Mulheres apresentam de 70% a 80% dos estoques naturais de creatina em relação aos homens, de acordo com uma revisão conduzida por Smith-Ryan. Esse dado tem atraído a atenção da comunidade científica, já que a diferença pode influenciar diretamente aspectos ligados à saúde física, ao equilíbrio hormonal e, sobretudo, à saúde mental. Pesquisadores vêm investigando como a suplementação de creatina pode impactar especialmente o público feminino, que parte de uma base naturalmente menor dessa substância no organismo.

Estudos recentes indicam que a creatina exerce efeitos importantes sobre o bem-estar emocional. Quando associada ao uso de antidepressivos ou à terapia cognitivo-comportamental, mostrou-se capaz de reduzir sintomas depressivos de maneira significativa. Esse potencial terapêutico amplia o interesse de médicos e nutricionistas em considerar a substância não apenas como recurso para atletas, mas também como aliada no tratamento de transtornos mentais.
Outro aspecto relevante é a influência da creatina no desempenho cognitivo. Uma meta-análise de 2024, publicada na revista Frontiers in Nutrition, reuniu evidências de que a suplementação melhora memória, atenção e velocidade de processamento de informações. Os resultados foram consistentes, mas os benefícios apareceram de forma mais evidente entre mulheres, possivelmente devido à menor reserva natural dessa substância.

Essas descobertas apontam para um campo promissor de pesquisa e aplicação prática. A creatina, tradicionalmente associada ao ganho de força e massa muscular, passa a ser vista como uma ferramenta de saúde mais ampla. Para mulheres, em especial, ela pode significar avanços no equilíbrio emocional, na prevenção de distúrbios depressivos e na melhora das funções cognitivas, fatores que impactam diretamente qualidade de vida e produtividade diária.