O Boticário emocionou o país ao protagonizar um gesto raro de empatia e humanidade. A marca, conhecida por sua forte ligação com as memórias e os sentidos, decidiu relançar um perfume que já havia sido descontinuado para atender a um pedido profundamente comovente. O produto em questão é o perfume Annete, uma fragrância clássica que marcou gerações e que, por decisão da empresa, havia saído de linha há anos.
O pedido partiu de uma mãe que perdeu o filho durante a pandemia da Covid-19. Em meio à dor da perda, ela revelou que o cheiro do perfume era uma das poucas formas de sentir a presença do filho novamente. O aroma, que ele usava com frequência, trazia lembranças de momentos simples e felizes, como abraços, risadas e conversas do dia a dia. Ao perceber que o perfume não estava mais disponível, ela entrou em contato com o Boticário em busca de uma última oportunidade de reviver essa conexão afetiva.

Comovido pela história, o fundador da marca, Miguel Krigsner, tomou a iniciativa de reativar a produção do perfume exclusivamente para essa mãe. O gesto foi pessoal e cuidadosamente conduzido. Miguel solicitou que a antiga fórmula fosse resgatada, mandou fabricar algumas unidades limitadas e fez questão de enviar o perfume acompanhado de uma carta escrita à mão, expressando sua solidariedade e o desejo de que o aroma ajudasse a trazer conforto e boas lembranças.
A ação rapidamente repercutiu nas redes sociais, com milhares de pessoas elogiando a sensibilidade do gesto e a importância de preservar a memória afetiva através dos sentidos. Especialistas em comportamento humano destacaram que o olfato tem um papel fundamental na evocação de lembranças, já que os cheiros são processados na mesma região do cérebro que armazena emoções. O perfume, nesse caso, tornou-se uma ponte entre o presente e o passado, um elo invisível que permite reviver sensações, sentimentos e histórias.
O Boticário, que há décadas associa suas campanhas à afetividade e às relações humanas, reforçou com esse ato o valor do cuidado e da empatia como parte de sua identidade. Segundo representantes da marca, a recriação do perfume não teve fins comerciais, sendo uma homenagem única e pontual à história daquela mãe e de todas as famílias que encontraram nos aromas uma forma de manter viva a lembrança de quem se foi.
Em tempos de perdas e distanciamentos, o gesto mostrou que uma simples fragrância pode carregar muito mais do que um cheiro: pode carregar amor, saudade e memórias que jamais se apagam.