A disputa global por inovação científica e tecnológica se intensificou nas últimas décadas e passou a ser tratada por governos como uma questão estratégica de soberania, crescimento econômico e influência internacional. O indicador mais utilizado para medir o esforço de cada país nesse campo é o volume de recursos destinados à pesquisa e desenvolvimento em relação ao Produto Interno Bruto. Esse índice revela o quanto a ciência e a inovação ocupam espaço dentro da economia, independentemente do tamanho absoluto do país.
Nos últimos anos, o cenário internacional consolidou um grupo de nações que transformaram o investimento em conhecimento em prioridade de Estado. A liderança mundial nesse quesito é ocupada por Israel, que direciona uma parcela superior a 6% de sua economia para atividades de pesquisa. O modelo israelense se destaca por forte integração entre universidades, forças armadas, centros de inovação e empresas privadas. O país construiu um ecossistema tecnológico voltado para áreas como segurança cibernética, inteligência artificial, biotecnologia e defesa. A participação do setor privado é dominante e impulsiona a criação constante de startups, o que contribui para a reputação internacional do país como polo de inovação.
Na sequência aparece a Coreia do Sul, que protagonizou uma das maiores transformações econômicas da história recente. Após a Guerra da Coreia, o país era predominantemente rural e com baixa renda. A estratégia de industrialização e tecnologia, apoiada por forte planejamento estatal, levou a uma mudança estrutural. Hoje, conglomerados industriais de grande porte investem bilhões em inovação e mantêm parcerias com universidades e centros de pesquisa. O resultado é uma economia altamente tecnológica, com destaque em semicondutores, telecomunicações, eletrônicos e mobilidade.
Ranking dos países que mais investem em ciência e tecnologia como percentual do PIB
1º Israel, cerca de 6,3% do PIB
2º Coreia do Sul, cerca de 5,3%
3º Taiwan, aproximadamente 3,8%
4º Suécia, cerca de 3,5%
5º Japão, aproximadamente 3,4%
6º Estados Unidos, cerca de 3,4%
7º Bélgica, aproximadamente 3,3%
8º Alemanha, cerca de 3,1%
9º Áustria, aproximadamente 3%
10º Dinamarca, entre 2,8% e 3%
O Brasil investe aproximadamente 1,1% a 1,2% do PIB em ciência, bem abaixo dos países líderes.
Outras economias asiáticas também se destacam. Taiwan consolidou sua posição como potência global na produção de chips e componentes essenciais para a indústria digital. A importância estratégica dessa área fez com que o país elevasse significativamente seus investimentos em ciência. O Japão, por sua vez, mantém uma tradição sólida em engenharia, robótica e automação industrial. Mesmo enfrentando desafios demográficos e crescimento econômico moderado, continua entre os líderes em inovação aplicada.
Na Europa, o protagonismo é dividido entre países do norte e do centro do continente. Nações como Suécia, Bélgica, Alemanha e Dinamarca apresentam níveis elevados de investimento e políticas de longo prazo voltadas à economia do conhecimento. Esses países valorizam a educação científica, a formação de pesquisadores e a cooperação entre universidades e indústria. A Alemanha mantém forte presença na engenharia e na indústria automotiva, enquanto a Suécia se destaca em tecnologia digital, telecomunicações e sustentabilidade.
Os Estados Unidos ocupam posição de destaque, embora não liderem em percentual. A principal diferença é o tamanho de sua economia, o que garante o maior volume absoluto de recursos destinados à pesquisa. O país abriga algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, além de centros universitários que concentram parte significativa da produção científica global. A inovação americana é impulsionada por capital de risco, empreendedorismo e um ambiente favorável à experimentação.
A China é outro protagonista essencial nesse cenário. Nas últimas duas décadas, ampliou de forma acelerada os investimentos em ciência, com foco em inteligência artificial, energia, defesa, espaço e tecnologia industrial. O país também expandiu o número de pesquisadores e publicações científicas, consolidando-se como competidor direto das potências tradicionais. A estratégia chinesa combina planejamento estatal, metas de longo prazo e forte apoio à indústria.
O ranking atual dos países que mais investem em ciência como percentual do PIB apresenta Israel na liderança, seguido por Coreia do Sul, Taiwan, Suécia, Japão, Estados Unidos, Bélgica, Alemanha, Áustria e Dinamarca. Esse grupo concentra economias baseadas em conhecimento, alta produtividade e forte capacidade de inovação.
Especialistas afirmam que esse tipo de investimento gera efeitos estruturais ao longo do tempo. A ciência impulsiona novas indústrias, aumenta a competitividade internacional, atrai talentos e reduz a dependência tecnológica. Países que priorizam pesquisa também conseguem responder com mais rapidez a crises globais, como pandemias, mudanças climáticas e disputas geopolíticas.
Na América Latina, o cenário é distinto. A maioria das economias investe menos de 1,5% do PIB em pesquisa. O Brasil lidera a região, mas ainda apresenta níveis considerados baixos quando comparados às nações mais desenvolvidas. Oscilações econômicas, instabilidade política e cortes orçamentários impactam a continuidade de projetos científicos. Apesar disso, o país possui centros de excelência em áreas como agricultura tropical, energia renovável, saúde e biotecnologia.
O debate sobre ciência e inovação ganhou novo peso no contexto internacional. A corrida tecnológica está diretamente ligada à segurança nacional, à economia digital e à transição energética. Governos passaram a tratar o tema como prioridade estratégica, ampliando investimentos e criando políticas industriais voltadas à inovação.
A tendência indica que essa competição deve se intensificar nos próximos anos. Tecnologias emergentes, como computação quântica, inteligência artificial, novos materiais e biologia sintética, podem redefinir o equilíbrio de poder global. Nesse cenário, a capacidade de produzir conhecimento científico deixou de ser apenas um indicador de desenvolvimento e passou a ser um dos principais fatores que determinam o protagonismo de um país no século XXI.
Fontes: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Banco Mundial, Global Innovation Index, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
