O sol se pôs em Utqiagvik, antiga Barrow, no Alasca, e agora a cidade inicia um dos fenômenos mais marcantes do extremo norte, o período conhecido como noite polar. A partir deste momento, os moradores viverão cerca de 65 dias sem ver o Sol surgir no horizonte, um ciclo anual que ocorre em todas as regiões acima do Círculo Polar Ártico. De acordo com previsões do AccuWeather e reportagens internacionais, o próximo nascer do Sol só deve acontecer por volta de 22 de janeiro de 2026.
Utqiagvik está localizada em uma latitude tão elevada que o inverno transforma completamente a dinâmica da luz solar. A inclinação do eixo terrestre, em torno de 23,5 graus, impede que os raios solares ultrapassem o horizonte nessa época do ano. O resultado é um intervalo prolongado de escuridão que pode variar entre 64 e 67 dias, dependendo das condições e do ciclo anual.

Mesmo assim, a cidade não fica completamente às escuras. Durante algumas horas de cada dia, um leve brilho azul conhecido como crepúsculo civil ilumina o céu. Esse tom suave, quase etéreo, permite que a neve reflita a luz e torne o ambiente minimamente visível. Para muitos moradores, esse período traz um contraste fascinante entre escuridão e luz suave.
A noite polar também abre espaço para um dos fenômenos mais impressionantes do planeta, a aurora boreal. Com o céu constantemente escuro, as cortinas de luz verde, rosa e roxa tornam-se ainda mais intensas e frequentes. Relatos de residentes e visitantes descrevem esse período como uma verdadeira temporada de espetáculos naturais que dominam o céu noturno.
Com pouco menos de cinco mil habitantes, muitos pertencentes ao povo iñupiat, Utqiagvik já está acostumada a viver entre extremos. Durante o verão, o sol da meia-noite garante luz por 24 horas, o que cria uma espécie de contraponto ao inverno severo. Para lidar com o longo período sem luz solar, os moradores seguem rotinas adaptadas. Casas e locais públicos utilizam iluminações artificiais intensas, famílias mantêm horários rígidos para preservar o bem-estar e terapias de luz branca são comuns para minimizar efeitos psicológicos e fisiológicos associados à ausência prolongada de luz natural.
Meteorologistas explicam que o retorno do Sol no dia 22 de janeiro deve ser breve. O disco solar aparece rapidamente no horizonte, permanece visível por alguns minutos e volta a se pôr. Porém, essa breve aparição marca o início de uma mudança acelerada no comprimento dos dias. A cada amanhecer, a luz dura um pouco mais até que, meses depois, o Sol já permanece no céu sem se pôr durante todo o verão.
Para quem não vive nessa realidade, a noite polar pode parecer estranha, extrema e até assustadora. Contudo, para os habitantes de Utqiagvik, ela faz parte do ritmo natural do Ártico. Trata-se de um ciclo que molda o cotidiano, a cultura e a relação das pessoas com o ambiente que as cerca.
Fontes:
AccuWeather previsões da noite polar e retorno do Sol
India Today reportagem Last sunset of 2025 in Alaska
Houston Chronicle / Beaumont Enterprise matéria sobre o último pôr do Sol e os 65 dias de escuridão