A Meta News App anunciou recentemente a desativação dos temas de chat voltados a pessoas trans e não binárias no Messenger e no Instagram, recursos que haviam sido lançados em 2021 e 2022 com o objetivo de celebrar datas simbólicas e ampliar a visibilidade da diversidade de gênero dentro das plataformas. A retirada dessas opções ocorreu de forma discreta, sem uma campanha pública explicativa, o que ampliou a sensação de surpresa e insegurança entre usuários e organizações ligadas à comunidade LGBTQ+.
Os temas personalizados permitiam que conversas ganhassem cores, símbolos e identidades visuais associadas a pautas de inclusão, funcionando como um gesto simbólico de reconhecimento e apoio. Para muitos usuários, esses recursos iam além da estética, representavam pertencimento, validação e a percepção de que suas identidades eram respeitadas em ambientes digitais de grande alcance. Com a remoção, grupos ativistas passaram a expressar frustração, apontando que a decisão sinaliza um possível retrocesso no compromisso público da empresa com a diversidade.

A mudança faz parte de um pacote mais amplo de revisões internas conduzidas pela Meta, que nos últimos meses vem reformulando suas políticas corporativas e operacionais. Entre essas alterações está o encerramento de programas de diversidade, equidade e inclusão, conhecidos como DEI, que buscavam ampliar a representatividade interna, reduzir desigualdades e criar ambientes mais inclusivos para funcionários de diferentes origens, identidades e orientações.
Outro ponto que gerou forte repercussão foi a atualização das diretrizes de moderação de conteúdo. De acordo com especialistas e entidades de defesa dos direitos humanos, as novas regras passaram a permitir a circulação de mensagens que classificam pessoas LGBTQ+ como “doentes mentais” com base em sua orientação sexual ou identidade de gênero. Esse tipo de discurso, antes enquadrado com mais rigor como ofensivo ou discriminatório, agora encontra maior margem para permanecer ativo nas plataformas, o que levanta preocupações sobre o aumento de discursos de ódio e seus impactos psicológicos e sociais.
Representantes da comunidade LGBTQ+ alertam que decisões como essa tendem a fortalecer ambientes digitais hostis, onde a normalização da desinformação e da linguagem estigmatizante pode resultar em mais ataques, assédio e exclusão. Para esses grupos, a responsabilidade de empresas que controlam redes com bilhões de usuários é proporcional ao seu alcance e influência social.
Embora a empresa não tenha apresentado justificativas detalhadas sobre a remoção específica dos temas de chat no Messenger e no Instagram, a repercussão negativa reacendeu o debate global sobre o papel das grandes plataformas digitais na proteção de minorias e na promoção de ambientes online seguros. Analistas apontam que, em um cenário de crescente polarização, decisões corporativas aparentemente técnicas ou estéticas podem carregar forte peso simbólico e político, afetando diretamente a forma como milhões de pessoas se sentem representadas ou silenciadas no espaço digital, inclusive dentro do Facebook.