Na Venezuela, um caso envolvendo liberdade de expressão e repressão política ganhou destaque internacional. A jovem venezuelana Marian León, de 22 anos, foi condenada a 10 anos de prisão após publicar críticas ao governo do presidente Nicolás Maduro em suas redes sociais. A sentença, proferida por um tribunal de Caracas nesta semana, gerou indignação entre organizações de direitos humanos e reacendeu o debate sobre a repressão ao dissenso no país.
As postagens que custaram a liberdade
Segundo documentos judiciais divulgados pela imprensa local, Marian usava suas contas no Instagram e no X (antigo Twitter) para denunciar a corrupção, a escassez de alimentos e medicamentos, além de criticar diretamente as forças armadas e a liderança chavista. Em uma das publicações, que viralizou, ela escreveu: “Um país destruído não se reconstrói com discursos vazios e tanques nas ruas.”
As autoridades acusaram a jovem de “incitação ao ódio” e “conspiração contra a ordem constitucional”, crimes previstos na Lei Contra o Ódio aprovada em 2017, usada frequentemente para silenciar opositores.

Julgamento relâmpago e falta de defesa
O processo foi considerado atípico e arbitrário por entidades jurídicas independentes. Segundo a ONG Foro Penal, a jovem foi detida sem mandado judicial, passou dias incomunicável e teve acesso limitado a advogados. O julgamento durou apenas três sessões e terminou com uma sentença severa: 10 anos e 4 meses de reclusão.
Organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch condenaram a decisão e classificaram Marian como prisioneira de consciência.
Reações internacionais
Países como Colômbia, Chile e Estados Unidos se manifestaram em notas oficiais cobrando respeito aos direitos humanos e ao devido processo legal. O Parlamento Europeu também emitiu uma moção de repúdio, afirmando que o caso é um exemplo claro de “repressão política sistemática” praticada pelo regime de Maduro.
O governo venezuelano, por outro lado, nega qualquer irregularidade e afirma que a jovem estava “propagando mensagens de ódio com o intuito de desestabilizar a pátria”.
Clamor por liberdade
Nas redes sociais, o caso repercutiu fortemente. A hashtag #LiberenAMarian se tornou um dos assuntos mais comentados na América Latina, com milhares de postagens em apoio à jovem. Protestos simbólicos também foram realizados em universidades e em frente a embaixadas venezuelanas.
Enquanto isso, familiares e amigos de Marian organizam campanhas para pressionar organismos internacionais e obter sua libertação.
“Ela apenas disse o que milhões de venezuelanos pensam, mas não podem dizer. Ser presa por isso é uma injustiça cruel”, declarou seu irmão, Juan León, em entrevista à imprensa.
O caso de Marian León escancara, mais uma vez, a fragilidade das liberdades civis na Venezuela e coloca em evidência os riscos enfrentados por quem ousa se manifestar contra o poder.