Uma ex-funcionária do governo Bush reacendeu uma teoria que mistura política, finanças e sobrevivência. Catherine Austin Fitts, ex-secretária assistente de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos, afirmou que o país teria gasto cerca de 21 trilhões de dólares na construção de uma rede subterrânea de bunkers voltados à elite mundial. Segundo ela, esses abrigos foram erguidos em sigilo, equipados com tecnologia de ponta e preparados para suportar catástrofes globais, colapsos econômicos ou até o fim do mundo.
Fitts afirma que os recursos usados para o projeto foram desviados discretamente do orçamento federal entre 1998 e 2015. A soma incluiria valores “não rastreados” nos departamentos de Defesa e Habitação. Ela sustenta que esses trilhões teriam sido direcionados para financiar mais de uma centena de estruturas subterrâneas interligadas, com energia independente, transporte interno e áreas de moradia capazes de sustentar vida humana por longos períodos.

A ex-funcionária diz que parte dessas instalações estaria localizada sob grandes montanhas, enquanto outras ficariam em regiões remotas, protegidas contra bombardeios e desastres naturais. Também haveria seções subaquáticas destinadas a experimentos e pesquisas de alta segurança. De acordo com suas declarações, os bunkers teriam condições de abrigar personalidades políticas, empresários, cientistas e militares em situações de colapso civilizacional.
Para reforçar sua tese, Fitts menciona relatórios antigos de contabilidade do governo norte-americano que apontam discrepâncias bilionárias. Ela relaciona esses números a projetos secretos de infraestrutura e tecnologia, incluindo supostos sistemas de transporte subterrâneo e energia não convencional. Em suas palavras, o governo teria criado “uma segunda civilização invisível”, pronta para emergir caso o mundo enfrente um evento de extinção.
Apesar do impacto das declarações, até o momento não há evidências públicas que comprovem a existência dessas estruturas. Nenhum documento oficial foi apresentado, e o governo dos Estados Unidos não reconhece a existência de projetos com esse nível de investimento. Economistas e especialistas em auditoria afirmam que as “contas não rastreadas” mencionadas por Fitts podem se referir a ajustes contábeis ou erros administrativos comuns em registros de longo prazo.

O tema, no entanto, desperta interesse e medo. A ideia de que os poderosos teriam um refúgio exclusivo enquanto o restante da humanidade enfrentaria o caos alimenta debates sobre desigualdade, poder e transparência. Além disso, reacende o imaginário popular sobre conspirações governamentais, projetos secretos e planos de sobrevivência para o fim dos tempos.
Nos Estados Unidos, a existência de bunkers oficiais não é novidade. Desde a Guerra Fria, o país mantém instalações subterrâneas destinadas à continuidade do governo, como o Mount Weather Operations Center e o Cheyenne Mountain Complex. O que diferencia a versão de Fitts é a escala colossalde do suposto investimento e a natureza elitista de quem teria acesso a esses refúgios.
Em tempos de instabilidade global, guerras, pandemias e crises climáticas, histórias assim encontram terreno fértil. Mesmo sem provas concretas, a denúncia de Fitts serve como lembrete da distância crescente entre governos e cidadãos comuns, além de levantar a pergunta que instiga o imaginário coletivo: e se, de fato, existir um mundo subterrâneo preparado para o dia em que a superfície deixar de ser habitável?