A morte de Constantino de Oliveira Júnior, aos 57 anos, encerra um dos capítulos mais marcantes da história recente da aviação comercial brasileira. Empresário visionário e um dos fundadores da Gol Linhas Aéreas Inteligentes, ele faleceu na manhã deste sábado, em São Paulo, após enfrentar uma longa batalha contra um câncer. A informação foi confirmada pela própria companhia e por familiares próximos.
Internado há algumas semanas, Constantino vinha passando por tratamentos intensivos, longe da exposição pública que marcou grande parte de sua trajetória profissional. Apesar da discrição dos últimos meses, sua condição de saúde já era conhecida por pessoas próximas ao setor aéreo. Até o início de janeiro, ele ainda participava de reuniões estratégicas do conselho da empresa, função que ocupava desde que deixou a presidência executiva.

Nascido em 1968, em São Paulo, Constantino cresceu em uma família tradicional do setor de transportes. Filho de Nenê Constantino, fundador da Viação Cometa, iniciou a carreira ainda jovem na Comporte Participações, grupo que reúne empresas de ônibus intermunicipais e interestaduais. Foi nesse ambiente que adquiriu experiência administrativa e visão empresarial, características que mais tarde seriam decisivas na criação de um novo modelo de companhia aérea no país.
Em 2001, ao lado dos irmãos e de outros sócios, fundou a Gol com uma proposta ousada para a época, operar voos com estrutura simplificada, frota padronizada e tarifas mais acessíveis. A estratégia rapidamente conquistou o mercado e alterou profundamente o perfil do transporte aéreo no Brasil, até então restrito a uma parcela mais alta da população. Em poucos anos, a Gol se consolidou entre as líderes do setor, ampliando rotas, frota e participação de mercado.
À frente da presidência executiva até 2012, Constantino comandou momentos decisivos da companhia. Entre eles, a abertura de capital na Bolsa de Valores de São Paulo e na Bolsa de Nova York, movimento que projetou a empresa internacionalmente. Em 2007, liderou a aquisição da Varig, operação que marcou o fim de uma era e simbolizou a consolidação de um novo ciclo na aviação brasileira.
Após deixar o cargo de CEO, permaneceu como presidente do conselho de administração, função em que atuava na definição das estratégias de longo prazo, especialmente durante períodos de crise, como a pandemia de Covid 19 e os desafios financeiros enfrentados pelo setor nos últimos anos. Também teve papel relevante na criação do Grupo ABRA, holding que passou a controlar ativos no Brasil e no exterior.
Além da atuação empresarial, Constantino mantinha uma ligação pessoal com o automobilismo. Foi piloto amador e conquistou títulos em competições nacionais, incluindo etapas da Copa Porsche. A paixão pela velocidade era frequentemente mencionada por amigos e colegas como traço marcante de sua personalidade, associado ao estilo dinâmico com que conduzia negócios e projetos.
Em comunicado oficial, a Gol destacou a importância de seu fundador para a construção da empresa e para o desenvolvimento do transporte aéreo no país. A nota ressaltou sua capacidade de inovação, liderança e compromisso com a democratização das viagens aéreas. Mensagens de pesar foram divulgadas por executivos do setor, autoridades e representantes de empresas nacionais e estrangeiras.
O velório e o sepultamento ainda não tiveram horários divulgados até o fechamento desta matéria. A família informou que os detalhes serão comunicados nas próximas horas.
Com a morte de Constantino de Oliveira Júnior, o setor aéreo brasileiro perde uma de suas figuras mais influentes das últimas décadas. Seu legado permanece na transformação estrutural da aviação nacional, na ampliação do acesso ao transporte aéreo e na construção de uma companhia que se tornou referência no mercado latino americano.