Pesquisadores japoneses da Universidade Metropolitana de Osaka fizeram uma descoberta surpreendente: um composto presente no gengibre asiático chamado Kaempferia galanga, conhecido como kencur, demonstrou capacidade de enfraquecer células tumorais. Liderada pela professora associada Akiko Kojima-Yuasa, a equipe identificou que o éster ethyl p-methoxycinnamate (EMC), presente no kencur, é capaz de inibir a síntese de ácidos graxos dentro das células cancerígenas. Isso compromete a produção de energia essencial para o crescimento dos tumores, tornando as células mais vulneráveis. Diferente de muitos tratamentos convencionais, esse composto não afeta diretamente a glicólise (a principal via energética das células tumorais), mas atinge o metabolismo lipídico, forçando uma compensação energética que resulta em instabilidade celular. O EMC também reduz a expressão de genes importantes como TFAM e cyclin D1, além de aumentar a expressão do gene p21, que atua como um freio no ciclo celular, impedindo a progressão da divisão celular pela fase S. Embora os testes ainda estejam em fase laboratorial e em modelos animais, os resultados foram muito promissores.

Além do EMC, outros compostos presentes no gengibre como o gingerol e o shogaol também já foram associados a efeitos anticancerígenos em diversos estudos. O 6-gingerol, por exemplo, já demonstrou inibir a proliferação de células tumorais, induzir a morte programada (apoptose) e bloquear o ciclo celular em diferentes tipos de câncer, como colorretal, ovário, mama, pulmão e pâncreas. Em estudo com células de câncer de ovário, o gengibre regulou a metilação de RNA (m6A), afetando diretamente genes como cldn7, cldn11 e cd274, o que enfraqueceu a capacidade invasiva das células. Já em modelos animais com câncer de pâncreas, o extrato de gengibre induziu autofagia e morte celular, retardando significativamente o crescimento tumoral sem causar efeitos adversos visíveis.
Apesar das descobertas promissoras, os pesquisadores reforçam que os estudos são preliminares e não devem ser interpretados como comprovação de cura ou tratamento para o câncer. Ainda são necessários testes clínicos em humanos para validar a eficácia terapêutica e a segurança do EMC e de outros compostos do gengibre no contexto do tratamento oncológico. Mesmo assim, essa linha de pesquisa abre caminho para novas abordagens complementares no combate ao câncer, explorando substâncias naturais que atuam diretamente no metabolismo celular das células tumorais.
Fontes como o portal da Sociedade Japonesa para Promoção da Ciência, o site da TV do Povo e artigos científicos publicados em bases como PubMed e Plos One corroboram essas informações e destacam a relevância dessa descoberta dentro da oncologia nutricional. A perspectiva futura é desenvolver terapias que usem compostos naturais como aliados de tratamentos convencionais, aumentando a eficácia e diminuindo os efeitos colaterais. O estudo representa um marco importante na integração entre medicina natural e pesquisa científica avançada.