvir comentários que minimizassem o sofrimento, como a ideia de que se trata “apenas de um animal”. Essa desvalorização pode agravar o impacto psicológico, dificultando o processo de elaboração do luto e aumentando a sensação de isolamento emocional.

Os pesquisadores também observaram que a intensidade do sofrimento está diretamente ligada ao grau de apego e ao papel que o animal desempenhava na vida do tutor. Pets que acompanhavam o dono por muitos anos, ajudavam a enfrentar períodos difíceis ou representavam uma das principais fontes de afeto tendem a deixar um vazio emocional mais profundo quando morrem. Em alguns casos, a perda desencadeia mudanças significativas na rotina, como dificuldade para dormir, perda de apetite, queda de produtividade e retraimento social.

O estudo reforça a importância de reconhecer o luto por animais de estimação como uma experiência legítima e potencialmente complexa. Especialistas defendem que profissionais da saúde mental estejam atentos a esse tipo de perda e ofereçam acolhimento adequado, sem minimizar a dor relatada pelos pacientes. O reconhecimento social e clínico do luto por pets é apontado como um passo essencial para reduzir o sofrimento prolongado e ajudar as pessoas a atravessarem esse processo de forma mais saudável.

Fonte: PLOS ONE, estudo publicado em 14 de fevereiro.

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