O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 16 de janeiro, que o Jair Bolsonaro chegou a reunir cerca de 30 milhões de seguidores nas redes sociais mesmo, segundo suas palavras, difundindo conteúdos sem compromisso com a verdade. A declaração foi feita durante um discurso marcado por forte tom político e eleitoral, no qual Lula demonstrou preocupação com o impacto das redes sociais no debate público e no processo democrático brasileiro.
A fala ocorreu durante a cerimônia que celebrou os 90 anos da criação do salário mínimo no Brasil, realizada na Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro. Diante de autoridades, sindicalistas e representantes de movimentos sociais, o presidente usou exemplos do ambiente digital para ilustrar como a lógica das plataformas favorece conteúdos sensacionalistas, simplificados ou falsos, em detrimento de informações técnicas e educativas.

Durante o discurso, Lula comparou a baixa visibilidade de professores e especialistas com a popularidade de figuras públicas que apostam em discursos apelativos. Segundo ele, dificilmente profissionais que ensinam matemática, geografia ou outras áreas do conhecimento alcançam milhões de seguidores, enquanto conteúdos considerados “bobagem” podem atingir dezenas de milhões de pessoas. Para o presidente, esse fenômeno contribui para a distorção da realidade e para a naturalização da mentira como instrumento de convencimento político.
O chefe do Executivo alertou que a proximidade das eleições de 2026 exige atenção redobrada da sociedade. Em sua avaliação, o avanço da tecnologia, aliado ao funcionamento dos algoritmos das redes sociais, cria um ambiente propício à manipulação de informações. Lula afirmou que a população não pode se permitir agir como extensões automáticas dessas plataformas, reforçando que decisões políticas devem ser tomadas com base em reflexão, empatia e análise crítica.
Outro ponto central do discurso foi o uso da inteligência artificial na produção de conteúdos falsos. Lula chamou atenção para o crescimento de denúncias envolvendo a manipulação de imagens, especialmente de mulheres, com montagens de cunho sexual. Ele destacou que esse tipo de prática representa uma forma grave de violência digital, com impactos diretos na dignidade, na segurança e na saúde emocional das vítimas.
O presidente também sinalizou que o país precisa se preparar institucionalmente para enfrentar esses desafios. Segundo ele, será necessário fortalecer mecanismos de combate à desinformação, ampliar o debate sobre regulação das plataformas digitais e investir em educação midiática, para que a população consiga identificar conteúdos falsos e compreender como funcionam os sistemas de recomendação das redes.
A referência a Bolsonaro ocorreu um dia após o ex-mandatário ter sido transferido da superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para a Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. O contexto reforçou o caráter político da fala de Lula, que buscou relacionar o passado recente do país com os riscos futuros para a democracia.
Ao final do discurso, o presidente reiterou que o enfrentamento da mentira e da manipulação digital não depende apenas do Estado, mas também do comportamento coletivo. Para Lula, preservar a democracia passa por reconhecer os perigos do ambiente virtual, exigir responsabilidade das plataformas e valorizar a informação baseada em fatos, ciência e compromisso social.