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Infartos e AVCs em jovens disparam no Brasil e acendem alerta sobre hábitos e estilo de vida

Ciência e Tecnologia

Entre 2022 e 2024, mais de 234 mil brasileiros com menos de 40 anos precisaram de atendimento hospitalar por infarto ou Acidente Vascular Cerebral. O dado choca por revelar uma mudança preocupante no perfil das doenças cardiovasculares. Antes associadas a pessoas idosas ou com histórico familiar, essas condições agora atingem de forma crescente jovens em plena fase produtiva. O número de óbitos registrados no mesmo período ultrapassa 7,8 mil, e especialistas apontam uma combinação de fatores comportamentais e biológicos que explicam o avanço silencioso desse fenômeno.

O sedentarismo é uma das principais causas, agravado pelo uso intensivo de tecnologia, jornadas de trabalho longas e a falta de tempo para práticas regulares de atividade física. A Organização Mundial da Saúde recomenda ao menos 150 minutos semanais de exercícios moderados, mas boa parte dos jovens brasileiros não chega nem à metade disso. Esse déficit de movimento, associado ao consumo excessivo de ultraprocessados ricos em gordura, sódio e açúcar, cria um ambiente interno propício à inflamação, resistência à insulina e acúmulo de placas nas artérias.

Outro ponto alarmante é o uso indiscriminado de anabolizantes e suplementos hormonais. Homens entre 18 e 35 anos vêm utilizando essas substâncias para fins estéticos, o que compromete gravemente o equilíbrio cardiovascular. Os anabolizantes alteram o metabolismo de lipídios, reduzem o colesterol bom e aumentam o ruim, provocam hipertensão e aumentam o risco de arritmias e tromboses. O uso prolongado pode ainda gerar lesões cardíacas irreversíveis.

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Nas mulheres, o uso de anticoncepcionais hormonais associado a outros fatores de risco, como tabagismo e sedentarismo, eleva significativamente a probabilidade de eventos trombóticos, especialmente quando há histórico familiar de doenças cardiovasculares. Contraceptivos combinados, que contêm estrogênio e progestágeno, podem alterar a coagulação do sangue e favorecer a formação de coágulos, aumentando as chances de um AVC isquêmico. Por isso, médicos recomendam avaliações periódicas e individualizadas antes da prescrição.

O tabagismo, mesmo em queda nas últimas décadas, continua sendo um dos grandes vilões. O consumo de cigarros eletrônicos vem crescendo de forma acelerada entre os jovens, e muitos acreditam que sejam alternativas seguras, o que é um equívoco. Esses dispositivos contêm nicotina e outras substâncias tóxicas que prejudicam os vasos sanguíneos e aumentam o risco de infarto precoce. Além disso, o estresse crônico e a privação de sono agravam a situação. A rotina de trabalho e estudo, somada à hiperconectividade e à falta de descanso adequado, causa picos de cortisol e adrenalina, hormônios que elevam a pressão arterial e sobrecarregam o coração.

A ausência de sono reparador também prejudica o metabolismo e está ligada à obesidade e à resistência à insulina, dois fatores determinantes no aumento dos casos. Estudos recentes mostram que jovens com hábitos alimentares pobres em fibras e ricos em gorduras saturadas apresentam rigidez arterial precoce, um marcador típico de envelhecimento vascular. Isso significa que o corpo de muitos jovens brasileiros, em termos cardiovasculares, se comporta como o de adultos de meia-idade.

Os dados também evidenciam a importância de identificar sintomas precoces. A dor ou pressão no peito, a falta de ar, a dor irradiando para o braço esquerdo, a tontura e a sudorese fria são sinais clássicos de infarto. No caso do AVC, sintomas como boca torta, fala enrolada, fraqueza em um lado do corpo e dor de cabeça súbita exigem atendimento imediato. O tempo é um fator determinante para a recuperação e a sobrevivência.

Para reverter essa tendência, especialistas defendem ações integradas de saúde pública e educação preventiva. É preciso fortalecer campanhas que incentivem alimentação natural e equilibrada, com redução do consumo de refrigerantes, embutidos e fast food, e ampliar o acesso a espaços seguros para atividade física. A atenção primária deve incluir a aferição rotineira de pressão arterial, exames de colesterol, glicemia e rastreamento de fatores hereditários.

Programas em escolas e universidades também podem ajudar a conscientizar os jovens sobre os riscos de hábitos nocivos e o impacto cumulativo de escolhas diárias. O enfrentamento desse problema exige mais do que intervenções médicas, depende de uma mudança cultural na forma como se enxerga o cuidado com o corpo e a mente. Cuidar do coração e do cérebro não é apenas evitar doenças, é preservar a vitalidade, a energia e o equilíbrio que sustentam toda a vida moderna.

O desafio agora é transformar os alarmantes números de 2022 a 2024 em um ponto de virada para uma geração que ainda pode evitar o adoecimento precoce se agir com informação, prevenção e responsabilidade.

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