blank

Não posso explicar a Lei Rouanet para quem não entendeu a Lei Áurea, diz Wagner Moura

Política

Wagner Moura voltou ao centro do debate público ao rebater críticas direcionadas à Lei Rouanet e denunciar o que classificou como distorções recorrentes sobre o financiamento de produções audiovisuais no Brasil. Em declarações recentes, o ator e diretor afirmou que a discussão em torno das políticas culturais ainda é marcada por desinformação, simplificações e um profundo desconhecimento histórico.

Ao comentar ataques feitos nas redes sociais aos mecanismos de incentivo à cultura, Wagner Moura foi direto ao estabelecer um paralelo histórico. Segundo ele, “não posso explicar a Lei Rouanet para quem não entendeu a Lei Áurea”, frase que sintetiza sua crítica à falta de compreensão sobre desigualdade estrutural, reparação histórica e o papel do Estado na promoção do acesso à cultura. Para o artista, o debate costuma ignorar o contexto social brasileiro e se concentra em narrativas rasas que transformam políticas públicas em alvos ideológicos.

blank

A declaração foi dada em entrevista à jornalista Ana Paula Souza, editora de cultura da CartaCapital, durante conversa sobre a repercussão do filme O Agente Secreto, protagonizado por Moura. Na ocasião, o ator esclareceu informações falsas que circularam a respeito do financiamento do longa. Diferentemente do que foi divulgado em manchetes e postagens virais, a produção não utilizou recursos da Lei Rouanet.

De acordo com Moura, o projeto foi contemplado por meio de um edital público do Fundo Setorial do Audiovisual, instrumento voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva do cinema nacional. O fundo financia etapas como desenvolvimento, produção, distribuição e exibição, beneficiando equipes técnicas, empresas do setor e a economia criativa como um todo.

O ator criticou duramente a forma como parte da imprensa e influenciadores digitais trataram o tema. Segundo ele, manchetes afirmando que “Wagner Moura recebeu milhões do governo” induzem o público ao erro ao sugerir que o dinheiro público é repassado diretamente ao artista, quando na prática os recursos são destinados à produção, com prestação de contas, regras rígidas e fiscalização. Para Moura, trata-se de uma estratégia deliberada de desinformação, usada para desacreditar políticas culturais e alimentar indignação artificial.

O desgaste provocado pelas fake news, segundo o ator, tem sido constante e emocionalmente exaustivo. Ele afirmou que o ambiente de ataques e distorções gera cansaço e desânimo, sobretudo para quem atua em um setor frequentemente colocado sob suspeita. Ainda assim, Moura destacou que encontra motivação ao ver o reconhecimento internacional do cinema brasileiro, citando produções recentes que têm circulado em festivais e premiações no exterior.

Para o artista, o sucesso de filmes nacionais fora do país demonstra a importância de políticas públicas de fomento e reforça que o investimento em cultura não é privilégio, mas um instrumento de desenvolvimento, identidade e projeção internacional. Em meio às controvérsias, Wagner Moura reafirma sua defesa do cinema brasileiro e alerta para a necessidade de um debate mais honesto, informado e menos refém de narrativas falsas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *