A morte de uma criança de 11 anos por Doença de Chagas provocou comoção e acendeu um alerta sanitário em Belém e em municípios da Região Metropolitana. Maria Luiza Rodrigues, moradora de Ananindeua, faleceu após evoluir para insuficiência cardíaca, a manifestação mais grave da doença, segundo informações médicas repassadas à família.
A menina estava internada desde o dia 11 deste mês no Hospital Beneficente Portuguesa, localizado no bairro do Umarizal, em Belém. Durante o período de internação, exames laboratoriais confirmaram a infecção pelo protozoário Trypanosoma cruzi, agente causador da Doença de Chagas. Apesar das tentativas de estabilização clínica, o quadro se agravou rapidamente, levando à falência do coração.
O sepultamento ocorreu na tarde de ontem, em um cemitério particular, sob forte comoção de familiares e amigos. A família relatou que a criança não apresentava histórico de problemas cardíacos e que os primeiros sintomas surgiram de forma inesperada, com febre, cansaço intenso e mal-estar persistente.
Familiares informaram ainda que, dias antes do agravamento do quadro, houve consumo de açaí no município de Ananindeua. A suspeita é de transmissão oral da doença, forma considerada rara, mas já registrada na Região Norte, especialmente associada ao consumo de alimentos contaminados durante o processamento artesanal.
Um irmão da vítima, também criança, permanece internado com diagnóstico confirmado de Doença de Chagas. Ele está sob monitoramento médico constante e recebe tratamento específico. O estado de saúde não foi detalhado oficialmente, mas a família informou que o quadro inspira cuidados.
A Doença de Chagas é uma enfermidade infecciosa causada por um parasita transmitido principalmente pelo inseto conhecido como barbeiro. No entanto, na Amazônia, a principal forma de contágio tem sido a via oral, por meio da ingestão de alimentos contaminados, sobretudo o açaí e o caldo de cana, quando manipulados sem higiene adequada.
Na fase aguda, os sintomas podem incluir febre, inchaço, dores no corpo, fadiga e alterações cardíacas. Em casos mais graves, como o de Maria Luiza, a infecção pode evoluir rapidamente para inflamação do coração, arritmias severas e insuficiência cardíaca, condição que pode ser fatal.
Autoridades de saúde devem iniciar uma investigação epidemiológica para identificar a origem da contaminação e verificar possíveis falhas no processamento do alimento consumido. A vigilância sanitária costuma intensificar fiscalizações em pontos de venda e orientar produtores sobre boas práticas de higiene, uso de peneiras, lavagem adequada e armazenamento correto do fruto.
Especialistas alertam que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações. O tratamento, quando iniciado nas fases iniciais, tem alta taxa de sucesso e reduz significativamente o risco de danos permanentes ao coração e a outros órgãos.
O caso reacende a preocupação com a segurança alimentar na Região Metropolitana de Belém e reforça a necessidade de campanhas educativas para consumidores e comerciantes. A orientação é adquirir açaí apenas de locais regularizados, observar condições de higiene e, sempre que possível, consumir o produto pasteurizado ou submetido a tratamento térmico.
Enquanto a família tenta lidar com a perda, a cidade acompanha com atenção o desdobramento do caso, que expõe novamente os riscos silenciosos de uma doença ainda presente na região e que, em situações extremas, pode ter consequências fatais.
