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EUA registram 15 milhões de casos de gripe e superam 7 mil mortes confirmadas

Ciência e Tecnologia

Desde o fim de dezembro de 2025, os Estados Unidos enfrentam uma das temporadas de gripe mais severas das últimas décadas. Estimativas oficiais indicam que cerca de 15 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus influenza em poucas semanas, um avanço rápido que resultou em aproximadamente 7,4 mil mortes em todo o país. O volume expressivo de casos reacendeu o alerta das autoridades sanitárias e expôs novamente a vulnerabilidade do sistema de saúde diante de surtos respiratórios de grande escala.

Levantamentos divulgados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças mostram que a pressão sobre hospitais e unidades de emergência atingiu patamares que não eram observados desde a temporada de gripe de 1997 a 1998, considerada a mais intensa já registrada no país. Nesse intervalo recente, aproximadamente 180 mil pessoas precisaram ser hospitalizadas, muitas delas com complicações graves como pneumonias, crises respiratórias agudas e descompensação de doenças crônicas, especialmente entre idosos, crianças pequenas e pacientes imunossuprimidos.

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O rigor do inverno no Hemisfério Norte teve papel central na disseminação acelerada do vírus. As baixas temperaturas, associadas a ambientes fechados e maior proximidade entre as pessoas, favoreceram a transmissão, que se intensificou de forma marcante ao longo de dezembro. Embora especialistas indiquem que a circulação viral tende a diminuir gradualmente com o aumento das temperaturas, os relatórios oficiais apontam que a atividade da gripe deve permanecer elevada por várias semanas, mantendo o risco de novos picos regionais.

Os números reforçam a gravidade do cenário quando comparados a anos anteriores. Na última semana de 2025, cerca de 8,2% de todas as consultas médicas realizadas nos Estados Unidos tiveram como motivo principal sintomas gripais. No mesmo período de 2024, que já havia sido classificado como um ano de forte circulação do vírus, esse percentual foi de 6,7%. A diferença revela um crescimento significativo tanto na transmissão quanto no impacto direto sobre os serviços de saúde.

A cepa predominante nesta temporada é conhecida como gripe K, causada pelo subclado K da influenza A (H3N2). Apesar de apresentar sintomas semelhantes aos da gripe tradicional, como febre alta, dores musculares, tosse persistente e fadiga intensa, essa variante tem sido associada a um número maior de quadros respiratórios graves. O resultado é um aumento expressivo das internações por infecções respiratórias, o que contribui para a superlotação hospitalar e eleva o risco de óbitos entre grupos mais vulneráveis.

Mesmo diante do cenário preocupante, dados relacionados à vacinação trazem um sinal positivo. O CDC citou um estudo realizado na Inglaterra durante um período de forte circulação do subclado K da influenza A (H3N2). A pesquisa demonstrou que a vacina da temporada 2025 a 2026 manteve eficácia relevante na redução de atendimentos de emergência e hospitalizações. Entre crianças e adolescentes com menos de 18 anos, a proteção variou de 72% a 75%. Já entre adultos a partir de 18 anos, a eficácia ficou entre 32% e 39%, números considerados importantes para reduzir casos graves e mortes.

O impacto da influenza A (H3N2) não se limita aos Estados Unidos. O Brasil também aparece em situação de atenção elevada. Segundo relatório divulgado em dezembro pela Organização Mundial da Saúde, o país está entre os que lideram o número de casos desse subtipo viral nas Américas. Mais de 30% das pessoas que buscaram atendimento médico com sintomas gripais testaram positivo para influenza A (H3N2), indicando ampla circulação do vírus em território nacional.

Autoridades de saúde reforçam a importância da vacinação como principal ferramenta de prevenção, além de medidas complementares como higiene frequente das mãos, uso de máscara em ambientes fechados e lotados, ventilação adequada e busca imediata por atendimento médico em casos de sintomas intensos. O avanço da gripe nesta temporada evidencia que a doença continua sendo um desafio relevante para a saúde pública, com potencial de causar impactos significativos quando encontra condições favoráveis para se espalhar.

Fonte: Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e Organização Mundial da Saúde (OMS).

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