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Mais de 700 cidades brasileiras têm água da torneira contaminada com substâncias químicas e até radioativas

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Estudo revela riscos silenciosos no consumo de água potável em diversas regiões do Brasil

Um relatório divulgado recentemente pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Efeitos de Substâncias Tóxicas (INCT-Tox) e complementado por dados do Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano) revelou um cenário alarmante: mais de 700 municípios brasileiros fornecem água com substâncias químicas potencialmente perigosas à saúde, incluindo resíduos radioativos.

O estudo analisou dados entre 2018 e 2023 e apontou a presença constante de trihalometanos, nitratos, pesticidas, metais pesados e até substâncias radioativas como o rádio-226 e rádio-228 na água que chega às torneiras da população.

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Os vilões invisíveis da água potável

Muitas dessas substâncias não têm sabor nem cheiro e são imperceptíveis a olho nu, o que torna o problema ainda mais grave. Os trihalometanos (THMs), por exemplo, são compostos formados a partir da reação do cloro com matéria orgânica presente na água e estão associados ao aumento do risco de câncer de bexiga, fígado e rins.

Já os nitratos, oriundos de fertilizantes e resíduos industriais, podem prejudicar a oxigenação do sangue, principalmente em bebês, e estão ligados a problemas hormonais e neurológicos.

A detecção de radiação natural em amostras de água, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, levanta um alerta ainda mais preocupante. A exposição prolongada a elementos radioativos mesmo em baixas concentrações pode causar mutações genéticas e diversos tipos de câncer.


Municípios afetados

A contaminação não está restrita a pequenas cidades ou regiões específicas. Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, Goiânia e Porto Alegre também apresentaram concentrações acima do recomendado para determinados compostos.

Confira alguns dados relevantes:

  • Trihalometanos detectados em 1.139 municípios (em alguns casos, com níveis superiores ao limite da OMS).
  • Agrotóxicos presentes em 34% dos sistemas de abastecimento avaliados.
  • Radioatividade natural excedente em aproximadamente 100 cidades.

O que dizem os órgãos responsáveis?

A ANA (Agência Nacional de Águas) e o Ministério da Saúde afirmam que estão atualizando os parâmetros de controle e fiscalização da água potável no país. A portaria que define os padrões de potabilidade no Brasil (GM/MS nº 888/2021) está sendo revisada para incluir limites mais rígidos para substâncias tóxicas e reforçar a transparência na divulgação de dados.

Entretanto, especialistas criticam a morosidade do governo. Segundo o professor e toxicologista Dr. Pedro Arantes, da USP, “a legislação brasileira ainda permite níveis que a ciência moderna já reconhece como perigosos. Estamos expostos diariamente sem saber.”


O que o consumidor pode fazer?

Embora a responsabilidade primária seja dos governos e concessionárias de água, consumidores podem tomar medidas paliativas para reduzir os riscos:

  • Utilizar filtros certificados que eliminem contaminantes químicos e metais pesados;
  • Evitar o consumo direto de água da torneira sem fervura ou filtragem;
  • Cobrar transparência das empresas de abastecimento e participar de audiências públicas sobre saneamento;
  • Verificar os relatórios locais de qualidade da água, disponíveis no site das prefeituras ou do Sisagua.

Conclusão

O acesso à água potável é um direito fundamental garantido pela Constituição. Porém, os dados recentes revelam que milhões de brasileiros estão expostos a uma água contaminada, mesmo dentro da legalidade. A urgência de políticas públicas mais eficazes e a revisão das normas de qualidade são essenciais para garantir a segurança da população.

Enquanto isso, a conscientização da sociedade é o primeiro passo para a mudança.

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