Os deputados federais Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, e Gustavo Gayer, do PL de Goiás, se uniram a outros aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, na segunda-feira, dia 19, em uma caminhada de protesto que pede a liberdade de Bolsonaro e de pessoas condenadas pelos atos golpistas de 8 de janeiro. O movimento reúne parlamentares, apoiadores e lideranças políticas ligadas ao bolsonarismo, em uma mobilização que mistura ato simbólico, protesto político e estratégia de visibilidade nacional.
Batizado de “Caminhada pela Justiça e Liberdade”, o ato foi idealizado e organizado por Nikolas Ferreira, um dos principais nomes da nova geração da direita no Congresso. A concentração inicial ocorreu em Paracatu, no interior de Minas Gerais, cidade escolhida por seu simbolismo regional e pela proximidade logística com o trajeto até Brasília. De lá, os manifestantes deram início a uma caminhada pela BR-040, rodovia que liga Minas Gerais ao Distrito Federal, em um percurso estimado de cerca de 240 quilômetros.

Segundo os organizadores, a previsão é que o grupo chegue à capital federal no domingo, dia 25, após quase uma semana de deslocamento. Ao longo do caminho, os participantes devem fazer paradas estratégicas em cidades da região, promovendo atos locais, discursos, encontros com apoiadores e transmissões ao vivo pelas redes sociais. A expectativa é ampliar a adesão popular ao longo do trajeto, com a incorporação de novos manifestantes em cada ponto de parada.
Além de Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer, a mobilização conta com a presença dos deputados federais André Fernandes, do Ceará, e Márcio Gualberto, do Rio de Janeiro, ambos do Partido Liberal, além do vereador carioca Rafael Satie, também filiado à legenda. O grupo tem usado redes sociais para divulgar vídeos, fotos e mensagens convocando apoiadores, reforçando o caráter político e simbólico da caminhada.
Durante o primeiro dia do ato, Nikolas Ferreira afirmou que a mobilização não tem caráter partidário formal, mas representa, segundo ele, uma reação ao que chama de “excessos judiciais” e “perseguição política” contra Bolsonaro e outros envolvidos nos episódios de 8 de janeiro. Em discursos feitos ao longo do percurso, os parlamentares criticaram decisões do Supremo Tribunal Federal, questionaram a condução dos processos e defenderam uma anistia ampla para os condenados.
Gustavo Gayer, por sua vez, destacou que a caminhada busca manter o tema em evidência e pressionar o Congresso e outras instituições por mudanças na condução dos processos relacionados aos atos golpistas. “Não se trata apenas de Bolsonaro, mas de pessoas comuns que, segundo nós, estão pagando um preço desproporcional”, afirmou em uma transmissão ao vivo.
O movimento ocorre em um momento de forte polarização política no país e reacende o debate sobre os desdobramentos jurídicos e políticos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em janeiro de 2023. Enquanto aliados de Bolsonaro defendem anistia e revisão de penas, setores do Judiciário e do governo federal sustentam que os condenados participaram de uma tentativa de ruptura institucional e que as punições são necessárias para preservar a democracia.
Autoridades locais acompanham a caminhada por questões de segurança e logística, já que parte do trajeto ocorre às margens de uma rodovia federal de grande fluxo. Até o momento, não há registro de confrontos ou incidentes graves, e a Polícia Rodoviária Federal informou que monitora o deslocamento do grupo.
A chegada a Brasília deve ser marcada por um ato público em frente ao Congresso Nacional ou em outro ponto simbólico da capital, ainda a ser confirmado pelos organizadores. A expectativa é de que parlamentares aliados, influenciadores conservadores e apoiadores de várias regiões do país se juntem ao grupo na reta final da caminhada, ampliando a visibilidade do protesto.
A “Caminhada pela Justiça e Liberdade” se insere em uma série de mobilizações recentes promovidas por aliados do ex-presidente, que tentam manter sua base engajada e pressionar por mudanças no cenário político e jurídico. O impacto político do ato ainda é incerto, mas a mobilização já se tornou mais um capítulo da disputa narrativa em torno dos eventos de 8 de janeiro e do futuro de Jair Bolsonaro na política brasileira.