Os telefones públicos, popularmente conhecidos como orelhões, caminham para desaparecer das ruas brasileiras após mais de cinco décadas de presença marcante no cotidiano da população. A Agência Nacional de Telecomunicações informou que aproximadamente 30 mil aparelhos ainda em funcionamento serão gradualmente desativados até 31 de dezembro de 2028, prazo que coincide com o encerramento dos contratos de concessão da telefonia fixa e a migração definitiva do setor para o regime privado.
Implantados em 1972 como uma solução para democratizar o acesso à comunicação, os orelhões rapidamente se tornaram um símbolo urbano. Em seu auge, o Brasil chegou a contar com mais de 1,5 milhão de unidades espalhadas por ruas, praças, rodoviárias e áreas comerciais. Durante décadas, esses aparelhos foram essenciais para chamadas de emergência, contatos familiares e serviços profissionais, especialmente em regiões onde o telefone residencial ainda era um privilégio restrito.

Com o avanço tecnológico e a popularização dos celulares, o uso dos telefones públicos entrou em declínio acentuado a partir dos anos 2000. Dados da Anatel indicam que, atualmente, a maioria dos aparelhos registra volume mínimo de chamadas, muitas vezes insuficiente para justificar os custos de manutenção, energia e vigilância contra vandalismo. Esse cenário levou a agência a autorizar um processo gradual de retirada, alinhado às mudanças no perfil de consumo da população.
A desativação faz parte de uma estratégia mais ampla do setor de telecomunicações, que prioriza investimentos em banda larga, redes móveis e infraestrutura digital. As operadoras passaram a concentrar recursos na expansão de fibra óptica, no reforço da cobertura 4G e 5G e na melhoria da conectividade em áreas urbanas e rurais. A decisão também reflete a transformação do telefone fixo, que deixou de ser um serviço essencial para a maioria dos usuários.
Apesar da retirada progressiva, a Anatel determinou que cerca de 9 mil orelhões deverão permanecer ativos até 2028 em localidades que ainda não dispõem de cobertura móvel adequada. Nessas regiões, os telefones públicos continuam sendo considerados um meio básico de comunicação, especialmente para emergências, serviços públicos e populações com acesso limitado à tecnologia digital.
Paralelamente, as concessionárias assumiram compromissos formais de ampliar a infraestrutura de telecomunicações em todo o país. Entre as metas estão a expansão da rede de fibra óptica, a instalação de novas antenas móveis, a modernização de equipamentos e a melhoria da conectividade em escolas públicas, unidades de saúde e áreas remotas. A agência reguladora afirma que esses investimentos são fundamentais para reduzir desigualdades regionais e garantir inclusão digital.
A retirada dos orelhões marca o fim de uma era na história das comunicações no Brasil. Para muitos brasileiros, esses aparelhos representam lembranças de filas em dias de chuva, chamadas rápidas para casa e contatos urgentes em momentos decisivos. Agora, cedem espaço a uma realidade dominada por smartphones, aplicativos e internet de alta velocidade, simbolizando a transição definitiva do país para a comunicação digital.